domingo, 2 de dezembro de 2018

O ESPELHO DE OXUM



Conta à lenda que, em um tempo imemorial, o rei Xangô, orixá escolhido por Oxalá para governar a terra e os outros deuses, tinha diversas esposas. As duas mais importantes eram Yansã, a Senhora das Tempestades, e Oxum, cujo domínio se estendia pelos rios, lagos e cachoeiras.Certo dia, enciumada da preferência de Xangô pela sua adversária; Yansã decidiu vingar-se de Oxum e, em um raio intempestivo de cólera, investiu contra a mãe das águas doces, quando esta se banhava nua às margens de um grande lago, tendo apenas um espelho entre as mãos. Devido ao fato de não ser uma guerreira, mas uma mulher dócil e vaidosa, afeita apenas aos expedientes da Sedução e da Dissimulação para se defender; Oxum viu-se completamente indefesa frente à ira arrebatadora da Rainha dos Raios. Oxum, então, rezou a Oxalá e, em um instante mágico, percebeu que o Sol brilhava forte nas costas de sua agressora. Rapidamente, ela utilizou seu espelho para refletir os raios solares de forma a cegar Yansã. Ao saber da vitória de Oxum, o rei Xangô reafirmou sua preferência pela Senhora das Águas, que além de mais bela e delicada, provou ser também mais poderosa que a Senhora das Tempestades.

Um Objeto Singular

    O espelho aparece em inúmeros mitos e ‘reflete’ um sentido claramente universal porque tem um valor cognitivo e epistemológico. Ele é um símbolo da consciência. Consciência entendida não apenas como ‘auto-imagem social ou profissional’, mas, sobretudo como identidade psíquica profunda, a verdadeira face sob as máscara do ego, a centelha luminosa, o reflexo interior do Fiat Lux. Platão e Plotino o comparavam à alma, metáfora que em seguida foi adotada por Santo Atanásio e Gregório Niseno. Mas é com São Paulo que o Espelho se torna um valioso símbolo de transformação, um duplo instrumento para o conhecimento antropomórfico de Deus e para o conhecimento cosmológico do Homem.

"E nós todos que, com a face descoberta, refletimos como em um espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente, pela ação do Senhor, que é o Espírito. (...) Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido.” 
     
 Mas se o Espelho é símbolo do auto-conhecimento místico, da imagem e semelhança onde o Homem e Deus se refletem, ele também aparece constantemente como metáfora da ilusão narcísica, como confidente da beleza egóica, como um reflexo invertido da realidade. O símbolo da verdade é, ao mesmo tempo, signo da falsidade e da ilusão. E certamente foi este caráter paradoxal e contraditório que criou ‘O fascínio dos Espelhos’.

     Das inúmeras narrativas onde este fascínio se manifesta escolhemos o mito nagô do Espelho de Oxum, originariamente recolhida por Pierre Verger na África, pois ele apresenta vários elementos simbólicos importantes para caracterizar ofuncionamento arquetípico dos mitos que constituem o dispositivo especular e sua estratégia epistemológica. Antes, porém, de analisar os diversos aspectos simbólicos desta lenda mítica, vamos estudar como o tema do espelho se manifesta em outras narrativas de diferentes culturas, procurando identificar suas relações com um arquétipo único, que possa esclarecer o papel universal que o Espelho desempenha na lenda nagô.

    Pelo fato de não emanarem luz própria, mas de refleti-la, os espelhos foram associados à Lua durante toda Antiguidade. Desta associação chave, sobrepuseram-se as que relacionam o Espelho ao feminino e à sua beleza. O simbolismo lunar do Espelho, no entanto, não se limita às mulheres e aos poetas que lhes cantam a beleza, mas encontra lugar também entre os feiticeiros e mágicos, que utilizavam as superfícies espelhadas para entrar em transe, como é o caso dos xamãs siberianos.

    Possivelmente, a tradição de utilização mágica do espelho tenha tido sua origem no fato de ele ter sido usado na astronomia/astrologia  para determinar o movimento das estrelas no céu. Não é sem motivo que o verbo especular, operação mental, procede do latim especulum, que originariamente significava observar o céu, admirar e estudar suas constelações.  Como os estudiosos da ciência dos astros desta época, invariavelmente, eram também magos, os espelhos foram, gradativamente, interiorizados. ”De modo que” - comenta o cabalista Mario Satz - “o espelho não somente está fora de nós, como um artifício metálico, disco polido entrevisto no toucador ou no harém, mas se encontra também entre os hemisférios cerebrais, que invertem o contemplado transladando o esquerdo ao direito e vice-versa.” É curioso observar que este duplo processo de representação da realidade através de espelhos se desenvolveu paralelamente em diversas culturas antigas - na China, na Índia, no Oriente Médio e no Mediterrâneo -  gerando diferentes mitologias astrológicas, mas uma única concepção universal de representação.

    A contemplação deste ‘espelho interior’ é particularmente rica entre os místicos sufis, que o entendem em um sentido semelhante ao de São Paulo, como a imagem de Deus e do Homem. “Deus é, pois” - escreveu Ibn Árabi de Múrcia - “o espelho no qual tu mesmo te vês; do mesmo modo que tú és seu espelho em que Ele contempla seus nomes”. Outro místico sufi, Shabistari, é ainda mais específico em seu Jardim do Mistério

O não-ser é um espelho, o mundo uma imagem, o homem é o olho dessa imagem, e Ele a luz do olho. Quem alguma vez viu o olho através do qual todas as coisas são vistas? O mundo se tornou homem, e o homem, mundo; não há explicação mais clara que essa. Quando olhas atentamente no coração da matéria, Ele é ao mesmo tempo a visão, o olho, a coisa olhada. A Santa Tradição nos legou isto, e sem olho nem ouvido o demonstrou”. 
   
 Também o Zohar, recomenda que, para que o homem possa conhecer a Glória, utilize-se de um espelho, observando-a indiretamente para não ser cego por sua luminosidade resplandecente. Ou seja, o tema do Espelho é uma unanimidade entre os místicos, sejam  judeus, cristãos ou mulçumanos. Este curioso consenso talvez explique a crença, também universal, de que quebrar um espelho acarreta em um longo período de azar ou má-sorte. Também a crença de que as ‘criaturas sem alma sob a forma humana’, como os vampiros e os zumbis, não têm suas imagens refletidas no Espelho; deve ter sua origem na associação universal dos espelhos à imagem holográfica de Deus no Homem, feita em diversas épocas por diferentes religiões.

    Adiante, quando analisarmos a lenda de Oxum, veremos como, devido a sua associação universal com a Lua, o Espelho guarda uma relação direta com o simbolismo aquático, mas dele se diferencia por refletir a luz do fogo elementar. Agora, o importante é que se entenda que quando se fala do simbolismo do Espelho não se trata apenas da mitológica ilusão de Narciso ou ainda da fútil vaidade feminina, mas também da contemplação mística à luz de um limbo transcendente.

    Mas se o Espelho serve para que as donzelas e cortesãs reforcem seus egos e para que os sábios místicos se desvencilhem dos seus, ele também é uma poderosa arma de guerra, utilizada para atear fogo gerar à distância através de raios luminosos, como no célebre episódio atribuído a Arquimedes de Siracusa, que com um gigantesco espelho catóptrico incendiava os navios que tentavam invadir a antiga ilha da Sicília.

    De todas as lendas envolvendo espelhos como arma a mais conhecida é, sem sombra de dúvida, a luta de Kadmo contra a Medusa, narrada por Platão no Timeu . Nesta narrativa, o herói vence a terrível górgona, cuja o olhar tem o poder de transformar seus oponentes em pedra, com a ajuda de um espelho preso ao seu escudo. Kadmo fez com que a Medusa visualizasse sua própria imagem refletida no espelho e tivesse o mesmo destino de suas vítimas, petrificando-se para sempre. Ou seja, o espelho é uma arma capaz de fazer com que o outro se reconheça, com que o adversário tome consciência de si e de suas projeções. O mal reconhecendo a si mesmo como tal, perde toda a sua eficácia e sucumbe a sua própria consciência.

    Talvez por isso, em seu livro De Natura Deorum, Cícero lembra que o Espelho é uma invenção de Esculápio, o deus da medicina; e os antigos sacerdotes nahuas do México costumavam levar um espelho pendurado no peito para que os “demais (homens) descobrissem seu verdadeiro rosto e ser corrigissem”. Pena que este expediente simbólico não tenha funcionado com os conquistadores espanhóis. Estes, aliás, realizaram boa parte da conquista das Américas a custa da sedução de miçangas e dos espelhos, presenteando-os aos indígenas, para que enquanto eles se distraíssem com seus reflexos, não percebessem o que se tramava às suas costas. Caberia ainda lembrar que a sobreposição de temas aparentemente contrários fez do Símbolo do Espelho uma metáfora do paradigma epistemológico pré-científico e, posteriormente, devido a sua reflexibilidade passiva frente ao pensamento consciente, o Espelho passou a ser comparado com o próprio inconsciente - como detalhamos a seguir sobre as relações do dispositivo especular com as ciências humanas.


A Porta do Inconsciente.

    ‘Espelho, espelho meu, existe algum intelectual mais sabido do que eu?’ Num primeiro nível, a reflexão sobre o espelho sempre será um questionamento do ego sobre si mesmo. Mas o espelho nunca responde, ou melhor, nunca discorda, ao contrário, seu silêncio eternamente cúmplice se faz íntimo das mais desmesuradas comparações.

    Entretanto, é este primeiro momento de reflexão, embora sempre reafirme a identidade, que revela a objetividade do subjetivo, pois permite que o observador se observe, imaginando como será visto pelos outros. E desta reflexão primeira da consciênca é que (re)surgem as grandes idéias e os grandes empreendimentos. “Realidade ou alucinação, os mundos ordenados com estes instrumentos de precisão revelam a reversibilidade de todas as coisas: a certeza do aparente, a incerteza do existente.” Aqui o Espelho é comparada a um grande lago de águas límpidas e cristalinas, como um campo projetivo da experiência humana, onde o homem pensa e repensa sua identidade.

    Rompendo com esta primeira perspectiva estética, o tema de entrar através do Espelho em um mundo imaginário, presente, por exemplo, em Alice de Lewis Carroll, tornou-se lugar comum na atualidade, principalmente em Vídeo-Clips de bandas de rock e filmes de ficção cientifíca. Interessante é observar que este ‘mergulho no inconsciente’ sempre parece demarcar os limites a realidade virtual e a vida cotidiana, para a qual o protagonista sempre volta ao final da narrativa. É uma fuga do ego para fantasia e seu invariável retorno. Em muitos casos, o tema do espelho se confunde com o símbolo do Sósia, do Outro, do Duplo. (8)


É como se contemplar no espelho:
A forma e o reflexo se observam.
Tu não és o reflexo,
Mas, o reflexo és tú.
      
O reflexo, no entanto, não é apenas uma sombra: em algumas narrativas, o duplo se rebela contra sua matriz; em outras, o Sósia se liberta de uma dimensão paralela existente através do Espelho. Em todas podemos observar a idéia de porta dimensional e em boa parte a idéia da imagem refletida, do duplo como um veículo do Eu para viagens imaginárias, um ‘corpo astral ou sonhador’. Mesmo nas estórias onde o Sósia se rebela contra o protagonista e adquire vontade própria, existe esta relação, pois o Outro se revolta contra sua função original que é a de representar a forma no mundo dos reflexos, de duplicar o ego em uma imagem que possibilita o autoconhecimento. Porém, os espelhos guardam ainda um sentido mais profundo.

    Entre os tibetanos, a Sabedoria do Grande Espelho ensina o segredo supremo: que o mundo das formas que ali se reflete não é mais que um aspecto do sunyata, da vacuidade. Patanjali (9) chamou esse conhecimento de ‘fluxo imóvel’ e não são raros relatos semelhantes dos místicos de diferentes tradições. Para eles, o Espelho é símbolo da transcendência temporal, da a-historicidade, da superação da continuidade da percepção sensorial pelos lampejos da eternidade.

    Poderíamos, então, concluir que os mitos do Espelho simbolizam a própria representação, não se constituindo ou representando um único arquétipo, mas a própria noção de ‘inconsciente coletivo’ ou de unidade fundamental da experiência simbólica. Representando a própria representação, os espelhos são símbolos da realidade simbólica, são, assim, imagem paradigmática ou um dispositivo complexo, cuja a ambivalência expressa sempre um paradoxo: verdade absoluta e ilusão passageira, beleza superficial e profunda sabedoria, arma e remédio, alienação social e reintegração psíquica, etc.

    Mas se vemos no Espelho este emblema de alma coletiva, ou pelo menos, se encontramos nele um símbolo da cultura ou a metáfora mais abstrata e paradigmática da linguagem, podemos comparar seus reflexos sintagmáticos aos arquétipos, pois enquanto o dispositivo especular enfatiza a diferença, seus espectros sempre reafirmam a identidade simbólica. Em si, os reflexos nunca são ambivalentes, eles são apenas imagens duplicadas. Já o Espelho não é uma simples estrutura duplicadora porque contextualiza e até transforma a realidade, uma vez que remete o observador a uma contemplação do conjunto da representação.

    Enquanto os reflexos nos encantam e nos enganam como identidades arquetípicas, o Espelho representa a consciência de que essas identidades são passageiras e parciais. O Espelho é um convite à eternidade, como, aliás, sugerem as muitas lendas que o associam à longitividade e à manutenção da beleza por meios sobrenaturais, das quais O Retrato de Dorian Gray  é certamente a mais conhecida.

    Muito ainda poderia ser dito sobre os espelhos e sua vastíssima simbologia, porém já reunimos os elementos necessários a análise da lenda nagô a que nos propomos inicialmente. Voltemos agora, portanto, ao mito do Espelho de Oxum.


No Universo dos deuses nagôs

    A narrativa começa dizendo que Oxalá, ‘em um tempo imemoriável’, delegara o governo da terra e dos deuses a Xangô, se comportando como um ‘deus oticius’ ou uraniano, que cria o mundo e o entrega à administração de um de seus filhos, deuses menores. Por uma feliz coincidência, este conceito de ‘Deus-pai’ existente ‘para além dos céus’ foi estabelecido por Mircea Eliade justamente estudando a cultura Iorubá, onde Olorum se retira entregando todo poder a Obatalá.

    O início da narrativa expressa, portanto, um duplicação do mito cosmológico. Trata-se de um ‘tempo imemorial’, mas não de um tempo ‘primordial’. Poderiamos, fazendo uma analogia grosseira entre as mitologias grega e nagô, dizer que se Olorum corresponde a Urano, Obatalá/Oxalá, apesar de seu papel eminentemente solar na lenda analisada, seria a versão africana de Cronos/Saturno, e ainda que Xangô, terceira geração divina a ocupar o poder, corresponderia a Zeus/Júpiter.

    Aliás, como já falamos de passagem, não são poucos e pequenos os elementos simbólicos comuns entre Xangô e o rei dos deuses gregos e romanos, pois ambos têm machados sagrados, lançam raios do alto de suas montanhas, representam o arquétipo da Justiça e, sobretudo, têm múltiplas relações amorosas hierogâmicas com diversas deusas que representam diferentes aspectos da Natureza, sempre feminina.

    Em nossa estória, temos uma luta, não entre duas mulheres, mas entre dois destes aspectos femininos da natureza: Yansã, Rainha dos Raios, dos Ventos e das Tempestades, senhora dos eguns e do mundo dos mortos; e Oxum, Mãe das Águas Doces e senhora do jogo de adivinhação do Ifá. Oxum também é uma deusa do amor e da beleza, uma ‘Afrodite nagô’.

     Os temperamentos das deusas são bastante opostos. Oxum exemplifica a mulher aparentemente submissa e dócil, mas, na verdade, sedutora e dissimulada. Yansã, ao contrário, encarna o ideal de uma mulher independente e sincera, mas de gênio irascível. É também a orixá feminina que tem mais relacionamentos amorosos com outros deuses, característica que, no entanto, não a fez menos ciumenta e possessiva. A Senhora das Águas nada podia contra a força dos ventos. Oxum não poderia se valer de suas armas habituais, a sedução e a mentira, mas para  invocar o poder solar de Oxalá (o self), ela teve que  transcender sua condição narcista e reflexiva. A superação desta vaidade inicial do espelho é que permite a Oxum usá-lo como uma arma real e não como um ‘instrumento psicanalítico’ feito o herói Kadmo diante da medusa. E este é um ponto chave desta lenda: apenas com a ajuda do elemento Fogo, a Mãe das Águas se torna também a Senhora do Espelho e vence Yansã. E assim conquista definitivamente a preferência de Xangô.

    Pode-se também pensar o embate das duas deusas como uma luta entre um feminista militante contra uma dondoca. Mas essa forma de pôr as coisas não nos ajudará a entender o desfecho da lenda senão como uma advertência moralista de que o comportamento feminino mais adequado seja o da submissão dissimulada e não o da liberdade, autonomia e igualdade frente ao masculino. Entretanto, esta leitura é equivocada.

    A mitologia nagô é amoral e não está preocupada em ditar modelos morais de comportamento. Na verdade, a vitória de Oxum tem dois significados para os Iorubás: representa, primeiro, do ponto de vista da agricultura, a preferência pelas chuvas moderadas atribuídas a Oxum como Orixá da Fertilidade do que pelas tempestades simbolizadas pelo casamento de Xangô com Yansã. E, no plano religioso, a vitória de Oxum representa a superioridade da atividade divinatória simbolizada pelo espelho (inconsciente coletivo) sobre a necromancia e o culto aos antepassados, representado pelo aspecto ctônico e intempestivo da Rainha dos Raios.

    Mas esta tendência ocidental em ver uma espécie de ‘Eva’ em Oxum e uma ‘Lilith’ em Yansã tem uma razão de ser. Deixemos por hora esta questão e voltemos mais um vez ao tema do espelho, procurando agora observar como a lenda de Oxum é decisiva para sua compreensão.


A Caverna de Platão

    De todas alegorias ou metáforas envolvendo o tema do espelho, a de maior significação epistemológica certamente é a da imagem paradigmática da Caverna descrita por Platão (11):

Acorrentados de costas para a luz em um cárcere subterrâneo, os prisioneiros só podem ver, dos homens, animais e figuras que passam pelo exterior, as sombras projetadas no fundo da Caverna. Quando um dos prisioneiros se liberta e retorna ao mundo exterior, é cego pela luminosidade do Sol e só aos poucos consegue se adaptar à nova realidade. Percebe, então, que o mundo no qual vivia era irreal e inconsciente, feita de sombras e reflexos das coisas. Porém, o prisioneiro correria sério risco de vida se, retornando ao interior da caverna, procurasse revelar aos seus antigos companheiros a irrealidade do mundo em que se encontram. Provavelmente, eles o matariam.
    
Nesta imagem genial, Platão não apenas resumiu sua concepção sobre a realidade e a linguagem, mas também nos trasmitiu sua experiência pessoal, mais precisamente, sua explicação filosófica para o trágico destino de seu mestre, Sócrates, forçado a beber veneno pelas autoridades atenienses em virtude de sua defesa intransigente de uma visão mais objetiva da realidade. E não foi o único. Giordano Bruno geralmente costuma encabeçar a longa lista dos mártires da ciência e do pensamento objetivo vitimados pela ignorância dos homens escravizados pelas representações subjetivas da realidade.

    Entretanto, o desenvolvimento do pensamento científico não foi, como nos faz pensar o senso-comum, um gradual acumular de informações, mas, ao contrário, uma série de reviravoltas metodológicas, com sucessivas trocas de modelo. O próprio conceito de paradigma - ‘conjunto de estruturas cognitivas e epistemológicas’ - surgiu de uma longa discussão metodológica em torno das revoluções científicas (12).

    Hoje, no entanto, vivemos um momento em que a racionalidade científica e sua visão objetiva do universo destroçaram a maioria das ilusões ideológicas das representações subjetivas. Poderíamos dizer, utilizando a imagem de Platão, que todos os homens se libertaram da caverna e do seu espelho, e que agora desprezam as imagens fantasmagóricas a que estavam acostumados no cativeiro. Neste novo contexto, as sombras tornaram-se símbolos do inconsciente - a que os ‘homens racionais’ negam, mas que voltam em seus sonhos e nas reflexões involuntárias de sua imaginação. Movidos pelo auto-conhecimento, os homens que atualmente decidem ‘voltar à caverna e ao seu velho espelho’  são considerados loucos ou excêntricos.  Não se trata mais de conhecer a objetividade, mas de observar o desenvolvimento da consciência inter-subjetiva, de entender sua linguagem.

    Assim, por exemplo, no paradigma científico da astronomia, sabemos que a Terra gira em torno do Sol; no entanto, continuamos dependendo simbolicamente do paradigma subjetivo da astrologia, que como uma linguagem do inconsciente, condiciona atitudes e comportamentos. Aliás, ao contrário do que pensam os historiadores da ciência, o sistema geocêntrico não significa que Ptolomeu acreditasse que o Sol girasse em torno da Terra, mas sim que ele colocava a questão da representação objetiva do universo em um segundo plano diante da idéia de decifração do destino através da observação especular das estrelas.

    A tarefa metodológica que nos é contemporânea é estabelecer um terceiro paradigma de representação que concilie a objetividade científica com a função simbólica da linguagem desenvolvida pelo hemisfério esquerdo do celebro, que integre nosso conhecimento astronômico em uma nova simbologia astrológica, que relacione o espelho no fundo da caverna ao sol e ao mundo exterior.

    Os ocultistas modernos estudiosos da Cabala hebraica (13) têm uma curiosa teoria a respeito de Deus, do Homem e da Mulher. Para eles, o fato do Homem ser a imagem e semelhança de Deus implica em que ambos jamais possam se ver frente a frente. Mas a mulher, devido ao fato de ter seu sistema neurológico invertido em relação ao masculino destro, pode ver Deus face a face. De acordo com este preceito, os homens nos rituais de magia e cerimônias religiosas deveriam se manter sempre de costas para o altar e de frente para participantes femininas - o que de fato acontece em diversas religiões.

    Nesta proposição, enquanto o Homem é a imagem e semelhança de Deus, a Mulher é seu inverso simétrico, seu espelho. Assim, o Homem só pode ver a Deus através da mulher e Deus necessita dela para dar luz ao seu filho. Esta posição de ‘reflexo primordial’, de mediação entre o Criador e a criatura também tem um caráter universal entre as diversas deusas que representam a grande mãe cósmica. Assim, se ‘o universo é um sonho de Brahma’, se ‘o mundo foi criado para que Deus se reflita nele e conheça a Si próprio’, este espelho, segundo momento cosmogômico de muitas mitologias é sempre um elemento ‘feminino’.

    Neste sentido geral e estritamente simbólico é que podemos associar Oxum à Eva e ao arquétipo feminino genuíno, enquanto Yansã, de costas para o sol, corresponderia ao arquétipo do feminino masculinizado. O significado central da narrativa está no fato de Oxum, devido à situação de perigo iminente, transcender a sua condição de mulher-objeto e se associar ao Sol, de abandonar o uso reflexivo tradicional de seu espelho e utilizá-lo de uma forma tecnológica, racional, solar; como uma arma laser.  A lenda, desta maneira, representa a união cognitiva entre os hemisférios celebrais e a integração epistemológica dos paradigmas.

    No Espelho, encontramos a interseção de duas formas de viver e de pensar o tempo: o transcorrer gradativo dos acontecimentos registrados pela memória e o eterno presente do mundo virtualizado das idéias. Ou, como dizia Santo Agostinho, “a memória das coisas dos homens e a memória das coisas de Deus”.

ESPELHO OBJETO
ESPELHO SÍMBOLO
Tempo Linear e contínuo
Tempo Circular e simultâneo
Passado + presente = História
Presente + futuro = Virtual
Signo = consciência social (Durkheim) + inconsciente individual (Freud)
Símbolo = inconsciente coletivo (Jung) + consciência individual (Hegel)
     
Chegamos ao final. Resta apenas a lembrança àqueles que não se reconheceram neste texto, que por mais que procurem um outro duplo com o qual se identifiquem, sempre encontrarão o sentimento de incompletude tão próprios dos espelhos e da instantaneidade dos seus múltiplos reflexos - dada à vastidão e à complexidade deste tema permanente. Ou eterno?










quinta-feira, 27 de setembro de 2018

CONHECENDO OS ERÊS E IBEJI (GÊMEOS), ESPÍRITOS DE CRIANÇAS NA UMBANDA!


Conhecendo as Crianças, Erês.


São a alegria que contagia a Umbanda. Descem nos terreiros simbolizando a pureza, a inocência e a singeleza. Seus trabalhos se resumem em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, mexericos, mas nunca para o mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza. São espíritos que já estiveram encarnados na terra e que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade (terrena), por isso trazem características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e doces.

Assim como todos os servidores dos Orixás, elas também tem funções bem específicas, e a principal delas é a de mensageiro dos Orixás, sendo extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-velhos. É uma falange de espíritos que assumem em forma e modos, a mentalidade infantil. Como no plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada. É a única linha em que a comida de santo (Amalás), leva tempero especial (açúcar). É conhecido nos terreiros de Nação e Candomblé, como (ÊRES ou IBEJI). Na representação nos pontos riscados, Ibeji é livre para utilizar o que melhor lhe aprouver. A linha de Ibeji é tão independente quanto à linha de Exu. Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil.

No Candomblé, o Erê, tem uma função muito importante. Como o Orixá não fala, é ele quem vem para dar os recados do pai. É normalmente muito irrequieto, barulhento, às vezes brigão, não gosta de tomar banho, e nas festas se não for contido pode literalmente botar fogo no oceano. Ainda no Candomblé, o Erê tem muitas outras funções, o Yaô, virado no Erê, pode fazer tudo o que o Orixá não pode, até mesmo as funções fisiológicas do médium, ele pode fazer. O Erê muitas vezes em casos de necessidade extrema ou perigo para o médium, pode manifestar-se e trazê-lo para a roça, pegando até mesmo uma condução se for o caso.

Na Umbanda mais uma vez, vemos a diferença entre as entidades/divindades. A Criança na Umbanda é apenas uma manifestação de um espírito cujo desencarne normalmente se deu em idades infanto-juvenis. São tão barulhentos como os Erês, embora alguns são bem mais tranquilos e comportados. No Candomblé, os Erês, tem normalmente nomes ligados ao dono da coroa do médium. Para os filhos de Obaluaiê, Pipocão, Formigão, para os de Oxossi, Pingo Verde, Folinha Verde, para os de Oxum, Rosinha, para os de Yemanjá, Conchinha Dourada e por ai vai. As Crianças da Umbanda tem os nomes relacionados normalmente a nomes comums, normalmente brasileiros. Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc…

As crianças de Umbanda comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas, os Erês do Candomblé além desses, comem frangos e outras comidas ritualisticas como o Caruru, etc… Isso não quer dizer que uma Criança de Umbanda não poderá comer Caruru, por exemplo.

Com Criança tudo pode acontecer. Quando incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras (arte) como qualquer criança. É necessária muita concentração do médium (consciente), para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na mensagem a ser transmitida. Os “meninos” são em sua maioria mais bagunceiros, enquanto que as “meninas” são mais quietas e calminhas. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc… Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência. Os pedidos feitos a uma criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Entretanto a cobrança que elas fazem dos presentes prometidos também é. Nunca prometa um presente a uma criança e não o dê assim que seu pedido for atendido, pois a “brincadeira” (cobrança) que ela fará para lhe lembrar do prometido pode não ser tão “engraçada” assim.

Poucos são aqueles que dão importância devida às giras das vibrações infantis. A exteriorização da mediunidade é apresentada nesta gira sempre em atitudes infantis. O fato, entretanto, é que uma gira de criança não deve ser interpretada como uma diversão, embora normalmente seja realizada em dias festivos, e às vezes não conseguimos conter os risos diante das palavras e atitudes que as crianças tomam. Mesmo com tantas diferenças é possível notar-se a maior características de todos, que é mesmo a atitude infantil, o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas, como os quais fazem as festas nos terreiros, com as crianças comuns que lá vão a busca de tais brinquedos e guloseimas nos dias apropriados. A festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os  uma curiosidade: 

Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe. Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões. Preferem as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles. Muitas entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito amigas e têm mais poder do que imaginamos. Mas como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos. 
terreiros do pais.


MAGIA DA CRIANÇA


O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são… todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez. A Falange das Crianças é uma das poucas falanges que consegue dominar a magia. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê é assim. Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô. Os erês são, via de regra, responsáveis pela limpeza espiritual do terreiro.


ONDE MORAM AS CRIANÇAS

A respeito das crianças desencarnadas, passamos a adaptar um interessante texto de Leadbeater, do seu livro “O que há além da Morte”. “A vida das crianças no mundo espiritual é de extrema felicidade. O espírito que se desprende de seu corpo físico com apenas alguns meses de idade, não se acostumou a esse e aos demais veículos inferiores, e assim a curta existência que tenha nos mundos astral e mental lhe será praticamente inconsciente. Mas o menino que tenha tido alguns anos de existência, quando já é capaz de gozos e prazeres inocentes, encontrará plenamente nos planos espirituais as coisas que deseje.

A população infantil do mundo espiritual é vasta e feliz, a ponto de nenhum de seus membros sentir o tempo passar. As almas bondosas que amaram seus filhos continuam a amá-los ali, embora as crianças já não tenham corpo físico, e acompanham-nas em seus brinquedos ou em adverti-las a evitar aproximarem-se de quadros pouco agradáveis do mundo astral.” “Quando nossos corpos físicos adormecem, acordamos no mundo das crianças e com elas falamos como antigamente, de modo que a única diferença real é que nossa noite se tornou dia para elas, quando nos encontram e falam, ao passo que nosso dia lhes parece uma noite durante a qual estamos temporariamente separados delas, tal qual os amigos se separam quando se recolhem à noite para os seus dormitórios.

Assim, as crianças jamais acham falta do seu pai ou mãe, de seus amigos ou animais de estimação, que durante o sono estão sempre em sua companhia como antes, e mesmo estão em relações mais íntimas e atraentes, por descobrirem muito mais da natureza de todos eles e os conhecerem melhor que antes. E podemos estar certos de que durante o dia elas estão cheias de companheiros novos de divertimento e de amigos adultos que velam socialmente por elas e suas necessidades, tomando-as intensamente felizes.” Assim é a vida espiritual das crianças que desencarnaram e aguardam, sempre felizes, acompanhadas e protegidas, uma nova encarnação. É claro que essas crianças, existindo dessa maneira, sentem-se profundamente entristecidas e constrangidas ao depararem-se com seus pais, amigos e parentes lamentando suas mortes físicas com gritos de desespero e manifestações de pesar ruidosas que a nada conduzem. O conhecimento da vida espiritual nos mostra que devemos nos controlar e nos apresentar sempre tranquilos e seguros às crianças que amamos e que deixaram a vida física. Isso certamente as fará mais felizes e despreocupadas. 


Ibeji

Ìbejì é o Òrìsà dos gêmeos. Da-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra ao Òrìsà.

Conta uma lenda que os Ibejis são filhos paridos por Iansã e jogados nas águas. Osun os abraçou e os criou como se fosse seus filhos.

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África Equatorial. A espécie em questão é o colobus polykomos, ou “colobo real”, que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.

Ao contrário dos Erês, entidades infantis ligadas a todos os orixás e seres humanos, são divindades infantis, orixás-crianças. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas…

São divindades gêmeas infantis, é um orixá duplo e tem seu próprio culto, obrigações e iniciação dentro do ritual.

Divide-se em masculino e feminino, (gêmeos). No Oyó cultua-se como Erês ligado a qualidades de xangô e Oxum. Popularmente conhecido como xangô e Oxum de ibeji.

Lendas

dois pequenos príncipes…
Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximo a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. 

Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão.

Sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.


filhos de Iansã e Xangô…
Iansã e Xangô tiveram dois filhos gêmeos. Só que, quando eles ainda eram pequenos, houve uma epidemia que matou muitas crianças do povo, e um dos gêmeos morreu.

Os pais ficaram desesperados e Iansã, como é amiga dos Eguns, resolveu pedir sua ajuda. Esculpiu um boneco de madeira igual ao filho que havia morrido, vestiu-o e enfeitou-o como se fosse para uma festa e colocou-o no lugar de honra da casa.

Todos os dias ela colocava uma oferenda aos pés da imagem e conversava com ela como se fosse seu filho vivo. Comovidos com seu amor pela criança, os Orixás fizeram a estátua viver e Iansã voltou a ter seus dois filhos.







segunda-feira, 24 de setembro de 2018

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE ORIXÁS


Carma sexual, missão e destino das filhas dos Orixás

Assim como duas pessoas do mesmo signo têm características diferentes, pessoas que são filhas do mesmo orixá também não são iguais. No entanto, tem sim características distintas predominantes em cada filho de orixá. Por exemplo, filhos de Ogum, sempre terão uma inclinação a combatividade, a dominar, ao impulso, a coragem pra tomar iniciativa e também uma natureza bem guerreira. Como também, filhos de Oxóssi, serão mais fechados, mais retraídos, prudentes, persistentes, resistentes e aparentarão muita calma. Como também os filhos de Omulú, que serão sempre sérios, com tendência a ter uma personalidade ranzinza ou ser visto assim pelas pessoas. Ao tempo em que os filhos de Oxumaré, serão transformadores, magnéticos, charmosos e inclinados a magia, como também ao sexo.


arquétipo dos filhos de Oxum, por exemplo, é o de pessoas risonhas, comunicativas, elegantes (mas que devem cuidar-se, pois tem tendências a engordar. Segundo a tradição do Candomblé essas pessoas gostam de fartura, de joias, perfumes importados, e tudo que for de do bom e do melhor. São ainda, galanteadores, e conquistadores incorrigíveis, até os 30 anos, ou até encontrarem a sua alma gêmea, aquela que já estava marcada no livro do destino, que no culto ao orixá é o Sagrado Ifá. Também, são amantes do luxo, do sexo quando bem praticado e com maior dose de suavidade do que os filhos de Iansã, mas, ainda assim, uma alta libido. Podemos ver entre essas, novinhas, que logo na puberdade tiram os homens do sério, já nascem com o poder de provocar, nascendo os seios precocemente, logo com curvas sinuosas e com peitinhos ficando fartos. Assim, 3 em cada 4 novinha filha de Oxum, acaba perdendo a virgindade precocemente, com alto índice de gravidez na adolescência, tanto pelos hormônios, levá-las a querer experimentar cedo sua sexualidade, quanto pelo fato de tamanha beleza provocar os homens num nível elevado de tesão. E amém, há um índice alto entre as filhas de Oxum, que são estupradas ainda novinha ou acabam sendo vítima de outros abusos, mesmo que sem penetração, como por exemplo, podem ser induzidas a masturbar um adulto, fazer sexo oral ou mesmo outro tipos de carícias. As que escapam disso e se tornam lindas mulheres intocadas e que não caem no abuso da sexualidade precocemente, serão as que darão muito certo na vida, rumo a riqueza, fama e sucesso no amor. Não que as que forem abusadas não consigam dar a volta por cima, mas, é que as que conseguem passar ilesas pelo ciclo entre Lua e Vênus, ou entre Iemanjá e sua Oxum pessoal, é porque tem um carma mais leve, uma missão mais bem orientada e é uma pessoa mais resistente as tentações externas e dos próprios instintos.

Ainda são românticos, essas lindas filhas de Oxum e quando o amor for em dose maior, será bem trabalhado. Difícil é achar um filho de Oxum feio, parece que a deusa tem preferência por pessoas bonitas (quando não são fisicamente bonitos, mantêm a elegância impecável, trazendo sempre no olhar uma pitada de mistério e muito charme). Mesmo em idades avançada eles continuam mostrando traços de beleza do passado. A faixa etária pode estar avançada, mas eles continuam joviais, alegres e amantes do luxo e do dengo. Os filhos de Oxum costumam sair-se muito bem nas artes, na vida pública, na administração de empresas, na publicidade e principalmente no jornalismo, pois sempre querem saber o que está ocorrendo por trás dos bastidores. Quando conseguem lidar com doença, sangue, poderão dar-se bem na área medica (mas é muito raro encontrar um filho de Oxum nesta área. Por preferirem trabalhos mais relacionados com a vida, não gostam de aproximar-se dos assuntos relacionados com a morte). Na vida religiosa tornam-se ótimos sacerdotes, mas completamente diferente dos filhos de Iemanjá e Oxalá, pois tendem a ser exigentes ao extremo. Na roda de adeptos do Candomblé é muito fácil saber quem é filho da deusa faceira.

E quando encontramos um filho de Oxum, considerado "feito" esteticamente ou sem o menor charme e elegância? Bem, isso é mais comum do que os caros leitores imaginam! Mesmo sendo comum, encontrar milhares de pessoas que se dizem filhos de Oxum sem realmente ser, só porque é moda, tudo que é pai de santo dizer que uma linda mulher é filha de Oxum, na verdade, há sim, filhos de Oxum sem brilho e sem beleza. Tudo envolve o cruzamento da ancestralidade com o carma e com seu destino. Também depende da conjectura de seus odús, signos e coroa ancestral e astrológica.  Ou seja, um filho de Oxum com Oxalá, terá uma característica bem doce, artística, magnética, calma, educada, refinada e voltada a ter sucesso social. Especialmente se seu Orí trouxer um Orixá de Cabeça carismático, como por exemplo, Oxumaré ou Oxóssi, por exemplo! Já um filho de Oxum com Omulú, terá uma beleza mais rústica, será menos sensível, menos habilidoso no trato social e terá mais trabalho para se dedicar a arte. Tudo dependerá de configurações e códigos. Os pilares básicos que formam Caráter, Personalidade e Temperamento, são revelados por Pai e Mãe de Cabeça, assimilados pelo Orixá de Cabeça e repassado ao mundo, pelo Orixá de Frente. Há também que se avaliar, a quantidade de elementos no horóscopo de uma pessoa. Uma  pessoa por exemplo, que tenha muita água em sua coroa ancestral, será uma pessoa muito sensível, que se apaixona fácil, que sente muito ciúme e insegurança, ao tempo que uma pessoa com muito ar e pouca água, pode ser muito intelectual e com dificuldade pra se apaixonar.

No entanto assim como na Astrologia as características mudam de filhos pra filhos, ou seja, assim como o Ascendente e a posição dos planetas com seus aspectos mudam as características dos nativos, o Odú de cada pessoa conforme o entrecruzamento de suas Linhas também mudam a característica dos filhos de orixás. E por falar em cruzamento de linhas, é de suma importância saber que linhas são amplificadas ou enfraquecidas numa relação de amor, sexo ou de amizade. Também nas relações familiares. Quando uma pessoa se casa com uma pessoa ela somará linhas e vibrações, isso dará resultados diversos. Tem gente que por exemplo, ao casar, poderá se sentir sugado, cansado, forçado, dominado e sem prazer algum. Isso, porque o parceiro tem linhas que sugam a energia dela, dominam sua coroa e produz efeitos ruins. Por isso, há tantos divórcios precoces. Podemos constatar isso, com frequência, na vida dos famosos. Eles direcionam todo seu axé para fama e dinheiro, tornando suas linhas de amor, frágeis e por isso, a maior parte dos artistas, tem tanto trabalho pra se harmonizar no amor. A menos que encontrem a pessoa ideal.

Também, quando a pessoa se casa, os anjos da guarda se somam, os orixás se somam e as coroas vibratórias ou ancestrais se unem. As alianças, muito bem inventadas ou percebidas pelos antigos, nas cerimônias, são símbolo desse poder e união - por isso as escrituras dizem do amor "um só corpo e uma só carne". Então, vemos que pessoas que se casam com a pessoa certa, prosperam, vivem feliz, tem sexo do bom e fazem uma família harmoniosa. Ao tempo em que uma pessoa que casa com uma pessoa que traz desequilíbrio, só terá momentos de depressão, ira e insatisfação.

Também temos que saber, que temos uma hierarquia regendo nossa cabeça e nossa vida. Assim, além dos orixás de cabeça, de frente e dos odús, nos temos orixás que atuam na árvore da vida pessoal de cada um de nós. Dessa forma, temos o orixá do amor, do sexo, da riqueza, da saúde ou da profissão, e assim por diante. Então, em pessoas onde o orixá do sexo é mais forte que o orixá do amor, as pessoas tentem a escolher pelos instintos, escolhendo mais pela aparência e desejo, que pelas emoções ou razões. Por isso, muitos ao escolherem uma mulher ou homem pela aparência e não pelas qualidades, pode ter sido levado a essa escolha de forma inconsciente, que quase sempre dará em problemas futuros. Mas, também acontece, que há pessoas que escolhem pelos sentimentos, por ter um orixá do amor mais forte e um orixá do sexo fraquinho. Isso também tem tendência ao erro, pois, as vezes apaixonados, escolhemos sem avaliar bem outros pré-requisitos, como por exemplo, as questões sexuais. Assim tem muitos casais que casaram apaixonados, pois fantasiavam tudo do bom e do melhor, mas, quando chegam na lua de mel, uma transa horrorosa, pode comprometer a relação pra sempre.

Então tem muitos defensores do sexo antes do casamento, alegando que é bom a pessoa se conhecer melhor antes de tomar uma decisão importante. Na lógica sim, mas, na prática nem sempre é tão simples. Ou seja, tem incontáveis casos de pessoas que viveram uma relação assim, com muito sexo, durante anos, mas, também ao casar, não dura muito e acaba indo cada um pra um lado. Tá cheio de mulheres mal amadas por exemplo, que se deixou fazer de gato e sapato, durante anos. Seu parceiro tinha sexo quando queria e como queria. Ela sempre disponível, se doava sem o menor compromisso. Achava isso moderno, sem vínculos e achava que conquistaria seu homem pra sempre. Mas, num dado momento, ele esperto, cai fora e vai procurar uma mais nova, achando que já comeu o melhor da fruta e ela fica chorando em seu canto. E olha que muitas ficam com  uma "zica" braba que dá o maior trabalho pra arranjar outra relação ou pior, outra relação que dure.

Esses efeitos negativos se dá por diversos motivos, entre eles, que numa relação aberta, onde em geral as pessoas só se encontram pra transar e passar bons momentos programados, nunca serão suficientes pra conhecer de fato, como é uma relação séria e comprometida. Outro fator, é que a maioria das pessoas ignoram o carma pessoal que trouxeram pra essa vida e enveredam por caminhos que jamais poderiam ter ido. Muitas mulheres por exemplo, que nascem com dom de magia e mediunidade, muitas vezes, tem que cuidar primeiro de sua espiritualidade, preservando sua castidade, até que os guias de luz, a liberem para o amor e sexo, como também tragam seu parceiro ideal que os ancestrais desejam pra ela. Mas, por não dominarem a libido elas acabam abrindo as pernas e perdendo a virgindade com o primeiro que lhe recite uma poesia e chame ela de gostosa! Ainda mais nos dias de hoje, onde o sexo ficou mais fácil, banalizado e por incrível que parece, criam-se movimentos, pra ridicularizar as meninas que se digam ainda virgens! Tem ainda as que até se prostituem, tanto por um fetiche, quanto pra arrancar uma grana ou se mostrar independentes, como vimos no caso da Bruna Surfistinha. Porém isso, pra quem tem mediunidade e uma missão espiritual a cumprir é uma queda gigantesca, num carma profundo. Assim, quase sempre elas vão acabar numa vida sentimental insatisfatória, cheia de vazios existenciais e muitas acabam casando-se com homens mais velhos, ciumentos e violentos. Ou ficam solitárias, vivenciando relações sem futuro ou mesmo levando uma vida vulgar.

E isso também ocorre com os homens, que muitas vezes, começam sua vida sexual fora de compasso com sua ancestralidade e carma. Tem ainda os que até transam com animais, perdem a virgindade em puteiros ou até por meio de incestos, como por exemplo, irmãs, tias, primas, madrastas ou mulheres mais velhas cheias de energias ruins. Se sua sexualidade e chacras, não forem travados pelos senhores do carma, até que não há mal maior, apenas uma perca de energias, mas, se for vedado pelos senhores do destino, esse homem será um frustrado tanto no campo dos sentimentos, como no campo da sexualidade e espiritualidade. Os filhos de Omulú por exemplo, que tenham a mediunidade bem fina, ao transar com uma prostituta e perder a virgindade com ela, poderá pegar muito da energia cármica dela, e carregar esse peso, até que um amor de verdade, quebre essa maldição.

Tem também mulheres casadas que saem traindo o marido com qualquer, bastando que lhe elogiem ou recitem uma poesia pra elas. Isso é muito ruim pra seu carma e sua saúde. Muitas, acabam desenvolvendo tumores no ovário, problemas renais ou urinários, e mesmo na vagina ou nos seios. Isso porque, as mulheres médiuns, ao transar com qualquer homem, só por tesão e ainda somando a isso, o adultério e a libertinagem da traição de consciência, acabarão sugando parte do carma negativo dos parceiros pra si, que poderão ser somatizadas em doenças. E se essas mulheres tiverem pombagiras sugadoras de energias, ao cruzar com pessoas que tenham kiumbas, Eguns ou magos negros em sua companhia, acabarão sendo afetadas profundamente em sua áurea, campo magnético, Orí e no corpo físico.

Mas, voltando nas diferenças entre filhos de orixás, queremos destacar que cada pessoa é única no mundo. Uma pessoa pode ter Oxóssi como Pai de Cabeça e também ter Iemanjá como Mãe de Cabeça, igual uma pessoa que ela conheça, mas, perceber que é completamente diferente dela. Isso, por que ela pode ter um Orixá de Cabeça diferente. Uma mulher, filha de Oxóssi com Iemanjá, que era bastante conversadeira, comunicativa, hábil na profissão e muito eficaz pra conquistar namorados, foi revelado que tinha Oxum como Orixá de Cabeça e Ibêjis de frente. Ao mesmo tempo que sua amiga, filha desses mesmos orixás (Oxóssi e Iemanjá), era mais lenta, com menos habilidade no amor e no trabalho, pois tinha como Orixá de Cabeça, Obá, com Oxalá de Frente. Por exemplo: um filho de Oxum com Ogum será muito mais voltado a usar sua beleza pra conquistar e dominar o sexo oposto do que um filho de Oxum com Obaluaê. Pois se herdam as características tanto do pai quanto da mãe. Além do mais é importante observar qual dos dois é mais forte e qual tem um domínio maior sobre a cabeça do filho.

Outra coisa importante a se observar é que os orixás assim como os planetas tem características duais ou seja, passiva e ativa, ou feminina e masculina. Assim podemos ter um Ogum feminino passivo como Ogum Yara ou masculino e ativo como Ogum Megê. E isso se dá também com as deusas. Existe também outra possibilidade de existirem as duas personificações separadas assim como encontramos em Exu e Pombagira. E entre os Orixás vemos Oxumaré e Ewá. Dessa forma, é importante observar o peso dos elementos no horóscopo de uma pessoa. Averiguar, qual o poder do fogo, da água, do ar ou da terra. Qual o poder psicológico do indivíduo, qual seu nível emocional e qual o seu poder espiritual.

Uma mãe de cabeça Oxum e um Pai de Cabeça Oxóssi produzem numa mulher uma pessoa de grande beleza, talvez a mais bela dentre todas as filhas de Oxum. Também sendo mais vaidosa, com tendência a preguiça, luxo e luxuria. Já com mãe Oxum e pai Obaluaê produzem-se uma filha com mais simplicidade, também de grande beleza, mas com características mais rústicas e menos vaidosas. Ambas as filhas muito inclinadas a gostar de sexo, mas sendo que a segunda característica um pouco mais voltada a buscar o amor verdadeiro não ligando muito para o detalhe do dinheiro.

Outra coisa importante a se observar são as personificações do orixá. Por exemplo: é constatado por muitas pesquisas que alguns orixás e em minha opinião em todos tem as formas mais jovens ou mais velhas, como encontradas em Obaluaê e Omulú. No caso de Omulú estando no lugar de Obaluaê já muda um pouco a figura das características do filho de orixá. Sendo que um filho de Omulú com Oxum já traz uma certa deformação orgânica ou física, e no que se trata de materialismo tem tendência a gostarem de luxo, mas ter maior dificuldade em consegui-lo.

Também muda-se os preceitos e conceitos morais como por exemplo: uma filha de Oxum com Omulú não ligaria muito em ser a outra numa relação, enquanto Obaluaê como pai essa pessoa mesmo passando a ser a outra estaria mais determinada em alcançar o lugar definitivo e único. As filhas de Oxum são em todos os cruzamentos seja qual for o pai são sempre muito bonitas, e tem sempre uma sexualidade forte e deliciosa, sabendo não só apreciar o prazer, mas também dar muito prazer aos parceiros. Eu já tive o prazer de namorar uma filha de Oxum com Obaluaê, que era uma delicia de se relacionar. Especialmente quando estão bem desenvolvidas espiritualmente.

Sua forma física são sempre bem desenhadas seja qual for o pai, mas as que tem na linha de terra a parte masculina tem sempre corpos bem desenhados características fortes e traços bem definidos e exuberantes. Os órgãos sexuais muito bem definidos e bem formados com uma característica mais misteriosa e estranha (misturando o rústico e o erótico) do que nas filhas de Oxum com pai de linhas de ar. Mas são sempre muito gostosas e belas em todos os sentidos. “ORA IEIÊ Ô”.

Também temos que observar um fator importante, que é a potência de cada um dos orixás. Por exemplo, uma pessoa poderá ter uma mãe de cabeça, mais forte que o pai de cabeça. Então, se for numa mulher, isso será sinônimo de mulher forte, que domina, que conquista e terá mais axé de sua ancestralidade materna que dará maior chance de sucesso a nível familiar, emocional e sexual. Uma mulher que tenha a Mãe de Cabeça potente, confirmado por um Orixá de Cabeça harmônico e um Orixá de Frente positivo e magnético, ela será uma mulher altamente evoluída emocional e sexualmente. Assim, será uma mulher mais bem resolvida com seu corpo, segura de si, com uma libido equilibrada e sentimentos inabaláveis. Até mesmo sua vagina será mais simétrica e harmônica com seu corpo e ser. Porém se for para um homem, ai poderá ter problemas. Da mesma forma que uma mulher com o Pai de Cabeça dominante e uma Mãe de Cabeça muito fraca, poderá ser infeliz, não gostar do próprio corpo e ter sérios problemas emocionais e sexuais. E dependendo do carma, poderá viver uma vida de grande insatisfação.






quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ORIXÁ LEVA DOENÇAS E PUNIÇÕES AOS FILHOS?


A minha vida inteira ouvi de algumas pessoas dizerem que estavam doentes porque o Orixá tinha feito isso com elas, porque o Orixá estava pedindo feitura no caso do Candomblé ou alguma obrigação no caso da Umbanda.

Que o Orixá estava levando elas pela dor para a religião.

Mas observem, tem algo que não cai bem nessa afirmação, Orixá não precisa forçar e nem catar filho a laço, ou estão se esquecendo da grandiosidade de um Orixá.

Quando algo é forçado não é Amor é Escravidão.

Orixá se encanta na natureza, tem coisa mais poderosa que a criação do Pai Criador. Orixá não precisa quebrar leis divinas como a do livre arbítrio obrigando filhos a segui-lo, que valor teria? um filho cultuar e louvar um Orixá obrigado? Orixá merece mais que isso, merece AMOR e DEVOÇÃO.

Se os Orixás são seres divinos por que iriam punir seus filhos, um pai e uma mãe verdadeiros que amam seus filhos querem o mal deles? acredito que não.

Vamos raciocinar bem sobre esse assunto, por exemplo:  Filhos de Iemanjá e Oxum tem propensão a dores na cabeça, os filhos de Xangô a problemas nos ossos, filhos de Obaluayê de pele, depressão, hipocondria, os filhos de Iança a problemas na região da barriga e assim por diante.

Então todo filho de Iemanjá que tem dor na cabeça é o Orixá que está provocando e o punindo?

Lógico que não, a alguns fatores que precisam ser analisados como: fatores genéticos, alimentação, vida desregrada, noites mal dormidas, infecções e inflamações e doenças, a mesma coisa deve ser analisada referente a outros problemas (Plano Físico, Matéria). Fé sem fanatismo, nem tudo que acontece com o médium é espiritual, não é assim.


Mas mãe eu fui no médico fiz todos os exames e não tenho nada patológico, clínico.
Sim, há doenças que podem estar vindo de outros fatores que não do físico, mas as doenças espirituais, elas não pegam no filho porque o Orixá trouxe isso a eles ou coisa parecida, mas sim porque a pessoa naquele momento está NEGATIVADA ESPIRITUALMENTE.

Nesse momento é fundamental um dirigente sensato, responsável e um boa ordenança chefe espiritual nesta casa. Para que o filho seja bem direcionado e que não seja negligenciado nem um ponto a ser analisado tanto físico quanto espiritual.
 Imaginem o médium como um fio condutor de energia elétrica, se o fio fica desencapado,  o que acontece?

Ele dá curtos, pode pegar fogo, e queimar todos os aparelhos em volta, é a mesma coisa o médium que tem corpo aberto espiritualmente, mediunidade a ser tratada e trabalhada, tratamento que está sendo negligenciado,  o seu lado mediúnico e espiritual que está sendo deixado de lado,  ele se torna um imã pegando tudo que é energia, ele começa a absolver fortes descargas elétricas espirituais e  não vai saber como lidar com elas,  e as mesmas vão atingir e pegar nos pontos fracos da pessoa, virando uma bomba prestes a explodir, e quando explode tudo em volta é prejudicado, e ai vem as doenças provocadas pelo espiritual.

Outra coisa que não podemos deixar de mencionar,  fora isso há fatores cármicos, resgates oriundos de outras encarnações, onde o espírito ESCOLHE vir para essa vida com determinadas mazelas para aliviar suas cargas de vidas passadas, lembrando que as doenças também são lapidadoras da alma. ACEITAÇÃO.

Como eu digo, cada um tem sua história espiritual, sua cruz a ser carregada, e assumir essa responsabilidade o quanto antes alivia e atenua sofrimentos.

Não procurem moletas, nem desculpas, nem culpados, a não ser em si mesmo,  corrijam-se, quando assumimos nossa responsabilidade perante o astral superior, tudo fica mais fácil. E as soluções aparecem.

O Orixá imaginem como se ele estivesse numa sintonia altíssima, se o médium está todo sobrecarregado, cheio de interferências energéticas, ele simplesmente não consegue se sintonizar na frequência do seu Orixá, lembrando que os espíritos de Luz não descem a nossa sintonia é nós que temos que nos elevar a deles.

Quando um filho está enfermo, com doenças que médicos não conseguem detectar a causa, ele deve primeiramente ELEVAR SUA SINTONIA ESPIRITUAL,com mudanças íntimas, reformas e transformações para que não só seus Orixás consigam chegar até eles como seus próprios guias tenham maior facilidade em tratá-los.

E como se consegue isso, será só dando obrigações, feituras, agrados?

NÃO, se ele não mudar sua sintonia energética, se evangelizando, trabalhando sua fé, se fortalecendo na oração, o máximo que ele vai conseguir é atenuar o problema e não curar. Lembrando novamente que se ESPIRITUALIZAR é inerente a opção religiosa, há pessoas que estão dentro de uma religião e não conseguem alcançar a cura, porque não se espiritualizam, não mudam suas formas de pensar, suas mentalidades, ficam endurecidas, enquanto outros que não estão dentro de templos religiosos, conseguem alcançar suas graças, porque conseguiram mudar suas formas pensamento, a mente também cura.

Lembrando também que sentimentos como raiva, ódio, mágoa, medo, rancor, ciúmes, invejas, mesquinharias, vinganças, também desencadeiam doenças espirituais e acabam trazendo companhias não desejáveis que se alimentam de sentimentos como esses.

SE A PESSOA NÃO ACREDITAR QUE PODE SER CURADA, ELA PODE SER LEVADA NO MELHOR TERREIRO, COM O MELHOR GUIA E MENTOR, ELA NÃO VAI CONSEGUIR SER CURADA. POR ISSO É IMPORTANTE TRABALHAR O MENTAL E O PSICOLÓGICO DA PESSOA ENFERMA, SUA POSITIVIDADE, SUA CORAGEM EM VENCER O MEDO, PORQUE O MEDO TAMBÉM ADOECE.

Lembrando que se o problema está no físico mesmo sendo originado no espiritual, não será sanado somente com ações espirituais, se o físico foi afetado terá que entrar com ações médicas do plano físico e ações médicas no plano espiritual, uma equipe ajudando a outra. Frise-se.

Nossos Orixás nos trazem fé, amor, compaixão, saúde e felicidade, não fiquem achando que os Orixás levam desgraças, doenças, fecham nossos caminhos, isso é uma GRANDE INVERDADE, INJUSTA inclusive. Quando nos elevamos ao nosso Orixá ele nos coloca sob sua proteção.

Se você acredita que teu Orixá te trouxe doenças e desgraças, me perdoe a franqueza você está na religião errada, porque um ser divino que pune e maltrata aqueles que o cultuam e amam, jamais poderia ser abençoado como nossos Orixás o são.

Mesmo para com aqueles que abandonam seus Orixás, seus guias, eles são divinos, guias e mentores e respondem na Lei Divina que respeita a livre escolha, o livre arbítrio. Eles podem se retirar respeitando tais escolhas, mas jamais abandonam seus filhos a boa sorte, mas algumas lições devem ser aprendidas e eles melhores que ninguém sabem sobre essa verdade.

Lembrando que não são responsáveis por tais escolhas e sim os próprios médiuns. São guias amparadores da luz, não se prestam a mesquinharias humanas por isso são guias e mentores, agora imagem nossos Orixás que são ainda mais elevados.

Cada médium trás consigo seu mapa de vidas passadas, suas mazelas e punições que ele mesmo arrecadou para si, nossos guias e falangeiros simplesmente nos direcionam no caminho para nos curar e não ao contrário. O principal objetivo deles é que cumpramos a nossa missão da melhor forma, através das práticas de amor e caridade. Várias pessoas se curam de suas próprias doenças, ajudando outras, interessante não é mesmo? porque na pratica do bem pode estar a cura de suas próprias mazelas, e as pessoas se desligam das suas dores para socorrer a dor do outro, e com isso enfraquecem suas doenças porque o seu mental está forte e iluminado.

A pratica da caridade é um excelente remédio para todos os males.

Se o filho está com um problema que não acha a solução, primeiro lugar ele deve procurar uma boa casa espiritual, um bom terreiro sério, com médiuns comprometidos, e se colocar aberto a um tratamento espiritual, confiar naquela casa e seguir com muita fé e comprometimento. Não fiquem pulando de galho em galho, isso não é prudente.

A PESSOA TEM QUE QUERER SE AJUDAR, E DAR O PRIMEIRO PASSO. É SUA PRÓPRIA FÉ QUE VAI TRAZER SUA CURA E NÃO A DO OUTRO. A FÉ DO OUTRO IRÁ TE AJUDAR A ABRIR SEU CAMINHO, MAS A CAMINHADA É SUA. A CURA NASCE COM A DETERMINAÇÃO E FÉ DO ENFERMO. ESTÁ NELE.

Infelizmente não é isso que acontece, muitas vezes a pessoa chega no terreiro e pensa que o dirigente e o corpo mediúnico são Deus e o próprio Orixá na terra, querem que todos os seus problemas e resgates sejam resolvidos com um banho ou mesmo uma obrigação emergente, de preferência naquela gira mesmo, para não ter que voltar e perder tempo, e quando percebem que não é assim, aquelas pessoas não servem mais e o terreiro não presta, é fraco, e nisso vai pulando de galho em galho piorando e aumentando ainda mais suas cargas e pesos energéticos, até que um dia o corpo não aguenta mais e cai realmente numa cama. As pessoas precisam se conscientizarem que nossos guias não vem em terra para amaciar egos de ninguém, eles nos orientam e prestam auxílio trazendo mensagens que precisamos escutar, e não que queremos ouvir.

Deixo uma pergunta no ar,  uma pessoa assim, ele carece da cura é fato, mas ela faz por merecer a cura? que cada um responda para si mesmo.

“Faça a tua parte que eu te ajudarei”. 

Muitas pessoas querem que seus problemas sejam resolvidos, mas querem facilidade e de preferência com o menos esforço de suas partes.

E as questões como as leis como Ação e Reação, Causa e Efeito, Lei do Retorno e principalmente MERECIMENTO. São negligenciadas, claro que não.

O Deus que acredito ele não é punitivo, mas ele quando nos deu a liberdade e o livre arbítrio, também veio na bagagem que seriamos responsáveis pelas nossas escolhas e que arcaríamos com as consequências. Olha ai outra lei maravilhosa a da SEMEADURA.

Se um espírito vem com resgates a serem cumpridos nesta encarnação, ele irá passar por eles, poderá sim ter ajuda do plano espiritual o qual irá ajudar a atenuar e abrandar seu sofrimento, mais isso exige MUDANÇAS, TRANSFORMAÇÕES, REFORMAS.

Mas mãe, eu fiz algumas coisas no terreiro e me curei, então era o Orixá que me punia?

No meu entendimento, novamente não. Quando você se predispõe a se ajudar, a se modificar, a se transformar e reformar, você é aquela criança que não queria tomar remédio, mas a dor foi mais forte que a sua vontade, e ela resolveu tomar o remédio para aliviar sua dor, assim é o médium quando ele se conscientiza que algo nele precisa se elevar, e quando ele se eleva, se purifica, se energiza, o Orixá o encontra, manda seus mensageiros, guias e mentores a seu socorro, ai ele dá a cura, mas na realidade o médium sempre teve com a cura nas mãos, só não queria tomar.
Orixá é benigno, aprendam isso.

Eu costumo dizer que o médium ele é na realidade um condutor energético e o Orixá a grande usina elétrica, ele deve sempre fazer correr energia e doar energia, fazer com que sua energia não fique estagnada, parada, mas que ela alimente outras estações energéticas, fazendo que por onde passar lâmpadas sejam acendidas com sua energia e que graças a ela ninguém precise ficar no escuro.

Quando um médium adoece por causas espirituais ou ele está armazenando energia demais (por fatores de canalização, falta de doação e trabalho mediúnico, que entram questões de excesso de ectoplasma no corpo e etc) ou ele está sem energia nenhuma (vampirismo, feitiçaria, obsessão, má conduta, más escolhas, falta de espiritualização, ou até mesmo abuso de trabalhos mediúnicos, tem médiuns que não param, não dão tempo para si mesmos e acabam se sobrecarregando, o excesso de trabalhos mediúnicos e espirituais também não é aconselhável, o médium precisa de um tempo para se auto recarregar energeticamente ).

Mas enfim, observem que em todas as causas, a solução está em nossas próprias mudanças e a busca de apoio,  e nasceram com nós mesmos devido as nossas próprias condutas, então não culpem o Orixá ou os guias pelas atitudes que vocês mesmos podem ter tomado.

É no mínimo covarde de nossa parte não assumir nossos erros e responsabilidades e jogar nas costas dos nossos Orixás e guias o que nos pertence.

As pessoas tendem a achar culpados para suas mazelas, mas não conseguem se auto avaliarem e verem que na grande maioria das situações foram provocadas por elas mesmas. Consertando o fio desencapado, a energia volta a circular. Não se esqueçam.







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