sábado, 10 de junho de 2017

EGUNS

O CULTO DOS EGUNS NO CANDOMBLÉ
 
Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa. 
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos – um dos grupos étnicos da Nigéria , resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé  de forte tradição, principalmente religiosa – nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.(Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)
Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar. 

Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iyámi Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas “Sociedades Geledê”, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. 

Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Iyámi Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iyámi quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro. 

Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas “Sociedades Egungum“. Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto. 

Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana. 

No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia. 

O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele “nasce” através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se torne vida”, e o Egungum ancestral individualizado está de novo “vivo”. 

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente – característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria (veja lendas de Oyá). 

As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum. 

A roupa do Egum – chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a “morte”, ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um “assombrado”, e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte. 

Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes – como os ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns – desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã. 

Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo. 

O eku dos Babá são divididos em três partes: o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. 

O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos. 

Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas. 

Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram. 

Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos – estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado – , e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local. 

Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé – a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns (veja Mitos Oyá-Egum). 

No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) – o poder e o axé de Egum – nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos. 

Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito.

O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos. 

Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum – estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos). 

Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a “morte” da “vida”. É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito. 

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes. 

Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papel de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas. 


Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

 Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Cristão Confuso

10 Curiosidades sobre a Umbanda.

10 curiosidades sobre umbanda

Dia desses, durante uma aula dominical, percebi uma certa confusão entre meus alunos sobre esta religião, por isso resolvi escrever o post, mesmo não querendo revisitar o assunto.

Antes, informo que a lista abaixo não faz apologia ou tenta denegrir a crença alheia. São apenas curiosidades dessa religião que se iniciou nas senzalas.


10. A Umbanda é a mistura de várias religiões.

10 curiosidades sobre umbandaRecebe o nome de Umbanda um dos vários cultos religiosos sincréticos (que procura conciliar diversas doutrinas) surgidos no Brasil, fruto do contato dos diferentes povos que contribuíram para a formação cultural e religiosa da população. A palavra umbanda deriva de m'banda, que em língua quimbundo (língua nacional de Angola) significa "sacerdote" ou "curandeiro". O culto irá combinar elementos da filosofia espírita kardecista, dos vários cultos afro-brasileiros, tradições indígenas, do cristianismo católico e modernamente, conhecimento vindo de cultos esotéricos. Por ter nascido e se desenvolvido nas classes mais humildes da população brasileira, a condução e filosofia do culto muitas vezes ainda difere, havendo visões até mesmo conflitantes acerca de vários conceitos da religião entre seus praticantes.

09. O “fundador” da Umbanda tinha 17 anos quando ingressou no Espiritismo.

10 curiosidades sobre umbandaA história da umbanda nas suas primeiras décadas se confunde com a de Zélio Fernandino de Moraes, natural de Niterói, capital do então estado do Rio de Janeiro. Zélio, acometido de estranha paralisia que desafiava os médicos, certo dia levantou-se do leito e declarou: "- Amanhã estarei curado." No dia seguinte, realmente, o jovem de 17 anos não aparentava qualquer sinal da doença.

Depois de muita discussão, um amigo da família convence todos a visitarem a Federação Espírita de Niterói e assistir uma sessão. Convidado a participar, Zélio logo é tomado de uma força sobrenatural, e diz: "-Aqui está faltando uma flor!". Em seguida, colhe uma flor do jardim do prédio e deposita-a à mesa.

Atordoados, os outros participantes da sessão começaram a incorporar espíritos que se intitulavam pretos escravos e índios (de acordo com a tradicional linha kardecista, somente espíritos "evoluídos", de doutores, intelectuais, pensadores, etc. deveriam ser incorporados; espíritos como os referidos eram considerados atrasados e deviam ser evitados). Por fim, o espírito que incorporara em Zélio se revela como o Caboclo da Sete Flechas, o senhor dos caminhos, que, desconcertado com o preconceito racial e cultural dos praticantes kardecistas, anuncia que irá criar uma nova religião onde os negros e índios considerados espíritos atrasados, poderão se manifestar e dividir com a humanidade seus conhecimentos.

Dito e feito, às 20:00 do dia 16 de novembro de 1908, manifestou-se o caboclo em Zélio, anunciando a criação da nova religião. Em nome de tal espírito, Zélio, com a ajuda de um pequeno grupo crente, passou a realizar curas e logo fundou o primeiro espaço dedicado ao culto, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade, registrada em cartório em 1908 e ainda funcionando.

08. A mistura das imagens católicas com símbolos do candomblé ocorreu por causa do medo dos senhores das senzalas.

10 curiosidades sobre umbanda

Os senhores escravagistas, acostumados a aplicar castigos físicos em seus escravos, associavam as doenças e males ocorridos a seus familiares aos rituais feitos nas senzalas logo após os espancamentos dos negros.

10 curiosidades sobre umbandaBuscando evitar isso, os senhores da Casa Grande trataram de “catequizar” os escravos, obrigando-os a cultuar os santos da religião católica, proibindo o que denominavam “macumba”. Com a distribuição das imagens a serem cultuadas, os africanos começaram a associar os santos com as entidades do Candomblé. A representação das matas, o orixá Oxóssi, foi ligado a São Sebastião, não pela imagem humana, mas por ela se apresentar morto e atado a uma árvore, ícone da natureza. O simbolismo da guerra de Santa Bárbara (Joana d'Arc) foi associada a Iansã, a católica Nossa Senhora com Iemanjá, Oxalá com Jesus.

Essa associação gerada como recurso para conseguir cultuar os deuses da África dura até hoje, e podem ser vistos nos altares, junto a estatuas de “eguns”, o que não era aceito na época.

07. A religião original não aceitava o contato com “Eguns” (espíritos de pessoas já falecidas).

10 curiosidades sobre umbanda

Para o africano, o contato com espíritos de pessoas que já morreram era prática condenável

( o que vai em concordância com a bíblia), mas eles acreditavam que alguns ancestrais dos escravos, anciões já falecidos das tribos escravizadas, começaram a encarnar nos escravos. Também começaram a vir índios caboclos, marinheiros ébrios, boiadeiros, crianças, entre as entidades também chamadas de exus.

Os primeiros a aceitarem esse tipo de espiritualidade foram o chamado Candomblé de Caboclo, que em 1865, bem antes do nascimento de Zélio, que viria a oficializar a religião em cartório, começou a trabalhar diretamente com essas entidades.

06. Macumba não é macumba!

No início do século XX, com o surgimento da “giras” de Umbanda, muitas vezes realizadas nas praias, começou a ser conhecida pelo termo macumba.
10 curiosidades sobre umbanda
Macumba nada mais é que um determinado tipo de reco-reco usado durante as giras; e por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas as giras como macumbas ou culto Omolokô. Com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não se enquadrava nos ensinamentos impostos pelo catolicismo, protestantismo, e outras religiões, era considerado macumba. Com isso, acabou por virar um termo pejorativo.

Então, podemos definir que um macumbeiro nada mais é que um tocador de reco-reco estilizado.

05. Exu não é necessariamente o demônio

10 curiosidades sobre umbandaO exu do candomblé é totalmente diferente do da umbanda, já que no candomblé não se encarnam espíritos, e o mesmo é um Orixá mensageiro e não possuem os atributos demoníacos atribuídos aos da umbanda.

O chamado brincalhão Exu só em um período posterior ( na fase do sincretismo) foi reinterpretado e até marginalizado nos cultos afro-brasileiros, notadamente na Umbanda.

Foi na influência Católica da colonização e formação político-social do Brasil que Exu foi associado ao demônio, mesmo antes da fundação da Umbanda. Nessa religião, entretanto, essa figura foi complementada como entidade maligna. e se tornou o representante do diabo, do perigo e da imoralidade (para o caso da Pomba-gira, entidade feminina do mesmo).

Por causa dessas características, parece que os primeiros umbandistas o associaram com eguns africanos e escravos rebeldes. Exu foi, portanto, segregado da Umbanda, e se tornou o legislador da quimbanda, do submundo ou comumente chamado Umbral (inferno espírita).

10 curiosidades sobre umbandaOutra interpretação umbandista coloca Exu na ordem evolucionista de precedência, conforme o modelo kardecista. Ele é reduzido a um espírito menos evoluído que, todavia tem potencial para evoluir e se tornar um espírito bom. Alguns umbandistas distinguem entre Exu pagão e Exu batizado, que se submeteu à doutrinação e encontrou o caminho certo da escada da evolução. Essa distinção reflete algo do caráter original ambivalente de Exu, apesar do rito de passagem do batismo, que define a distinção que é certamente nova. Novamente esse batismo do Exu pagão tem sido interpretado como uma expressão e aculturação e domesticação do mal, do perigo e da imoralidade (sucubus e incubus da teologia judaica cabalística?).

04. Existem diversas hierarquias e facções dentro da religião.

Parte da Umbanda tem relação com o Espiritismo, e assim seguem as ideias de Kardec.

10 curiosidades sobre umbandaA religião chamada kardecista foi baseada nas ideias da moda na época, em plena ascensão da ideia do Evolucionismo onde a origem da vida acontecera dentro da constante evolução das espécies. O mesmo raciocínio foi incorporado a doutrina espirita, através de seus escritos.
Por isso, no evento que deu origem a Umbanda, os kardecistas rejeitavam os eguns sem escolaridade, já que Kardec defendia que um espirito evoluía através do conhecimento intelectual. Pode ser ler em seus livros sua tese que a evolução reencarnatória acontecia nas raças, partindo pelos menos evoluídos negros até o homem caucasiano europeu, loiro e branco que, segundo ele, era a ultima fase evolutiva antes de reencarnar em outro planeta.

Dessa forma, era natural que algumas ramificações da religião defendessem a busca de evolução espiritual dos exus para seres mais evoluídos.

Alguns exemplos dessas ramificações:

 Umbanda Branca e/ou de Mesa - Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos - Orixás -, nem o trabalho de exus e pomba giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
• Omolokô - Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
• Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote alterna sessões de forma diferenciada;
• Umbanda Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: conjunto de leis divinas;
• Umbanda Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito;

03. O uso da vela

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O uso desse artefato usado pelos umbandistas foi adotado dos católicos. O simbolismo doutrinário católico associa o objeto como Deus Pai, o pavio a Jesus e a chama ao Espírito, e nada tem haver com a relação mística dada pelos cultuadores espiritas, já que associam a chama como uma espécie de sinalizador aos espíritos e que isso daria força.


Eles associam a cor da vela com o determinado tipo de espírito e sua “linha”: se verde, o espírito é das matas, se vermelha e preta, de esquerda e está ligada a exu, se vermelha e branca, ligada a Ogum (São Jorge no sincretismo), e assim por diante

Algumas vertentes católicas porém defendem o uso dessas com a intenção de auxiliar os espíritos dos mortos que peregrinam pelo purgatório.

A verdadeira origem, adotada pelos católicos dos romanos, está ainda no Velho Testamento, onde podemos ver o Menorá, castiçal judaico de ouro sendo acesso com 7 velas, simbolizando os 7 Espíritos de Deus, descritos em Apocalipse.

02. A importância dos atabaques

10 curiosidades sobre umbandaEmbora não haja “ogans” (denominação exclusiva do candomblé para os tocadores de atabaques) em ambos as religiões, o músico percussionista tem que estar “consagrado” para tocar durante as giras.

Esses instrumentos são consagrados e devem ser guardados com máxima reverência, cobertos com lençóis específicos. Eles acreditam que para cada linha existe um tipo de toque específico, e a vibração correta ajudará o médium a incorporar com maior facilidade. Inverter o tipo de batida pode causar dano ao andamento de sua cerimônia.

01. Mediunidade na Umbanda
10 curiosidades sobre umbanda
A mediunidade não é algo novo e a prática milenar é praticada por diversos povos desde a antiguidade, embora seja rejeitada pelo que está escrito na Bíblia (curiosamente, a mesma proibição de contato com eguns existe na religião que deu origem a esta). Por isso o conflito constante entre alguns cristãos evangélicos e espiritas, onde o sincretismo faz com que haja semelhança com o catolicismo, provoca um mal estar pelo “radicalismo” crente.

A médium, chamado de cavalo ou aparelho na religião, empresta o corpo para que a entidade faça uso, incluindo as habilidades motoras, a fala, o uso de bebida, tabaco.

O uso “adequado” do corpo pelas entidades é aperfeiçoado na mediunidade pela entrega das “obrigações” exigidas por cada linha (tipo de elemento da entidade) o que dará ao espírito maior controle sobre o comportamento do mesmo, o que ofenderia Deus, que não aprovaria que o corpo dado fosse utilizado por criaturas que já tiveram sua oportunidade na Terra.

CURIOSIDADE EXTRA: 

ONDE FICA ARUANDA, O CÉU DOS UMBANDISTAS?:

Toda religião tem seu paraíso.

Os cristãos esperam ir a Glória com Jesus assim como os católicos esperam o paraíso com Maria, mãe de Deus. Os islâmicos esperam por suas 40 virgens patrocinadas por Alá. Pelos séculos, as religiões definem seu lugar de descanso e paz por se acharem bons o suficiente para isso.

Na umbanda, o lugar de passagem (já que creem na reencarnação evolutiva de Kardec, incompatível com a crença nas entidades que os usam que permanecem incorporando sem reencarnar) chama-se Aruanda, e segundo eles é uma cidadela de luz etérea que orbitaria a ionosfera do planeta Terra, em uma dimensão espiritual de transição (isso não é necessariamente uma unanimidade).

A origem da palavra, claro, vem dos africanos, e era o lugar que eles diziam que queriam voltar um dia.

Na verdade, é um nome que o nome dado ao porto de São Paulo, em Luanda, o principal de sua terra natal Angola.

10 curiosidades sobre umbanda

segunda-feira, 29 de maio de 2017

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EXUS DE UMBANDA

De acordo com o que apregoam a Umbanda e o Candomblé, são espíritos de diversos níveis de luz que podem ou não incorporar nos médiuns de UmbandaJuremaOmolokôCandomblé de Caboclo, entre outras religiões afro-brasileiras.
Nos Candomblés puros, de nação, como Jeje Mahi, Keto, Angola, Ijexá e Nagô, normalmente não há incorporação de espíritos, apenas manifestação de Orixás, que são entidades de altíssimo poder, representantes das forças da natureza, e que ocupam o topo da hierarquia espiritual dentro dos cultos de origem africana. A grande diferença do Orixá para a simples entidade espiritual ou catiço reside no fato de que esses últimos foram pessoas comuns, que viveram na Terra e no momento ocupam a condição de desencarnados. Amanhã ou depois podem estar de volta à matéria, conforme os desígnios de Deus. O Orixá é representante de uma força da natureza e não está sujeito a esse ciclo de reencarnações. É um espírito maior.
Nos Candomblés de Caboclo, no entanto, que não deixa de ser um tipo de Umbanda, podem ser encontradas casas que adotem a incorporação de Exus, Pomba-Giras, Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros e outras entidades espirituais.
Todavia, o Orixá Exu, cultuado somente nas nações de Candomblé, é considerado uma divindade. Domina os Filhos de Santo que o carregam em seus oris, mas esse domínio difere em muito daquele incorporação que ocorre na Umbanda, onde se manifesta para dar consultas. O Exu de Umbanda é uma entidade, o espírito de alguém que nasceu e morreu, portanto pertence ao chamado povo de rua ou catiço.

Exu Tata Caveira
Exu é denominação genérica.
Pode haver o masculino, chamado simplesmente de Exu, e também o elemento do gênero feminino, chamado de Exu Mulher, Pomba Gira, Pombogira, Pombajira ou Bombogira, que são corruptelas do vocábulo yorubá Pambu Njila, que simplesmente significa Exu. Ela é uma entidade que pertenceu, em sua última existência, ao gênero feminino, e que por inúmeras razões foi agregada a uma das muitas linhas de Exus Mulheres e veio trabalhar na Umbanda, assim como ocorre com os Exus masculinos. É, portanto, a personificação feminina de Exu, por isso se reveste de uma auréola de mistério e sensualidade que desperta a atenção de todos nas casas de culto das religiões afro-brasileiras.
Quando incorporam, os Exus masculinos costumam se caracterizar com capas, cartolas e bengalas. As Pomba Giras vestem saias rodadas, usam brincospulseirasperfumes e rosas. Mas, não é obrigatório que os médiuns se utilizem dessas vestimentas para a incorporação. Cada terreiro trabalha de forma autônoma. Alguns centros uniformizam a roupa dos médiuns; todos, por exemplo, vestem branco.

HistóriaEditar

Exu, que entre outras coisas é o Mensageiro dos Orixás no Candomblé, tem origem na religião africana, de modo que apenas em um período posterior, na fase do sincretismo, foi reinterpretado e até marginalizado nos cultos afro-brasileiros, notadamente na Umbanda. Aliás, pela influência Católica na colonização e formação político-social do Brasil, Exu foi associado com o demônio mesmo antes da fundação da Umbanda. Nessa religião, entretanto, essa figura foi complementada como entidade maligna. Exu se tornou, para quem ignora as característica e os fundamentos das religiões afro-brasileiras, o representante do demônio, do perigo e da imoralidade. Por isso, parece que os primeiros umbandistas o associaram com africanos e escravos rebeldes. Exu foi, portanto, segregado da Umbanda, e se tornou o legislador da Quimbanda, do submundo. Mas muitos centros que não praticam a Quimbanda permitem a incorporação de Exus. Muitos deles nem mesmo usam bebidas alcoólicas e nem fazem quaisquer apologias a vícios. Nem todos são risonhos e brincalhões. Muitos são sérios e exigem atitudes corrtetas de seus médiuns e de seus consulentes.
Outra interpretação umbandista coloca Exu na ordem evolucionista de precedência, conforme o modelo kardecista. Ele é reduzido a um espírito menos evoluído, que todavia tem potencial para evoluir e se tornar um espírito bom. o que nem sempre parece ser verdade, pois há muitos Exus altamente evoluídos. Alguns umbandistas distinguem entre Exu pagão e Exu batizado, que se submeteu à doutrinação e encontrou o caminho certo da escada da evolução. Em verdade, existem três patamares básicos onde se pode posicionar um Exu: o primeiro é o nível de zombeteiro, no qual o Exu ainda não se conscientizou de que deve buscar a, luz. É o Exu pagão. Quer apenas bebidas alcoólicas e brincadeiras. Mas, ao final desse ciclo, enxerga que não vai evoluir enquanto permanecer realizando tais proezas. E passa ao nível de Exu de linha, trabalhando sob a supervisão de entidades que o fiscalizam e determinam tarefas a serem cumpridas na espiritualidade. Ao final desse ciclo, é um Exu Batizado ou Coroado. O terceiro nível é o de Exu Bará ou servidor de um Orixá. Ao atingir esse nível, pode o Exu deixar de incorporar em médiuns e permanecer apenas realizando tarefas na espiritualidade, sob as ordens diretas de seu Orixá Regente. Essa distinção reflete algo do caráter original ambivalente de Exu, apesar do rito de passagem do batismo, que define a distinção que é certamente nova. Novamente esse batismo do Exu pagão tem sido interpretado como uma expressão e aculturação e domesticação do mal, do perigo e da imoralidade.
Há ainda outra interpretação que considera os Exus como entidades espirituais com a mesma evolução das demais entidades, como caboclos e pretos-velhos, apenas posicionado em uma linha de trabalho diferente e estigmatizada muitas vezes até mesmo pelos próprios espiritualistas. Não existe, portanto, a noção de que eles são pouco evoluídos ou que se dedicam à prática da magia negra. Exus evoluem, sim, mas dentro de sua linha, como qualquer outra entidade. Por isso, existem os pouco evoluídos e os que estão evoluindo, os que atingiram o nível de Exu batizado e já trabalham dentro de uma linha que exige correção e boa conduta, e os Exus Barás ou servidores de um Orixá.
Há quem creia que os Exus são entidades (espíritos) que só fazem o bem e outros que creem que podem também ser neutros ou maus. Dividem-se, de acordo com uma hierarquia espiritual, em falanges, sub-falanges, grupos e sub-grupos. Observa-se que, não raro, alguns terreiros de Umbanda, e mesmo de Candomblé, não orientam seus médiuns quanto à natureza dessas entidades, o que é um erro muito grave. Muitos confundem Exu com um obsessor ou com um espírito de baixa evolução espiritual e moral, quando isso não é verdade. Essas entidades não devem ser confundidas com os chamados obsessores. Ao contrário, ficam sob o seu controle os espíritos mais atrasados na evolução, que são por eles orientados para que consigam evoluir através de trabalhos espirituais feitos para o bem.

Exu Meia-Noite
O poder de se comunicar confere a ele também o oposto, a possibilidade de desligar e comprometer qualquer comunicação. Se possibilita a construção, Exu também permite a destruição. Esse poder foi traduzido mitologicamente no fato de habitar as encruzilhadascemitérios, em suma, as passagens. Portanto, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas lhe faz o senhor das entradas e saídas. É o dono dos caminhos, o que abre e fecha o acesso do ser humano às fortunas e à felicidade.
Há algumas diferenças na maneira de conceber o Exu no Candomblé e na Umbanda. No primeiro, é como os demais Orixás, uma personalização de fenômenos e energias naturais. O Candomblé considera que as divindades, ou seja, os Orixás, entram em transe nos médiuns, intitulados cavalos ou aparelhos, mas não há consultas. Apenas se manifestam nas festas devidamente caracterizados e paramentados. Já na Umbanda, o Exu é uma entidade que normalmente incorpora e promove consultas incorporado em seu médium, como outras entidades, tais quais, os caboclospretos-velhoscrianças, os falangeiros de orixás, também denominados mensageiros, e outras várias entidades.
A Umbanda considera os Exus como entidades que buscam, através da caridade, a evolução espiritual. Em síntese, o grande agente mágico do equilíbrio universal. Também é o guardião dos trabalhos de magia, pela qual opera com as forças do astral. E também são considerados "policiais", "sentinelas", "seguranças" que agem pela Lei, no submundo do "crime" organizado e principalmente policiando seu médium médium no seu dia a dia. As falanges de Exus sempre estão nas zonas consideradas infernais, embora delas não façam parte. Com efeito, realizam os seus trabalhos de guarda em todas as partes onde são necessários. Certos Exus guardam entradas de hospitais, necrotérios e cemitérios para impedir que kiumbas, espíritos sem evolução, de natureza vampiresca e zombeteira, se alimentem do duplo etéreo dos que estão à beira da morte ou daqueles que desencarnaram recentemente. A força vital permanece nos corpos sem vida e não deve ser sugada para alimentar almas que desejam praticar o mal. Esses espíritos devem ser impedidos de qualquer maneira. Participam também do resgate de almas localizadas em zonas inferiores, os chamados umbrais.
O plano astral também é morada de miríades de espíritos que perseveram no mal. Alguns deles estabelecem uma prática na espiritualidade de obsidiar desencarnados e até encarnados. O trabalho dos Exus é não permitir que consigam influenciar espíritos e pessoas vivas a ponto de elastecer seus tentáculos e criar verdadeiras frentes de maldade espiritual e material. Esse combate é árduo e permanente. Os Exus chefes de falange, geralmente Coroados ou Barás de Orixá, podem ser equiparados a verdadeiros generais que promovem vigília e combate, além do comando de inúmeras falanges.

Exu do Lodo
Mesmo os chamados chefes também obedecem à severa hierarquia dos comandos do astral.
Os Exus obedecem, ainda, a um divisão maior, que os aponta como Exus da estrada, da encruzilhada, do cemitério, da beira do mar e das cidades.
Esses espíritos se utilizam de energias mais "densas" ou materiais. Nota-se que essas entidades podem realizar trabalhos benignos, como curas, orientação em todos os setores da vida pessoal dos consulentes e praticar a caridade em geral. A condição de Exu para um espírito é transitória, podendo este, uma vez redimidas suas dívidas perante a Lei Divina, reencarnar, resgatar o restante de seus carma e seguir escalas mais elevadas de evolução.
Os trabalhos malignos não são acordos efetuados com os Exus, mas sim com Kiumbas, que agem nas sombras e não estão sob a orientação de nenhum guia, mas que podem se fazer passar por um, atuando em terreiros que não praticam os fundamentos básicos da Umbanda, que são a existência de um Deus único, crença em entidades espirituais em evolução, Orixás que formam a hierarquia espiritual, guias mensageiros, na existência da alma, na prática da mediunidade sob forma de desenvolvimento espiritual do médium, além da caridade gratuita a quem necessita. O objetivo é sempre proporcionar vibrações positivas através da fé, amor e respeito ao próximo. Alguns centros ditos de Umbanda se servem apenas para ganho pessoal do seu pai-de-santo ou sacerdote. Reuniões em que há a incorporação de exus, por exemplo, não pode haver nenhum tipo de cobrança ao visitante, seja de dinheiro ou de qualquer outra natureza.
Os Exus infelizmente são confundidos com os kiumbas, que são espíritos trevosos ou obsessores que se encontram desajustados perante a Lei Divina. São responsáveis pelos mais variados distúrbios morais e mentais nas pessoas, desde pequenas confusões, até as mais duras e tristes obsessões. Comparados ao Diabo dos Católicos, são espíritos que se comprazem na prática do mal, apenas por sentirem prazer ou vingança, calcados no ódio doentio. Aguardam, portanto, que a Lei os recupere da melhor maneira. Vivem no baixo astral, onde as vibrações energéticas são pesadas. Trata-se de uma enorme egrégora formada pelos maus pensamentos e oriundos dos espíritos encarnados e desencarnados. Sentimentos baixos, tais quais, paixões desenfreadas, ódiosrancoresraivasvingançassensualidade exagerada e vícios de toda estirpe alimentam essa faixa vibracional da qual os kiumbas se comprazem, já que se sentem mais fortalecidos com a energia negativa que por eles é absorvida.
O verdadeiro Exu é uma entidade guardiã empenhada em uma missão maior, por isso não faz mal a ninguém. Seu objetivo é auxiliar as pessoas com fé e respeito. Alguns exus foram, quando reencarnados, pessoas importantes, como políticosmédicosadvogados, industriais, mas também trabalhadores, pessoas comuns, padres, escravos, saltimbancos que cometeram alguma falha e escolheram ou foram escolhidos para assumir essa roupagem espiritual com o fim de redimirem seus erros pretéritos. Outros são espíritos mais evoluídos que optaram por orientar os seus médiuns. Em seus trabalhos de magia, o exu corta demandas, desfaz trabalhos malignos, feitiços e magia negra, efetuados por espíritos sem evolução. Ajudam a limpar ambientes, retirando os obsessores e os encaminhando para à luz ou para que possam cumprir suas penas no astral inferior.

Exu Tranca-Ruas
Uma verdadeira casa de caridade é sempre reconhecida pela gratuidade dos serviços prestados a quem procura ajuda em um terreiro de Umbanda.
Alguns espíritos, que usam indevidamente o nome de Exu, procuram realizar trabalhos de magia dirigida contra os encarnados. Na realidade, quem está agindo é um espírito atrasado. É justamente contra as influências maléficas, o pensamento doentio desses feiticeiros improvisados, que entra em ação o verdadeiro exu, atraindo os obsessores ainda ignorantes e procurando trazê-los para suas falanges que trabalham visando à própria evolução.
O chamado Exu pagão é tido como aquele sem luz, sem conhecimento e pouca evolução, ainda não pronto para o despertar à caridade.
Já o exu batizado é uma alma já sensibilizada pelo bem que já evoluiu e trabalha para o próximo, dentro do reino da Quimbanda, por ser uma força ajustável ao meio podendo intervir como um policial que penetra nos reinos da marginalidade para fins de resgate e limpeza.
Não se deve, entretanto, confundir um verdadeiro Exu com espíritos zombeteiros, mistificadores, obsessores ou perturbadores, que recebem ou deveriam receber a denominação de kiumbas e que, não raro, mistificam e iludem os presentes, se passando por guias.
Para evitar essa confusão, não se concede aos chamados exus pagãos a denominação de exu, classificando-os apenas como kiumbas. E reserva-se para os ditos exus batizados e coroados a denominação de exu.
Os exus mais evoluídos são chamados de Exus coroados e, acima desse nível, os Exus Barás. Dentre esses, podem ser citados o Exu Rei, Exu Marabô, Tranca Rua das Almas, Tranca Rua da Praia, Tranca Rua do Luar, Tranca Rua do Embaré, Exu Tiriri de Umbanda, Exu Tiriri Lonan, Exu Caveira, João Caveira e Tatá Caveira, Exu do Lodo, Exu das Sete Encruzilhadas, Exu Pimenta, Exu Porteira, Exu Calunga, entre outros. As Pombas Giras mais conhecidas são Maria Padilha, Maria Molambo, Pomba Gira Rainha, Rosa Caveira, Sete Saias e Pomba Gira Cigana.
A evolução é uma regra constante no Universo. A Criação Divina nunca cessa. Não ficou restrita - e nem poderia - ao Fiat Genesíaco relatado na Bíblia. A Criação ainda prossegue, juntamente com a evolução espiritual de cada um, nesse caminho que as criaturas trilham na direção de seu Criador. Por isso, os Exus também evoluem. Muitas entidades dessa linha, outrora presentes nos terreiros, hoje já não são mais encontradas ou se encontram em um processo de gradativo desaparecimento. O primeiro caso que salta aos olhos é o do Exu Seu Sete, Rei da Lira, famoso nos anos 70 do século XX por participar de programas de televisão nos quais fez quase todos os presentes entrarem em transe. Houve casos de pessoas que assistiam aos programas em suas residências e ali simplesmente incorporaram. Dizem que até dona Cyla Médice, primeira dama do Brasil, recebeu uma entidade diante do televisor e ao lado do Presidente da República. Seu Sete da Lira não tem sido visto em terreiros há pelo menos uns 40 anos. O mesmo ocorre com o Exu Aleijadinho, que há décadas não é localizado em qualquer casa de Santo. A mesma sorte seguem o Exu Toquinho, o Exu Campina e o Exu Correnteza, há muito desaparecidos dos terreiros. Tranca Rua do Omulu das Vinte e Sete Magias também é outra linhagem praticamente extinta nas casas de umbanda, assim como a do Exu das Matas.
O que pode ter ocorrido com tais entidades?
Evoluíram.
Ou os membros de suas inúmeras falanges tornaram-se Barás e não mais regressaram aos terreiros, ou reencarnaram para acertar eventuais débitos na Terra e depois regressar à espiritualidade para prosseguir com sua evolução, sob a forma de Exu ou de outra entidade..
Assim deve caminhar a vida, inclusive a dos Exus...

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