A IRA DA MULHER BÚFALO
Ogun foi um dia caçar na floresta.
Ele ficou na espreita e viu um búfalo vindo em sua direção.
Ogun avaliou logo à distância que os separava e preparou-se para matar o
animal com a sua espada.
Mas viu o búfalo parar e, de repente, baixar a cabeça e despir-se de sua
pele.
Da pele saiu uma linda mulher.
Era IANSÃ, vestida com elegância, coberta com panos, um turbante luxuoso
amarrado à cabeça e ornada de colares e braceletes.
IANSÃ enrolou sua pele e seus chifres, fez uma trouxa e escondeu num
formigueiro.
Partiu, em seguida, num passo leve, em direção ao mercado da cidade, sem
desconfiar que Ogum tinha visto tudo.
Assim que IANSÃ partiu, Ogun apoderou-se da trouxa, foi para casa,
guardou-a no celeiro de milho e seguiu, também, para o mercado.
Lá, ele encontrou a bela mulher e cortejou-a.
Ogun pediu-a em casamento.
IANSÃ apenas sorriu e recusou.
Ogun insistiu e disse-lhe que a esperaria.
Ele não duvidava de que ela aceitasse sua proposta.
IANSÃ voltou à floresta e não encontrou seu chifre nem sua pele.
IANSÃ voltou ao mercado, já vazio, e viu Ogun que a esperava.
Ela perguntou-lhe o que ele havia feito daquilo que ela deixara no
formigueiro.
Ogun fingiu inocência e declarou que nada tinha a ver, nem com o
formigueiro nem com o que estava nele.
IANSÃ não se deixou enganar e disse-lhe:
Eu sei que escondeu minha pele e meu chifre.
Eu sei que você se negará a me revelar o esconderijo.
Disse a Ogun que se casaria com ele e viveria em sua casa, mas, mediante
certas regras de conduta para com ela.
Estas regras devem ser respeitadas, também, pelas pessoas da casa.
Ninguém poderá dizer a IANSÃ: Você é um animal!
Ninguém poderá utilizar cascas de dendê para fazer fogo.
Ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa.
Ogun respondeu que havia compreendido e levou IANSÃ.
Chegando em casa, Ogun reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como
deveriam comportar-se.
Ficara claro para todos que ninguém deveria discutir com IANSÃ, nem
insultá-la.
A vida organizou-se.
Ogun saía para caçar ou cultivar o campo.
IANSÃ, em vão, procurava sua pele e seus chifres.
Ela deu à luz uma criança, depois uma segunda e uma terceira.
Ela deu à luz a nove crianças.
Mas as mulheres viviam enciumadas da beleza de IANSÃ.
Cada vez mais enciumadas e hostis, elas decidiram desvendar o mistério
da origem de IANSÃ.
Uma delas conseguiu embriagar Ogun com vinho de palma.
Ogun não pôde mais controlar suas palavras e revelou o segredo.
Contou que IANSÃ era, na realidade, um animal.
Que sua pele e seus chifres estavam escondidos no celeiro de milho.
Ogun recomendou-lhes ainda: Sobretudo não procurem vê-los, pois isto a
amedrontará.
Não lhes digam jamais que é um animal.
Depois disso, logo que Ogun saía para o campo, as mulheres insultavam
IANSÃ:
-Você é um animal! Você é um animal!!
Elas cantavam enquanto faziam os trabalhos da casa:
-Coma e beba, pode exibir-se, mas sua pele está no celeiro de milho!
Um dia, todas as mulheres saíram para o mercado.
IANSÃ aproveitou-se e correu para o celeiro.
Abriu a porta e, bem no fundo, sob grandes espigas de milho, encontrou
sua pele e seus chifres.
Ela os vestiu novamente e se sacudiu com energia.
Cada parte do seu corpo retomou exatamente seu lugar dentro da pele.
Logo que as mulheres chegaram do mercado, ela saiu bufando.
Foi um tremendo massacre, pelo qual passaram todas.
Com grandes chifradas IANSÃ rasgou-lhes a barriga, pisou sobre os corpos
e rodou-os no ar.
IANSÃ poupou seus filhos que a seguiam chorando e dizendo:
Nossa mãe, nossa mãe! É você mesma?
Nossa mãe, nossa mãe! Que você vai fazer?
Nossa mãe, nossa mãe! Que será de nós?
O búfalo os consolou, roçando seu corpo carinhosamente no deles e
dizendo-lhes:
-Eu vou voltar para a floresta; lá não é bom lugar para vocês.
Mas, vou lhes deixar uma lembrança.
Retirou seus chifres, entregou-lhes e continuou:
Quando qualquer perigo lhes ameaçar, quando vocês precisarem dos meus
conselhos, esfreguem estes chifres um no outro. Em qualquer lugar que vocês
estiverem, em qualquer lugar que eu estiver, escutarei suas queixas e virei
socorrê-los.
Eis por que dois chifres de búfalo estão sempre no altar de IANSÃ.
ABUSO
Orixalá sofre frequentemente abusos de sua nora IANSÃ e de sua própria
mulher Iemanjá, que o enganou com um orixá de idade superior Orunmilá, e teve
uma filha Oxum.
Esta filha de criação se tornou a favorita e a protegida, cozinhando e
lavando para ele.
ADOÇÃO
Os Ibejis são filhos paridos por IANSÃ, mas abandonados por ela, que os
jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus
próprios filhos.
Doravante, os Ibejis passam a ser saudados em rituais específicos de
Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa, também recebem oferendas.
ALTERNATIVA PERIGOSA
Logunedé, o menino caçador, andava pelos matos quando um certo dia,
passando pela beira do rio, ele viu no meio do rio um palácio muito bonito.
Voltou para sua cidade, relatou a beleza deste palácio e sua vontade de
ir até lá.
Disseram a ele que era o palácio de Oxum, Lugar em que nenhum homem
punha os pés.
Passou-se o tempo e Logunedé não encontrava um meio de ir até lá.
Um certo dia, encontrou sua mãe de criação, IANSÃ, que lhe confirmou que
no palácio de Oxum nenhum homem punha os pés e ele só conseguiria entrar se
vestindo como mulher.
Logunedé fascinado e obcecado pelo palácio pediu a IANSÃ que lhe
arrumasse os trajes adequados. Depois de arrumado, pegou sua jangada e se pôs
no rio a caminho do palácio.
Pediu permissão à dona do palácio para sua entrada.
Abriram-se os portões e Logunedé entrou e no meio das mulheres Oxum
reconheceu seu filho.
Disse que a partir daquele dia Logunedé usaria saia, que lhe daria o
direito de reinar ao seu lado.
AMOR E ÓDIO
Xangô seduz Oxum, raptando-a do palácio de seu pai.
Outras lendas dizem que Xangô tomo-a de Ogum, mas que eles mantiveram
uma relação esporádica como amantes.
IANSÃ foi mulher de OGUM, mas foi embora com Xangô.
Oxum seduziu IANSÃ, mas logo abandonou-a e temos finalmente a versão de
uma relação entre Ogum e Odé, que apesar disto continuaram suas vidas
solitárias na floresta.
Iemanjá casou com Orixalá, mas o traiu com orunmilá.
Xangô casou com IANSÃ, embora ele detestasse Egum e ela detestasse
carneiro.
AXEXÊ
Vivia em terras de keto um caçador chamado Odulecê, era o líder de todos
os caçadores, ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá, que por seus
modos espertos e ligeiros era conhecida por OIÁ.
OIÁ tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar
de destaque naquele povo.
Mas um dia a morte levou Odulacê, deixando OIÁ muito triste.
A jovem pensou numa forma de homenagear o seu pai adotivo, reuniu todos
os instrumentos de caça de Odulacê e enrolou-os num pano.
Também preparou todas as iguarias que ele tanto gostava de saborear.
Dançou e cantou por sete dias, espalhando por toda parte, com seu vento,
o seu canto, fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.
OIÁ embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma árvore sagrada os
pertences de Odulacê.
Olorun, que tudo via, emocionou-se com o gesto de OIÁ e deu-lhe o poder
de ser a guia dos mortos no caminho do Orum.
Transformou Odulacê em orixá e OIÁ na Mãe dos espaços dos espíritos.
Desde então todo aquele que morre tem seu espírito levado ao Orum por
OIÁ.
Antes, porém, deve ser homenageado por seus entes queridos, numa festa
com comidas, canto e danças.
CABAÇAS
IANSÃ, a primeira esposa de Xangô, teria ido, a seu mando, a um reino
vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê.
Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria
trazer de volta a Xangô.
IANSÃ foi e lá Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as
cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse
embora.
IANSÃ ia muito apressada e não agüentava mais segurar o segredo.
Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a
vontade de Obaluaiê.
Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para o céus.
Quando terminaram os ventos, IANSÃ voltou e quebrou a segunda cabaça.
Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii!
Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça
do fogo, dos raios.
CAVALO BRANCO
Xangô se casou com Obá em kossô entre uma conquista e outra.
Eles eram muito felizes no casamento, apesar do rei não poder ver um rabo de
saia em sua frente.
Um dia Xangô viu OIÁ lavando roupas na beira do rio, e se
apaixonou perdidamente por ela, a quem imediatamente propôs matrimônio.
Numa certa feita o galante senhor se deparou com a bela Oxum a se mirar
cantando, com seu abebé de ouro, em cima de um rochedo na cachoeira, e se
enamorou dela que veio a ser a terceira esposa.
As três viviam a tranco e barranco por causa de Xangô.
Obá comprou um cavalo branco belíssimo, e o ofereceu a Xangô que adorou.
Após, algum tempo Xangô partiu para a guerra e levou Oiá na garupa deste
cavalo.
Obá e Oxum esperavam pela volta de Xangô.
Obá muito triste resolveu procurar Orunmilá, que lhe disse que Xangô
estava bem e vivendo feliz com Oiá; ditando o seguinte ebó para trazer ele de
volta para conviver as três juntas: deveria pegar um rabo de cavalo branco,
novo e prepara-lo com alguns ingredientes e dependura-lo no teto da casa.
Obá conversou com Oxum que incumbiu o senhor Bará de executar o serviço
ou seja: conseguir a cauda de cavalo .
Só que por orientação de Oxum o Bará foi atrás e pegou o rabo do cavalo
branco do senhor Xangô sem que Obá suspeitasse de nada.
Obá recebeu a cauda e preparou o ebó dependurando a cauda no teto.
No terceiro dia Xangô chegou em casa abatido com a morte do seu cavalo
branco.
Quase caiu para trás quando viu a cauda do cavalo dependurada no teto.
Oxum apressou-se em explicar que Obá era a responsável por tudo.
CAVALO MARINHO
Certo dia Logunedé saiu para caçar.
Quando estava no topo de uma cachoeira, olhou para baixo e viu uma linda
mulher sentada nas pedras, tomando banho e se penteando.
Ele ficou fascinado pela beleza desta mulher.
Aí ele desceu e ficou olhando-a escondido.
Oxum com seu abebe, viu que havia um homem a observando.
Virou o abebe para ele.
Neste momento Logunedé se encantou e caiu nas águas em forma de cavalo
marinho.
IANSÃ quando soube, correu atrás de Oxum e disse a ela que aquele menino
que ela havia encantado era seu filho: Logunedé, que um dia ela havia deixado
em cima de um lírio.
Oxum desfez o encantamento e disse que a partir daquele dia Logunedé
viveria seis meses na terra como o pai, comendo da caça e seis meses viveria
como a mãe, comendo do peixe.
CLAUSURA
Euá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu castelo como se estivesse
numa clausura.
O amor de Obatalá por ela era muito estranho.
A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes,
inclusive ao reino de Xangô.
Mulherengo como era, Xangô planejou como iría seduzir Euá.
Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá.
Um dia Euá apareceu na janela e admirou-se de Xangô.
Nunca havia visto um homem como aquele.
Não se tem notícia de como Euá se entregou a Xangô,no entanto,arrependida
de seu ato,pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem lhe
enxergasse.
Obatalá deu-lhe o reino dos mortos.
Desde então é Euá quem, no cemitério, entrega a OIÁ os cadáveres que
Obaluaiê conduz para que Orisá-Okô os coma.
CONFLITO
Um dia, foram juntas ao mercado OIÁ e
Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum.
Bará entrou no mercado conduzindo uma
cabra.
Ele viu que tudo estava em paz e
decidiu plantar uma discórdia.
Aproximou-se de Iemanjá, Oia e Oxum e
disse que tinha um compromisso importante com Orunmilá.
Ele deixaria a cidade e pediu a elas
que vendessem sua cabra por vinte búzios.
Propôs que ficassem com a metade do
lucro obtido. Iemanjá, OIá e Oxum concordaram e Bará partiu.
A cabra foi vendida por vinte búzios.
Iemanjá, OIÁ e Oxum puseram os dez
búzios de Bará a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam.
Iemanjá contou os búzios. Haviam três
búzios para cada uma delas, mas sobraria um.
Não era possível dividir os dez em três
partes iguais.
Da mesma forma Oiá e Oxum tentaram e
não conseguiram dividir os búzios por igual.
Aí as três começaram a discutir sobre
quem ficaria com a maior parte.
Iemanjá disse:
-é costume que os mais velhos fiquem
com a maior porção, portanto, eu pegarei um búzio a mais.
Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá,
afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que
por isso lhe cabia.
Oiá intercedeu, dizendo que, em caso de
contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.
As três não conseguiam resolver a discussão.
Então elas chamaram um homem do mercado
para dividir os búzios entre elas.
Ele pegou os búzios e colocou em três
montes iguais, e sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha, mas OIÁ e
Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho, elas
se recusaram a dar a Iemanjá a maior parte.
Pediram a outra pessoa que dividisse e
os búzios.
Ele os contou, mas não pôde dividi-los
por igual.
Propôs que a parte maior fosse dado à
mais nova, Iemanjá e OIÁ.
Ainda um outro homem foi solicitado a
fazer a divisão, ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a
mais de lado, ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado
àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova o búzio devia ser dado a
OIÁ, mas Iemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho, elas se recusaram a dar o
búzio extra a OIÁ não havia meio de resolver a divisão.
Bará voltou ao mercado para ver como
estava a discussão ele disse:
-onde está minha parte?
Elas deram a ele dez búzios e pediram
para dividir os dez búzios delas de modo igual.
Bará deu três a Iemanjá, três a OIÁ e
três a Oxum.
O décimo búzio ele segurou, colocou-o
num buraco no chão e cobriu com terra.
Bará disse que o búzio extra era para
os antepassados, conforme o costume que se seguia no orun.
Toda vez que alguém recebe algo de bom,
deve-se lembrar dos antepassados, dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes
e dos sacrifícios aos orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro
este é o jeito como é feito no céu assim também na terra deve ser.
COROA da CABEÇA
OIÁ estava trabalhando com Ogum, seu marido ferreiro, na oficina dele no
dia dos ancestrais.
Ogum batia o ferro na bigorna enquanto OIÁ assoprava o fogo com o fole.
OIÁ alegre como sempre, trabalhava e produzia música.
Conseguindo involuntariamente atrair os Egunguns para a porta da
oficina.
Ogum ficou tão orgulhoso de OIÁ que tirou o próprio capacete da cabeça, acorô, e ofereceu a OIÁ chamando-a acorô de minha cabeça.
DANÇARINA
Certa vez houve uma festa com todos os Orixás presentes.
Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha.
Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar
com ele.
Só OIÁ, corajosa, atirou-se na dança com o senhor da Terra.
Tanto girava OIÁ na sua dança que provocava vento.
E o vento de OIÁ levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato e em
recompensa, dividiu com ela o seu reino.
Fez de OIÁ a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é OIÁ Igbalé, a condutora dos Eguns.
OIÁ então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder
sobre os mortos, quando ela dançava, agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca
com que afasta os Eguns para o outro mundo.
Rainha OIÁ Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.
CHUVA DA CURA
Chegando de viagem, Omulú viu que estava acontecendo uma grande festa
com a presença de todos os Orixás.
Devido à sua timidez e vergonha, decidiu ficar do lado de fora,
espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogun, percebendo a angústia do irmão, convidou-o para entrar e
aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Omulú entrou, mas
ninguém se aproximava dele.
IANSÃ tudo acompanhava com o rabo do olho.
Ela compreendia a triste situação de Omulú e dele se compadecia.
A festa estava muito animada e IANSÃ esperou que ele estivesse bem no
meio do barracão.
Os Orixás dançavam alegremente com suas equedês. IANSÃ chegou então bem
perto dele e soprou suas roupas de palha, levantou-lhe as palhas que cobriam
sua pestilência.
Neste momento de encanto e ventania, as feridas de Omulú pularam para o
alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo
barracão.
Omulú, o Orixá das doenças, transformara-se num jovem, num jovem belo e
encantador.
Omulú e IANSÃ tornaram-se grandes amigos e reinam juntos sobre o mundo
dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as
demandas dos mortos sobre os humanos.
DESENTENDIMENTO
OIÁ andava pelo mundo disfarçada de novilha.
Um dia Odé a viu sem a pele e se apaixonou.
Casou-se com Oiá e escondeu a pele da novilha, para ela não fugir dele.
OIÁ teve dezesseis filhos com Odé.
Oxum, que era a primeira esposa de Odé e que não tinha filhos, foi quem
criou todos os filhos de OIÁ.
O primeiro a nascer chamou-se Togum.
Depois nasceram os gêmeos, os Ibejis, e depois deles, Idoú.
Nasceu depois uma menina Alabá, seguida do menino Odobé.
E depois os demais filhos de OIÁ e Odé.
Os meninos pareciam-se com o pai, as meninas, com a mãe.
OIÁ tinha os filhos que Oxum criava e assim viviam na casa de Odé.
Um dia as duas mães se desentenderam.
Oxum mostrou a OIÁ onde estava sua pele.
OIÁ recuperou a pele de novilha, reassumiu sua forma animal e fugiu.
DIREITO ADQUIRIDO
Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas
relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem
nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia.
OIÁ era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta.
OIÁ havia domado e treinado um macaco marrom.
Utilizara para isso um galho de atori (ixan) e o vestia com uma roupa
feita com várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob
os panos.
Seguindo um ritual, conforme OIÁ brandia o ixan no solo o macaco pulava
de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora
treinado a fazer.
Deste modo, durante a noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres,
que estavam escondidas faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente
apavorados.
Cansados de tanta humilhação, os homens foram ver o babalao para tentar
descobrir o que estava acontecendo.
Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalao lhes conta a
verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e
astúcia.
Ogun foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições
antes das mulheres.
Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu.
Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo,
berrando e brandindo sua espada pelos ares.
Todas fugiram apavoradas, inclusive OIÁ.
Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre
do culto de Egun.
DESCOBERTA
Há quem diga que OIÁ foi namorada de Obaluaê e conseguiu que ele
mostrasse o rosto sob as palhas.
Provocou um grande vento e o azê foi levantado.
Ficou surpresa por que o rosto de Obaluaê era belíssimo.
Obaluaê gosta muito de OIÁ e de sua espontaneidade desinteressada.
Ela é alegre, bonita, brejeira e generosa muitas vezes OIÁ acompanha Euá
em suas inúmeras viagens ao céu, rumo ao reino de Oxumarê, e em contrapartida
OIÁ é acompanhada pela Euá no transporte dos espíritos do aiê ao orun.
DESOBEDIENTE
Xangô enviou OIÁ em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um
preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca
e pelo nariz.
OIÁ, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado,
tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que
desejava guardar só para si esse terrível poder.
OIÁ foi ao entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final do seu
reinado, segui-o na sua fuga para Tapá.
E, quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra, em Kossô ela fez o
mesmo em Irá.
ENFORCADO
Certa feita Xangô quase é convencido
por Euá e Ossaim a se enforcar.
Seu reino, de Oió estava afundando e
ele, ingenuamente, fora se aconselhar com Euá, a qual junto com Ossaim, que lhe
aconselhavam a enforcar-se e morrer gloriosamente.
Se não fosse OIÁ, o rei teria se
enforcada mesmo.
ESTRONDO
Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres, IANSÃ, Oxum e Obá, muitos
servos, exércitos, gado e riquezas.
Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com IANSÃ.
Ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito
fortes.
Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios
riscaram o céu.
Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu
palácio fora atingido.
Ele e IANSÃ correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem
ninguém.
Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra.
IANSÃ o imitou.
FERRO E RAIOS
Antes de se tornar mulher de Xangô, OIÁ tinha
vivido com Ogum.
A aparência do deus do ferro e dos ferreiros
causou-lhe menos efeito que a elegância, o garbo e o brilho do deus do trovão.
Ela fugiu com Xangô, e Ogum, enfurecido, resolveu
enfrentar seu rival.
Mas este último foi à procura de Olodumaré, o deus
supremo, para lhe confessar que havia ofendido a Ogum.
Olodumaré interveio junto ao amante traído e
recomendou-lhe que perdoasse a afronta.
E explicou-lhe:
-Você, Ogum, é mais velho do que Xangô!
Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade
aos olhos de Xangô e aos dos outros orixás, você não deve se aborrecer nem
brigar e sim renunciar a OIÁ sem recriminações.
Mas Ogum não foi sensível a esse apelo, dirigido
aos sentimentos de indulgência.
Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à
perseguição dos fugitivos e, trocou golpes de varas mágicas com a mulher
infiel, que foi, então, dividida em nove partes.
FOGO PELA BOCA
Xangô enviou IANSÃ em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um
preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca
e pelo nariz.
OIÁ, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado,
tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que
desejava guardar só para si esse terrível poder.
FUJIDINHA
Oxum teve uma grande paixão na sua vida: Odé, mais na época era casada
com Ogun e não podia ter nada com Odé.
Numa das saídas de Ogun para guerrear, Oxum encontrou Odé e dele ela
engravidou.
Nove meses depois, quando a criança estava para nascer, Ogun mandou
recado que estava regressando.
Oxum não podia mostrar a ela a criança.
Ela deu a luz a um menino e o pôs em cima de um lírio e ali o deixou e
foi embora.
IANSÃ passando viu aquela criança e sabia que era de Oxum, pegou e criou
Logunedé.
IANSÃ o ensinou a caçar e pescar.
Logunedé viveu com IANSÃ durante muito tempo.
FILHOS DA VIOLÊNCIA
OIÁ não podia ter filhos, procurou o conselho de um babalaô, ele
revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um homem com
violência.
Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação OIÁ teve nove filhos,
desses filhos, oito nasceram mudos.
OIÁ procurou novamente o babalaô, ele recomendou que ela fizesse
oferendas.
Tempos depois nasceu um filho que não era mudo, mas tinha uma voz
estranha, rouca, profunda, cavernosa.
Esse filho foi Egungum, o antepassado que fundou cada família.
Hoje, quando Egungum volta para dançar entre seus descendentes, usando
suas ricas máscaras e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se
curva. Somente diante de OIÁ se curva Egungum.
MAL AMADO
Logunedé tinha tudo, menos o amor das mulheres, pois mesmo IANSÃ, quando
roubada de Ogum por Xangô, abandona Logunedé com seu tio, criando assim um
profundo antagonismo entre Xangô e Logunedé, já que por duas vezes Xangô lhe
tira a mãe.
SEDUÇÃO E CONHECIMENTO
Embora tenha sido esposa de Xangô, IANSÃ percorreu vários reinos e
conviveu com vários reis.
Foi paixão de Ogum, Oxaguiam e de Bará.
Conviveu e seduziu Odé, Logunedé e tentou em vão relacionar-se com
Obaluaê.
IANSÃ percorreu vários reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução
para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo.
Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro.
Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou dele o direito de usá-la.
Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Oxaguiam. Com ele aprendeu o
uso do escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de
usá-lo.
Depois partiu e nas estradas deparou-se com Bará. Com ele aprendeu os
mistérios do fogo e da magia.
No reino de Odé, seduziu o deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a
pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida
com Bará.
Seduziu Logunedé e com ele aprendeu a pescar.
Foi para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e
conhecer seu rosto.
Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluaê perguntou o que
OIÁ queria e ela respondeu:
-queria ser sua amiga.
Então, fez sua dança dos ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo,
sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluaiê.
Incapaz de seduzi-lo, Iansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse.
Assim dirigiu-se ao homem da palha:
-Aprendi muito com os outros reis, mas só me falta aprender algo contigo.
- Quer mesmo aprender, OIA?
-Vou te ensinar a tratar dos Mortos.
Venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com
os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o reino de Xangô, pois lá
acreditava que teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente.
Mas ao chegar ao reino do rei do trovão, IANSÃ aprendeu mais do que
isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô
dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração.
O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orixá do
Fogo.
NA MESMA MOEDA
Conta o mito que OIÁ disputava com o marido Ogum o primeiro lugar em
valentia.
Um belo dia, OIÁ convocou todas as mulheres na tarefa de pregar uma peça
no senhor da guerra.
Para isto vestiram um macaco com panos coloridos dos pés a cabeça e
soltaram o animal no local onde Ogum costumava passar. Quando Ogun viu o
monstrengo correu, para deleite de OIÁ e das outras mulheres.
A façanha se repetiu por 3 dias, encarregando-se OIÁ de espalhar o
ocorrido.
Após o terceiro dia de susto Ogun resolveu consultar Orunmilá, que o
orientou a chegar no lugar dos fatos 2 horas antes do horário costumeiro e se
escondesse na mata. Cumprindo o determinado pelo senhor da adivinhação Ogun
colocou-se a espreita e viu todo o ocorrido com indignação.
Jurou vingança, furioso juntou os homens e deu o troco em OIÁ e nas
demais mulheres, com a mesma moeda.
Vestiu um macaco do mesmo jeito e esperou que elas chegassem. Não deu
outra, elas saíram gritando de medo e, como punição as mulheres foram excluídas
de participar do segredo do culto dos Eguns.
O ENCANTADO
Logunedé era filho de Odé com Oxum.
Príncipe do encanto e da magia.
Odé e Oxum eram dois Orixás muito vaidosos.
Orgulhosos, eles viviam às turras.
A vida do casal estava insuportável e resolveram que era melhor separar.
O filho ficaria metade do ano nas matas com Odé e a outra metade com
Oxum no rio.
Com isso, Logunedé se tornou uma criança de personalidade dupla: cresceu
metade homem, metade mulher.
Oxum proibiu Logunedé de brincar nas águas fundas, pois os rios eram traiçoeiros
para uma criança de sua idade.
Mas Logunedé era curioso e vaidoso como os pais.
Logunedé não obedecia à mãe.
Um dia Logun nadou rio adentro, para bem longe da margem.
Obá, dona do rio, para vingar-se de Oxum, com quem mantinha antigas
brigas, começou a afogar Logun.
Oxum ficou desesperada e pediu a Orunmilá que lhe salvasse o filho, que
a amparasse nos seu desespero de mãe.
Orunmilá que sempre atendia à filha de Oxalá, retirou o príncipe das
águas traiçoeiras e o trouxe de volta à terra.
Então deu-lhe a missão de proteger os pescadores e a todos que vivessem
das águas doces.
Dizem que OIÁ quem retirou Logunedé da água e terminou de criá-lo
juntamente com Ogun.
OFERTÓRIO
Xangô e IANSÃ tiveram filhos gêmeos, os Ibejis.
As crianças eram lindas e cresciam fortes para alegria e orgulho de seus
pais.
Houve, porém, na cidade em que viviam, uma peste avassaladora que
infectava e matava crianças em poucas horas.
Para desespero de IANSÃ, um dos gêmeos foi vitima da doença e morreu sem
que ninguém pudesse fazer nada para salvá-lo.
IANSÃ, a partir desse dia, entrou em profunda depressão, a vida já não
apresentava motivos para seguir adiante. Soprou o vento que sempre trazia, para
longe e já não comandava as grandes tempestades que passaram a destruir de
forma implacável todas as terras.
Em um de seus desvaneios, arrumou um boneco de madeira e vestindo-o,
colocou-o num lugar de honra em sua casa. Era o canto sagrado que ninguém podia
transpor apenas ela podia ali entrar acompanhada de sua mágoa e dor.
Todos os dias entregava um pequeno presente aos pés do boneco e chorava
copiosamente enquanto conversava como se fosse seu pequeno filho.
Olorum, ao ver tamanha tristeza, teve tanto dó da mãe sofredora, que uma
lágrima pura e límpida caiu de seus olhos exatamente sobre a cabeça do boneco.
A pequena gota mágica fez o menino reviver e IANSÃ teve seu filho de
volta.
Ainda hoje os Ibejis e outras crianças, com sua alegria infantil correm
pelos jardins do Orum, sempre observados com doçura pelo amoroso olhar materno
da grande guerreira.
PERALTAGEM
Certa ocasião IANSÃ encontrou Oxalá queixando-se de uma ferida na perna
e, dizendo que iria cura-lo colocou sal e pimenta e cobriu-lha a ferida com uma
..., abandonando Oxalá. E quem socorreu foi Oxum.
PROIBIÇÃO
OIÁ não podia ter filhos, e foi consultar o babalao.
Este lhe disse, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria.
Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu
tabu alimentar que proibia comer carne de carneiro.
O sacrifício seria de 18.000 mil búzios como pagamento, muitos panos
coloridos e carne de carneiro.
Com a carne ele preparou um ebó para que ela o comesse, e nunca mais ela
deveria comer desta carne.
Quanto aos panos, deveriam ser entregues como oferenda.
Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos. Daí em diante ela
também passou a ser conhecida pelo nome de Iyá omo mésan, que quer dizer a mãe de nove filhos
e que se aglutina IANSÃ.
RECOMPENSA
Houve uma festa e todos os Orixás
estavam presentes. Menos Xapanã que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por
que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas
causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a
floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O
filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e
continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos IANSÃ, altiva e
corajosa, dança com ele e com eles o vento de IANSÃ que levanta a palha e para
espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam
estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas
agora é tarde, Xapanã não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de IANSÃ,
Xapanã dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos.
Mas daquele dia em diante, Xapanã
declarou que somente dançaria sozinho.
REVANCHE
Toda vez que Obá passava a mão no rosto, ou se mirava nas águas de seu
rio, a odô obá vê o aleijão provocado pela velharia de Oxum.
Desejando vingar-se de Oxum da forma que mais a atingisse.
Logunedé era um menino pequeno muito travesso, que morava com sua avó
Iemanjá, ele era filho de Oxum com Odé, mas um dia, o levado garoto escapou da
vigilância de Iemanjá que era sua mãe adotiva e foi passear pelo mundo, andando
e andando, avistou uma senhora toda vestida de roupa de montaria, em cima de
uma pedra, dentro do rio barulhento, que lhe perguntou o nome.
Quando ele disse, Obá perdendo o juízo, arquitetou sua vingança. Seria a
melhor vingança.
Mataria afogado o filho da Oxum.
Obá chamou-o para cima do rochedo que ela se encontrava, estimulando ele
a andar de cavalo marinho e barco dourado.
Quando o menino estava se aproximando do rochedo e dali para a água,
repentinamente um furacão o lançou pelos ares, conduzindo-o até a presença da
avó Iemanja.
OIÁ explicou o por que que salvara o menino, e pediu agô para sua mãe.
SALMORA
IANSÃ tomou uma moringa pertencente a
Orixalá, elemento do seu assentamento ritual e jogara-a ao mar. Oxalá Não pode
pegar de volta por causa...
SEGURANÇA
OIÁ queria Xangô só para ela, pois sofria quando ele saía.
Para impedir que Xangô saísse de casa, chamou os mortos a sua presença,
e a casa de OIÁ ficou cercada de Eguns, assim Xangô tornou-se prisioneiro de
OIÁ.
Cada vez que ele tentava sair e abria a porta, os Eguns vinham ao seu
encontro chiando.
Xangô aterrorizado não saía a rua, um dia na ausência de OIÁ, Oxum foi
visitar Xangô que lhe contou tudo.
OXUM preparou uma garrafada com aguardente, mel, e pó de efum.
SÓ COM PERMISSÃO
Os Ajés se tinham como o todos poderosos sobre os Eguns fazia-os
aparecer e desaparecer, obrigando-os a satisfazer todos os seus desejos sem o
consentimento de OIÁ.
Sabendo disto, OIÁ resolveu pregar uma peça nos ajés.
Vestiu-se de Egum e saiu pela floresta. Vendo aquilo os ajés pegaram os
ixãs e saíram em sua perseguição de repente OIÁ viu um buraco na terra e ali
entrou.
Os ajés disseram: ele entrou por aqui e por aqui tem que sair. Ali
ficaram até o anoitecer e quando, ao longe, ouviram o ilá de OIÁ perceberam no
alto da montanha que ela tirava a roupa de Egum.E desde daquele dia só com o
consentimento de OIÁ pode-se fazer qualquer coisa para Egun.
TEIMOSA
IANSÃ era uma das esposa de Xangô, mas diferente das outras duas que era
Obá e Oxum, IANSÃ era mais teimosa e tinha espírito desafiador.
Um belo dia ela resolveu pegar para sí os cristais de Xangô os quais
controlavam as almas, Xangô percebendo que tinha sido roubado foi consultar o
Ifá que lhe disse que uma das esposas o havia traído lhe roubando os cristais.
Então seguindo o conselho dado por Ifá,chamou as suas três esposas e
perguntou quem tinha roubado os cristais então IANSÃ foi abrir a boca para
falar que não havia sido ela e saiu raio pela sua boca então Xangô logo
percebeu quem foi a culpada.
Antes que Xangô pudesse castiga-la ela fugiu para as matas.
E levou com ela os cristais é claro e tornou-se uma condutora de Eguns.
TEMPESTADE
Oxaguian estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas
eram as armas para guerrear.
Ogun fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguian pediu a seu amigo
Ogun urgência, mas o ferreiro já fazia o possível.
O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava
como o tempo.
Tanto reclamou Oxaguian que OIÁ, esposa do ferreiro, resolveu ajudar
Ogun a apressar a fabricação.
OIÁ se pôs a soprar o fogo da forja de Ogun e seu sopro avivava intensamente o
fogo e o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente.
Logo Ogun conseguiu fazer muitas armas e com as armas Oxaguian venceu a
guerra.
Oxaguian veio então agradecer Ogun.
E na casa de Ogun enamorou-se de OIÁ.
Um dia fugiram Oxaguian e OIÁ, deixando Ogun enfurecido e sua forja
fria.
Quando mais tarde Oxaguian voltou à guerra e quando precisou de armas
muito urgentemente, OIÁ teve que voltar a avivar a forja.
E lá da casa de Oxaguian, onde vivia, OIÁ soprava em direção à forja de
Ogun.
E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguian
da de Ogun.
E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais
pelo caminho, até chegar às chamas que com furor atiçava.
E o povo se acostumou com o sopro de OIÁ cruzando os ares e logo o
chamou de vento.
E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas,
mais forte soprava OIÁ a forja de Ogun. Tão forte que às vezes destruía tudo no
caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.
O povo reconhecia o sopro destrutivo de OIÁ e o povo chamava a isso tempestade.
TRAIÇÃO
OIÁ estava muito triste, e Euá lhe
perguntou o motivo de tamanha tristeza.
OIÁ não parava de chorar, respondendo
que era por causa da traição do carneiro, que quase a levara a morte.
Ela tivera que se transformar numa
abóbora no meio de uma plantação de muitas abóboras, para conseguir salvar sua
pele.
Será eternamente grata a abóbora.
Jamais comeria abóbora por gratidão.
O carneiro dava de seu amigo, mas na
verdade era um tremendo traidor, alcaguete de primeira..., ele conduziu os inimigos
de OIÁ, a sua procura, para o lugar onde ela costumava ficar.
E ele era meu amigo-Euá-amigo do peito!
Amigo e confidente, ele comia na minha gamela e dormia na minha esteira.
OIÁ sempre foi ingênua, não aceitava a verdade: que os amigos é que mais
causam problemas.
Ilé Yorimá*