quinta-feira, 29 de junho de 2017

OXOSSI

Divindade da caça que vive nas florestas. Seus principais símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, e um rabo de boi chamado Eruexim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e de Exú.

Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos, filho de Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por Oxum.

Oxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição, e caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras. Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois são nefastas à caça.

Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de caçador. Ossãe apaixonou-se pela beleza de Oxossi e prendeu-o na floresta. Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.

Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.

Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e riqueza ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossaê, que é a divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.

Irmão de Ogum, habitualmente associa-se à figura de um caçador, passando a seus filhos algumas das principais características necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.

Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que Ogum.

No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.

Segundo Pierre Verger, o culto a Oxossi é bastante difundido no Brasil mas praticamente esquecido na África. A hipótese do pesquisador francês é que Oxossi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a receber o título de rei. Essa nação, porém foi praticamente destruída no século XIX pelas tropas do então rei do Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos.

O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.

Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.

Oxossi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.


Características

Cor Verde (No Candomblé: Azul Celeste Claro)
Fio de Contas Verde Leitosas (Azul Turquesa, Azul Claro)
Ervas Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Peregum (verde), Taioba, Espinheira Santa, Jurema, Jureminha, Mangueira, Desata Nó. (Erva de Oxossi, Erva da Jurema, Alfavaca, Caiçara, Eucalipto)
Símbolo Ofá (arco e flecha).
Pontos da Natureza Matas
Flores Flores do campo
Essências Alecrim
Pedras Esmeralda, Amazonita. (Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde)
Metal Bronze (Latão)
Saúde Aparelho Respiratório
Planeta Vênus
Dia da Semana Quinta-feira
Elemento Terra
Chakra Esplênico
Saudação Okê Arô (Odé Kokê Maior)
Bebida Vinho tinto (água de coco, caldo de cana, aluá)
Animais Tatu, Veado, Javali. (qualquer tipo de caça)
Comidas Axoxô – milho com fatias de coco, Frutas.(Carne de caça, Taioba, Ewa - feijão fradinho torrado na panela de barro, papa de coco e frutas.)
Numero 6
Data Comemorativa 20 janeiro
Sincretismo: S. Sebastião.
Incompatibilidades: Mel, Cabeça de bicho (nos sacrifícios e alimentos), Ovo
Qualidades: Êboalama, Orè, Inlé ou Erinlè, Fayemi, Ondun, Asunara, Apala, Agbandada, Owala, Kusi, Ibuanun, Olumeye, Akanbi, Alapade, Mutalambo


Atribuições

Oxossi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.


As Características Dos Filhos De Oxossi

O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.

Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a ser relativamente magros, um pou  co nervosos, mas controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.

No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.

Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.

Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.

Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Oxossi, compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.

Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos. É portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

O tipo psicológico, do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.


Cozinha ritualística

Axoxô

É a comida mais comum de Oxossi. Cozinha-se milho vermelho somente em água, depois deixa-se esfriar, coloca-se numa Gamela e enfeita-se por cima com fatias de coco. (pode-se cozinhar junto com o milho, um pouco de amendoim).


Quibebe

Descasca-se e corta-se 1kg de abóbora em pedaços. Numa panela, faz-se um refogado com 2 colheres de manteiga e 1 cebola média picadinha, até que esta fique transparente ou levemente corada. Acrescenta-se 2 ou 3 tomates cortados em pedaços miúdos, 1 pimenta malagueta socada, e a abóbora picada. Põe-se um pouco de água, sal e açúcar. Tampa-se a panela e cozinha-se em fogo lento até que a abóbora esteja bem macia. Ao arrumar na travessa que vai à mesa, amassa-se um pouco.


Pamonha de milho verde

Rala-se 24 espigas de milho verde não muito fino. Escorre-se o caldo e mistura-se o bagaço com 1 coco ralado(sem tirar o leite do coco), tempera-se com sal e açúcar.
Enrola-se pequenas porções em palha de milho e amarra-se bem. Cozinha-se numa panela grande, em água a ferver com sal, até que desprenda um bom cheiro de milho verde.


Lendas De Oxossi

Como Oxossi Virou Orixá

Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia, sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxossi.


Orixá da Caça e da Fartura !!!


Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura. De repente, um grande pássaro, pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando farpas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha. Sua mãe, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores
falharam em suas tentativas. Ela foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs disseram para ela preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). A mãe de Òsotokànsosó fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada pela mãe do caçador, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxossi! Oxossi!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje. Oxossi.




terça-feira, 27 de junho de 2017

MALANDRAS e MALANDRINHAS




As malandras surgiram a partir dos anos 50, com o surgimentos de uma entidade, que ninguém conhecia, chamada Maria Navalha, Dona Navalha surgiu num terreiro de Umbanda Omolocô (Umbanda traçada com Candomblé - Independente da Nação sendo ela, Ketu, Djeje Mahin, Angola) e como até hoje, os Malandros infelizmente são tratados como Exus , ela foi e ainda é em alguns lugares considerada ou tratada como Pombagira, pois muitos terreiros, não fazem gira de Exu separada da de Malandros.




Ela incorporou numa jovem que estava a pouco tempo na religião, tinha características de malandro, ainda que com feminilidade, mais era encantadora, uma entidade diferente, e que atraiu a curiosidade das pessoas da religião na época.

Desde então alguns anos se passaram, e ela continua a brilhar nos terreiros de Umbanda, com todo seu charme e beleza exótica, depois conforme os anos foram passando surgiram outras Malandras, todas ligadas aos seus campos de atuação (trabalho).




Normalmente as Malandras fazem par com os Malandros de seus Médiuns, exemplo: Malandra do Morro e Malandro do Morro. Mas isso não é necessariamente uma regra, pode acontecer de serem de diferentes locais, isso depende da evolução do médium, da afinidade do mesmo com as entidades de luz e de como irão trabalhar, para evolução de si mesmos e do próprio médium.

Coisas de Malandra:

Cores : Vermelha, Branca e Preta

Guia: Vermelha e Branca

Indumentária: Roupas nessas cores ; Vermelha, Branca preta, muito raro o tom dourado.

Chapéis: Chapéu Panamá, com Fita vermelha, ou preta, também podem usar chapéu branco (sem fitas), podem usar lenços em seus chapéus ou para enfeitar seus cabelos antes de colocar o chapéu, podem colocar rosas ou cravos vermelhos ou branco no chapéu.




Algumas qualidades de malandra gostam de chapéu preto e outras gostam de cartola baixa. Raramente gostam de cartola alta, quando gostam são nas cores tradicionais (Branca e Vermelha)

Algumas usam Calça branca, vermelha ou estampada com estas cores.

Já outras usam Saias, com estampa vermelha e branca, saia branca, saia vermelha, saia com dados, naipes ou cartas de baralho.

Gostam de Blusa listrada (Vermelha e Branca), ou nas cores Preta, Vermelha, Branca. Também gostam de Roupas de seda (como algumas qualidades de Malandro). Também raramente, algumas Malandras, gostam de uma camisa branca (De botões) por cima da camisa listrada.

Flores: Rosas vermelhas, rosas brancas, cravos vermelhos e brancos, também gostam de flor de chuvisco.

Fumo: Cigarros de palha, Cigarros de filtro vermelho ou Cigarros com sabor. Existem ainda as raras exceções de Malandras que fumam Charuto.

Bebida: Cerveja Branca, Cerveja Preta, Batida, Pinga de Coquinho, Conhaque e raramente Whisky ou cachaça (pinga).

Objetos: Dados, Navalha, Punhal, Baralho.

Pontos de força: Lapa, Cabaré, Morro, Esquinas, Encruzilhada, Cais do Porto, Cruzeiro das Almas, Calunga (Pois como nossos amigos Malandros, trabalham também com as almas)

São boas amigas, trabalham ajudando as pessoas a largas vícios (Drogas e Álcool) também trabalham desmanchando magia negra, trabalham para assuntos financeiros, e as vezes até tiram seus protegidos e protegidas de enrascadas, também trabalham para amor .

São gentis, simpáticas, as vezes sérias, sempre muito bem vestidas, elegantes, e bem arrumadas, são vaidosas, gostam de receber presentes e adoram perfumes e batons (Principalmente na cor vermelha)

As vezes surgem nomes de entidade, se denominando Malandra, mais nem sempre são, pois como é uma linha nova, existem pessoas que inventam de má fé, nomes que não existem.

Alguns nomes de Malandras e Malandrinhas.

Malandra Maria Navalha e sua Falange:

-Maria Rosa Navalha

- Maria Navalha do Cabaré

- Maria Navalha da Lapa

- Maria Navalha da Calunga

- Maria Navalha das Almas

- Maria Navalha da Estrada

- Maria Navalha do Cais
E outras Malandras...

- Malandra 7 Navalhadas

- Malandra 7 Navalhas

- Malandra Maria 7 Navalhas

- Malandra do Cabaré

- Malandra Rosa do Cabaré ou Rosa Malandra do Cabaré

- Malandrinha do Cabaré


- Malandra Maria do Baralho e Malandra do Baralho

- Malandra do Morro ou Malandrinha do Morro

- Malandra da Lapa ou Malandrinha da Lapa ; Malandra do Cabaré da Lapa

- Malandra Rosa da Lapa

- Malandra das Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa

- Malandra da Rosa Vermelha ; Malandra Rosa Vermelha ( Sendo ela da Lapa, Cabaré)

-Malandrinha das Rosas Vermelhas ; Malandrinha da Rosa Vermelha

- Malandra das Almas ou Malandrinha das Almas

- Malandra das 7 Encruzilhadas

- Malandra Maria do Cais ; Malandrinha do Cais ; Malandra da Beira do Cais

- Malandra 7 Saias do Cabaré

- Malandra da Estrada ; Malandrinha da Estrada

- Malandra da Bahia ; Malandrinha da Bahia

- Malandra Maria da Boêmia

- Malandra dos Arcos da Lapa


Salve as nossas Amadas Malandras na Umbanda, Salve a Malandragem!
Que Deus possa sempre Iluminar sempre essas falanges que tanto nos quer Bem!


Ile Yorima



quarta-feira, 21 de junho de 2017

O QUE É “BALANÇA”?

Ago iyè egbóns!

Uma das perguntas mais frequentes nas comunidades em redes sociais cujo tema é a religião afro-gaúcha é o ritual batuqueiro conhecido como “balança”. Como se faz; como proceder em caso de rompimento; e para quê serve são as perguntas mais freqüentes daqueles que anseiam por conhecimento. O que podemos fazer é uma análise sistemática do ritual para tentarmos levantar hipóteses que não passam de meras especulações, já que este espaço não seria suficiente para uma dissertação sobre o tema. 
Témis
Primeiramente temos que entender a origem do termo “balança”. Essa nomenclatura foi passada de geração a geração sem uma explicação lógica aceitável. Parece-me que se refere à dança já que a mesma é feita alternando-se o movimento: ora indo para frente, ora para trás, como que se tivesse dois pesos. Há também a idéia de que essa dança seria pertencente a Xangô, o Orixá da justiça. E a justiça é representada no mundo ocidental pela efígie da deusa da lei e da justiça: Témis. Témis tem em sua mão esquerda uma balança, símbolo da justiça, pois a mesma medida é a que deve ser para todos, sempre. Na mão direita tem uma espada que utiliza para a execução de sua decisão. Coincidentemente (ou não), as imagens de São Miguel Arcanjo geralmente o mostram com uma espada na mão direita – com a qual ele lutou e expulsou Lúcifer do Céu – e na esquerda, tal como Témis, uma balança. O motivo é que uma das atribuições desse santo católico é a de guiar e conduzir as almas ao céu, depois de tê-las pesado na balança da justiça divina. Os padres, empenhados na conversão dos negros escravizados, criaram o sincretismo onde Xangô também é representado pela imagem de São Miguel Arcanjo. Com a assimilação a balança passa a fazer parte dos implementos sagrados desse Orixá.

São Miguel Arcanjo
A “balança” também é chamada de “roda-de-quatro-pés”. Este nome está, obviamente, ligado a obrigatoriedade de sua realização quando da sacralização de quadrúpedes aos Orixás. O antropólogo Norton Corrêa também registrou os termos emissô e caçu como designativos desse ritual, em seu livro “O batuque do Rio Grande do Sul”. Caçu é uma palavra muito utilizada hoje em dia pelos alabês. É a corruptela do termo iorubá kasun, que inserida numa frase pode significar “vamos”, como em eje kasun si waju, ou seja, “vamos em frente”. Então kasun não quer dizer “balança” como muitos gostariam, mas tem a ver com movimento.

Existe um mito no batuque que diz que caso a balança rompa os responsáveis por isto ou o sacerdote da casa estarão sujeitos à morte. Isso porque a balança, com seus movimentos de ir e vir, significa a ultrapassagem do limiar do Orun (mundo imaterial) e do Aiyê (mundo físico). É neste momento que esperamos que os Orixás se manifestem, vindo do Orun para o Aiyê, para serem recebidos na festa em sua homenagem, pois foram feitos sacrifícios de animais de quatro patas. É por isso que os Orixás não podem se manifestar num Batuque de quatro pés antes da balança, pois este é o momento de invocá-los.

Kasun para Bará no Ilé Àse Òrìsà Wúre
Mas será que a pessoa morre mesmo? Perguntariam alguns mais céticos. Existem relatos de pessoas que morreram alguns dias após isto ter acontecido. Não sei se são verdadeiros, ou se um fato tem ligação com outro, mas quem seria tão cético a ponto de soltar a mão na balança só para testar o mito?

Muitas pessoas acreditam que a balança serve para julgar a obrigação que foi feita ou o sacerdote que a dirigiu. Acho essa explicação risível, pois os mesmos que acreditam nisso não dão explicações de como é feito esse julgamento, ou dão explicações contraditórias uns com os outros.

Essas pessoas dizem que se deve cuidar o momento da ocupação dos filhos por seus Orixás. Uns dizem que tem que se contar: se os Orixás se manifestam mais quando a roda fecha ou abre, daí o julgamento será positivo ou negativo. Outros dizem que depende da quantidade: se muitos ou poucos se manifestaram a obrigação está bem ou mal feita. A contradição é que alguns dizem que se todos as pessoas se ocuparem com seus Orixás significa que a obrigação foi tão ruim que todos tiveram que chegar para segurá-la. Mas há os que dizem o contrário: se nenhum Orixá se manifestar é porque a obrigação está mal feita. No entanto, ninguém leva em consideração que nem todo mundo é cavalo-de-santo, então como contar corretamente? Eu também nunca vi ninguém em batuque algum com uma planilha na mão contando: “Esse foi quando abriu. Esse foi quando fechou...” Se fosse para julgar, esse julgamento deveria ser no serão e não na festa, já que a festa é simplesmente o desfecho de uma obrigação que começou há dias atrás.

Em todos os batuques que já presenciei e nas discussões que tive no Orkut, só uma coisa é certa que acontece na balança: a ocupação de filhos por seus Orixás. No meu entendimento esta é sua finalidade.

O interessante é que muitas pessoas dizem que o kasun só existe no Batuque; até eu mesmo afirmei isso no passado. Era o que acreditava até cair em minhas mãos o livro "Orun-Aiye" de José Beniste, onde narra detalhadamente o que no candomblé ketu chamam de "Roda de Xangô". Ele fala sobre uma roda de pessoas voltadas para o centro do salão, girando os braços em movimentos circulares, indo para frente e para trás, movendo a cabeça para os lados, ao som de cânticos de Xangô que, aos poucos, vai acelerando e os Orixás se manifestando. Logo após o ritmo muda para o alujá... 

Não sei se na África existe algum ritual semelhante. Lá os rituais e festas aos Orixás são executados sempre numa clareira em baixo de uma grande árvore (geralmente um baobá), pois se acredita que a árvore é sagrada porque ela liga os dois mundos (imaterial e físico) e é através dela que os Orixás descem à Terra. 

No batuque a cultura da árvore foi completamente esquecida e o kasun ficou como liturgia chave para a manifestação dos Orixás.

Kasun: a dança que transcende os limites do nosso mundo com o mundo dos Orixás.

Pùpó àse gbógbó!


Ilé Yorimá*




ORIXÁ IANSÃ-OIÁ

A IRA DA MULHER BÚFALO


Ogun foi um dia caçar na floresta.
Ele ficou na espreita e viu um búfalo vindo em sua direção.
Ogun avaliou logo à distância que os separava e preparou-se para matar o animal com a sua espada.
Mas viu o búfalo parar e, de repente, baixar a cabeça e despir-se de sua pele.
Da pele saiu uma linda mulher.
Era IANSÃ, vestida com elegância, coberta com panos, um turbante luxuoso amarrado à cabeça e ornada de colares e braceletes.
IANSÃ enrolou sua pele e seus chifres, fez uma trouxa e escondeu num formigueiro.
Partiu, em seguida, num passo leve, em direção ao mercado da cidade, sem desconfiar que Ogum tinha visto tudo.
Assim que IANSÃ partiu, Ogun apoderou-se da trouxa, foi para casa, guardou-a no celeiro de milho e seguiu, também, para o mercado.
Lá, ele encontrou a bela mulher e cortejou-a.
Ogun pediu-a em casamento.
IANSÃ apenas sorriu e recusou.
Ogun insistiu e disse-lhe que a esperaria.
Ele não duvidava de que ela aceitasse sua proposta.
IANSÃ voltou à floresta e não encontrou seu chifre nem sua pele.
IANSÃ voltou ao mercado, já vazio, e viu Ogun que a esperava.
Ela perguntou-lhe o que ele havia feito daquilo que ela deixara no formigueiro.
Ogun fingiu inocência e declarou que nada tinha a ver, nem com o formigueiro nem com o que estava nele.
IANSÃ não se deixou enganar e disse-lhe:
Eu sei que escondeu minha pele e meu chifre.
Eu sei que você se negará a me revelar o esconderijo.
Disse a Ogun que se casaria com ele e viveria em sua casa, mas, mediante certas regras de conduta para com ela.
Estas regras devem ser respeitadas, também, pelas pessoas da casa.
Ninguém poderá dizer a IANSÃ: Você é um animal!
Ninguém poderá utilizar cascas de dendê para fazer fogo.
Ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa.
Ogun respondeu que havia compreendido e levou IANSÃ.
Chegando em casa, Ogun reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como deveriam comportar-se.
Ficara claro para todos que ninguém deveria discutir com IANSÃ, nem insultá-la.
A vida organizou-se.
Ogun saía para caçar ou cultivar o campo.
IANSÃ, em vão, procurava sua pele e seus chifres.
Ela deu à luz uma criança, depois uma segunda e uma terceira.
Ela deu à luz a nove crianças.
Mas as mulheres viviam enciumadas da beleza de IANSÃ.
Cada vez mais enciumadas e hostis, elas decidiram desvendar o mistério da origem de IANSÃ.
Uma delas conseguiu embriagar Ogun com vinho de palma.
Ogun não pôde mais controlar suas palavras e revelou o segredo.
Contou que IANSÃ era, na realidade, um animal.
Que sua pele e seus chifres estavam escondidos no celeiro de milho.
Ogun recomendou-lhes ainda: Sobretudo não procurem vê-los, pois isto a amedrontará.
Não lhes digam jamais que é um animal.
Depois disso, logo que Ogun saía para o campo, as mulheres insultavam IANSÃ:
-Você é um animal! Você é um animal!!
Elas cantavam enquanto faziam os trabalhos da casa:
-Coma e beba, pode exibir-se, mas sua pele está no celeiro de milho!
Um dia, todas as mulheres saíram para o mercado.
IANSÃ aproveitou-se e correu para o celeiro.
Abriu a porta e, bem no fundo, sob grandes espigas de milho, encontrou sua pele e seus chifres.
Ela os vestiu novamente e se sacudiu com energia.
Cada parte do seu corpo retomou exatamente seu lugar dentro da pele.
Logo que as mulheres chegaram do mercado, ela saiu bufando.
Foi um tremendo massacre, pelo qual passaram todas.
Com grandes chifradas IANSÃ rasgou-lhes a barriga, pisou sobre os corpos e rodou-os no ar.
IANSÃ poupou seus filhos que a seguiam chorando e dizendo:
Nossa mãe, nossa mãe! É você mesma?
Nossa mãe, nossa mãe! Que você vai fazer?
Nossa mãe, nossa mãe! Que será de nós?
O búfalo os consolou, roçando seu corpo carinhosamente no deles e dizendo-lhes:
-Eu vou voltar para a floresta; lá não é bom lugar para vocês.
Mas, vou lhes deixar uma lembrança.
Retirou seus chifres, entregou-lhes e continuou:
Quando qualquer perigo lhes ameaçar, quando vocês precisarem dos meus conselhos, esfreguem estes chifres um no outro. Em qualquer lugar que vocês estiverem, em qualquer lugar que eu estiver, escutarei suas queixas e virei socorrê-los.
Eis por que dois chifres de búfalo estão sempre no altar de IANSÃ.

ABUSO

Orixalá sofre frequentemente abusos de sua nora IANSÃ e de sua própria mulher Iemanjá, que o enganou com um orixá de idade superior Orunmilá, e teve uma filha Oxum.
Esta filha de criação se tornou a favorita e a protegida, cozinhando e lavando para ele.

ADOÇÃO

Os Ibejis são filhos paridos por IANSÃ, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos.
Doravante, os Ibejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa, também recebem oferendas.

 ALTERNATIVA PERIGOSA

Logunedé, o menino caçador, andava pelos matos quando um certo dia, passando pela beira do rio, ele viu no meio do rio um palácio muito bonito.
Voltou para sua cidade, relatou a beleza deste palácio e sua vontade de ir até lá.
Disseram a ele que era o palácio de Oxum, Lugar em que nenhum homem punha os pés.
Passou-se o tempo e Logunedé não encontrava um meio de ir até lá.
Um certo dia, encontrou sua mãe de criação, IANSÃ, que lhe confirmou que no palácio de Oxum nenhum homem punha os pés e ele só conseguiria entrar se vestindo como mulher.
Logunedé fascinado e obcecado pelo palácio pediu a IANSÃ que lhe arrumasse os trajes adequados. Depois de arrumado, pegou sua jangada e se pôs no rio a caminho do palácio. 
Pediu permissão à dona do palácio para sua entrada.

Abriram-se os portões e Logunedé entrou e no meio das mulheres Oxum reconheceu seu filho.
Disse que a partir daquele dia Logunedé usaria saia, que lhe daria o direito de reinar ao seu lado.

 AMOR E ÓDIO

Xangô seduz Oxum, raptando-a do palácio de seu pai.
Outras lendas dizem que Xangô tomo-a de Ogum, mas que eles mantiveram uma relação esporádica como amantes.
IANSÃ foi mulher de OGUM, mas foi embora com Xangô.
Oxum seduziu IANSÃ, mas logo abandonou-a e temos finalmente a versão de uma relação entre Ogum e Odé, que apesar disto continuaram suas vidas solitárias na floresta.
Iemanjá casou com Orixalá, mas o traiu com orunmilá.
Xangô casou com IANSÃ, embora ele detestasse Egum e ela detestasse carneiro.

 AXEXÊ

Vivia em terras de keto um caçador chamado Odulecê, era o líder de todos os caçadores, ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá, que por seus modos espertos e ligeiros era conhecida por OIÁ.
OIÁ tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar de destaque naquele povo.
Mas um dia a morte levou Odulacê, deixando OIÁ muito triste.
A jovem pensou numa forma de homenagear o seu pai adotivo, reuniu todos os instrumentos de caça de Odulacê e enrolou-os num pano.
Também preparou todas as iguarias que ele tanto gostava de saborear.
Dançou e cantou por sete dias, espalhando por toda parte, com seu vento, o seu canto, fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.
OIÁ embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de Odulacê.
Olorun, que tudo via, emocionou-se com o gesto de OIÁ e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos no caminho do Orum.
Transformou Odulacê em orixá e OIÁ na Mãe dos espaços dos espíritos.
Desde então todo aquele que morre tem seu espírito levado ao Orum por OIÁ.
Antes, porém, deve ser homenageado por seus entes queridos, numa festa com comidas, canto e danças.

 CABAÇAS

 IANSÃ, a primeira esposa de Xangô, teria ido, a seu mando, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê.
Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô.
IANSÃ foi e lá Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora.
IANSÃ ia muito apressada e não agüentava mais segurar o segredo.
Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluaiê.
Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para o céus.
Quando terminaram os ventos, IANSÃ voltou e quebrou a segunda cabaça.
Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii!
Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.


 CAVALO BRANCO

Xangô se casou com Obá em kossô entre uma conquista e outra. Eles eram muito felizes no casamento, apesar do rei não poder ver um rabo de saia em sua frente.
Um dia Xangô viu OIÁ lavando roupas na beira do rio, e se apaixonou perdidamente por ela, a quem imediatamente propôs matrimônio.
Numa certa feita o galante senhor se deparou com a bela Oxum a se mirar cantando, com seu abebé de ouro, em cima de um rochedo na cachoeira, e se enamorou dela que veio a ser a terceira esposa.
As três viviam a tranco e barranco por causa de Xangô.
Obá comprou um cavalo branco belíssimo, e o ofereceu a Xangô que adorou.
Após, algum tempo Xangô partiu para a guerra e levou Oiá na garupa deste cavalo.
Obá e Oxum esperavam pela volta de Xangô.
Obá muito triste resolveu procurar Orunmilá, que lhe disse que Xangô estava bem e vivendo feliz com Oiá; ditando o seguinte ebó para trazer ele de volta para conviver as três juntas: deveria pegar um rabo de cavalo branco, novo e prepara-lo com alguns ingredientes e dependura-lo no teto da casa.
Obá conversou com Oxum que incumbiu o senhor Bará de executar o serviço ou seja: conseguir a cauda de cavalo .
Só que por orientação de Oxum o Bará foi atrás e pegou o rabo do cavalo branco do senhor Xangô sem que Obá suspeitasse de nada.
Obá recebeu a cauda e preparou o ebó dependurando a cauda no teto.
No terceiro dia Xangô chegou em casa abatido com a morte do seu cavalo branco.
Quase caiu para trás quando viu a cauda do cavalo dependurada no teto.
Oxum apressou-se em explicar que Obá era a responsável por tudo.


CAVALO MARINHO 

Certo dia Logunedé saiu para caçar.
Quando estava no topo de uma cachoeira, olhou para baixo e viu uma linda mulher sentada nas pedras, tomando banho e se penteando.
Ele ficou fascinado pela beleza desta mulher.
Aí ele desceu e ficou olhando-a escondido.
Oxum com seu abebe, viu que havia um homem a observando.
Virou o abebe para ele.
Neste momento Logunedé se encantou e caiu nas águas em forma de cavalo marinho.
IANSÃ quando soube, correu atrás de Oxum e disse a ela que aquele menino que ela havia encantado era seu filho: Logunedé, que um dia ela havia deixado em cima de um lírio.
Oxum desfez o encantamento e disse que a partir daquele dia Logunedé viveria seis meses na terra como o pai, comendo da caça e seis meses viveria como a mãe, comendo do peixe.


CLAUSURA

Euá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu castelo como se estivesse numa clausura.
O amor de Obatalá por ela era muito estranho.
A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes, inclusive ao reino de Xangô.
Mulherengo como era, Xangô planejou como iría seduzir Euá.

Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá.
Um dia Euá apareceu na janela e admirou-se de Xangô.
Nunca havia visto um homem como aquele.
Não se tem notícia de como Euá se entregou a Xangô,no entanto,arrependida de seu ato,pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem lhe enxergasse.
Obatalá deu-lhe o reino dos mortos.

Desde então é Euá quem, no cemitério, entrega a OIÁ os cadáveres que Obaluaiê conduz para que Orisá-Okô os coma.


CONFLITO

Um dia, foram juntas ao mercado OIÁ e Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum.
Bará entrou no mercado conduzindo uma cabra.
Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.
Aproximou-se de Iemanjá, Oia e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmilá.
Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios.
Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido. Iemanjá, OIá e Oxum concordaram e Bará partiu.
A cabra foi vendida por vinte búzios.
Iemanjá, OIÁ e Oxum puseram os dez búzios de Bará a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam.
Iemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um.
Não era possível dividir os dez em três partes iguais.
Da mesma forma Oiá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual.
Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.
Iemanjá disse:
-é costume que os mais velhos fiquem com a maior porção, portanto, eu pegarei um búzio a mais.
Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.
Oiá intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.
As três não conseguiam resolver a discussão.
Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios entre elas.
Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais, e sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha, mas OIÁ e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho, elas se recusaram a dar a Iemanjá a maior parte.
Pediram a outra pessoa que dividisse e os búzios.
Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual.
Propôs que a parte maior fosse dado à mais nova, Iemanjá e OIÁ.
Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão, ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado, ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova o búzio devia ser dado a OIÁ, mas Iemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho, elas se recusaram a dar o búzio extra a OIÁ não havia meio de resolver a divisão.
Bará voltou ao mercado para ver como estava a discussão ele disse:
-onde está minha parte?
Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo igual.
Bará deu três a Iemanjá, três a OIÁ e três a Oxum.
O décimo búzio ele segurou, colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.
Bará disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no orun.
Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados, dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro este é o jeito como é feito no céu assim também na terra deve ser. 


COROA da CABEÇA

OIÁ estava trabalhando com Ogum, seu marido ferreiro, na oficina dele no dia dos ancestrais.
Ogum batia o ferro na bigorna enquanto OIÁ assoprava o fogo com o fole.
OIÁ alegre como sempre, trabalhava e produzia música.
Conseguindo involuntariamente atrair os Egunguns para a porta da oficina.
Ogum ficou tão orgulhoso de OIÁ que tirou o próprio capacete da cabeça, acorô, e ofereceu a OIÁ chamando-a acorô de minha cabeça.


DANÇARINA

Certa vez houve uma festa com todos os Orixás presentes.
Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha.
Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Só OIÁ, corajosa, atirou-se na dança com o senhor da Terra.
Tanto girava OIÁ na sua dança que provocava vento.
E o vento de OIÁ levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato e em recompensa, dividiu com ela o seu reino.
Fez de OIÁ a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é OIÁ Igbalé, a condutora dos Eguns.
OIÁ então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava, agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Eguns para o outro mundo.
Rainha OIÁ Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.



CHUVA DA CURA

Chegando de viagem, Omulú viu que estava acontecendo uma grande festa com a presença de todos os Orixás.
Devido à sua timidez e vergonha, decidiu ficar do lado de fora, espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogun, percebendo a angústia do irmão, convidou-o para entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Omulú entrou, mas ninguém se aproximava dele.
IANSÃ tudo acompanhava com o rabo do olho.
Ela compreendia a triste situação de Omulú e dele se compadecia.
A festa estava muito animada e IANSÃ esperou que ele estivesse bem no meio do barracão.
Os Orixás dançavam alegremente com suas equedês. IANSÃ chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha, levantou-lhe as palhas que cobriam sua pestilência.
Neste momento de encanto e ventania, as feridas de Omulú pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão.
Omulú, o Orixá das doenças, transformara-se num jovem, num jovem belo e encantador.
Omulú e IANSÃ tornaram-se grandes amigos e reinam juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os humanos.


 DESENTENDIMENTO

OIÁ andava pelo mundo disfarçada de novilha.
Um dia Odé a viu sem a pele e se apaixonou.
Casou-se com Oiá e escondeu a pele da novilha, para ela não fugir dele.
OIÁ teve dezesseis filhos com Odé.
Oxum, que era a primeira esposa de Odé e que não tinha filhos, foi quem criou todos os filhos de OIÁ.
O primeiro a nascer chamou-se Togum.
Depois nasceram os gêmeos, os Ibejis, e depois deles, Idoú.
Nasceu depois uma menina Alabá, seguida do menino Odobé.
E depois os demais filhos de OIÁ e Odé.
Os meninos pareciam-se com o pai, as meninas, com a mãe.
OIÁ tinha os filhos que Oxum criava e assim viviam na casa de Odé.
Um dia as duas mães se desentenderam.
Oxum mostrou a OIÁ onde estava sua pele.
OIÁ recuperou a pele de novilha, reassumiu sua forma animal e fugiu.


DIREITO ADQUIRIDO

 Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia.
OIÁ era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta.
OIÁ havia domado e treinado um macaco marrom.
Utilizara para isso um galho de atori (ixan) e o vestia com uma roupa feita com várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.
Seguindo um ritual, conforme OIÁ brandia o ixan no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer.
Deste modo, durante a noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres, que estavam escondidas faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados.
Cansados de tanta humilhação, os homens foram ver o babalao para tentar descobrir o que estava acontecendo.
Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalao lhes conta a verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia.
Ogun foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres.
Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu.
Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares.
Todas fugiram apavoradas, inclusive OIÁ.
Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de Egun.


DESCOBERTA

Há quem diga que OIÁ foi namorada de Obaluaê e conseguiu que ele mostrasse o rosto sob as palhas.
Provocou um grande vento e o azê foi levantado.
Ficou surpresa por que o rosto de Obaluaê era belíssimo.
Obaluaê gosta muito de OIÁ e de sua espontaneidade desinteressada.
Ela é alegre, bonita, brejeira e generosa muitas vezes OIÁ acompanha Euá em suas inúmeras viagens ao céu, rumo ao reino de Oxumarê, e em contrapartida OIÁ é acompanhada pela Euá no transporte dos espíritos do aiê ao orun.


DESOBEDIENTE

Xangô enviou OIÁ em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz.
OIÁ, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder.
OIÁ foi ao entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final do seu reinado, segui-o na sua fuga para Tapá.
E, quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra, em Kossô ela fez o mesmo em Irá.


 ENFORCADO

Certa feita Xangô quase é convencido por Euá e Ossaim a se enforcar.
Seu reino, de Oió estava afundando e ele, ingenuamente, fora se aconselhar com Euá, a qual junto com Ossaim, que lhe aconselhavam a enforcar-se e morrer gloriosamente.
Se não fosse OIÁ, o rei teria se enforcada mesmo.


ESTRONDO

 Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres, IANSÃ, Oxum e Obá, muitos servos, exércitos, gado e riquezas.
Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com IANSÃ.
Ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes.
Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram o céu.
Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido.
Ele e IANSÃ correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém.
Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra.
IANSÃ o imitou.

 FERRO E RAIOS

Antes de se tornar mulher de Xangô, OIÁ tinha vivido com Ogum.
A aparência do deus do ferro e dos ferreiros causou-lhe menos efeito que a elegância, o garbo e o brilho do deus do trovão.
Ela fugiu com Xangô, e Ogum, enfurecido, resolveu enfrentar seu rival.
Mas este último foi à procura de Olodumaré, o deus supremo, para lhe confessar que havia ofendido a Ogum.
Olodumaré interveio junto ao amante traído e recomendou-lhe que perdoasse a afronta.
E explicou-lhe:
-Você, Ogum, é mais velho do que Xangô!
Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô e aos dos outros orixás, você não deve se aborrecer nem brigar e sim renunciar a OIÁ sem recriminações.
Mas Ogum não foi sensível a esse apelo, dirigido aos sentimentos de indulgência.
Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à perseguição dos fugitivos e, trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel, que foi, então, dividida em nove partes.

FOGO PELA BOCA

Xangô enviou IANSÃ em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz.
OIÁ, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder.

 FUJIDINHA

Oxum teve uma grande paixão na sua vida: Odé, mais na época era casada com Ogun e não podia ter nada com Odé.
Numa das saídas de Ogun para guerrear, Oxum encontrou Odé e dele ela engravidou.
Nove meses depois, quando a criança estava para nascer, Ogun mandou recado que estava regressando.
Oxum não podia mostrar a ela a criança.
Ela deu a luz a um menino e o pôs em cima de um lírio e ali o deixou e foi embora.
IANSÃ passando viu aquela criança e sabia que era de Oxum, pegou e criou Logunedé.
IANSÃ o ensinou a caçar e pescar.
Logunedé viveu com IANSÃ durante muito tempo.


FILHOS DA VIOLÊNCIA

OIÁ não podia ter filhos, procurou o conselho de um babalaô, ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um homem com violência.
Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação OIÁ teve nove filhos, desses filhos, oito nasceram mudos.
OIÁ procurou novamente o babalaô, ele recomendou que ela fizesse oferendas.
Tempos depois nasceu um filho que não era mudo, mas tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa.
Esse filho foi Egungum, o antepassado que fundou cada família.
Hoje, quando Egungum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de OIÁ se curva Egungum.

 MAL AMADO

Logunedé tinha tudo, menos o amor das mulheres, pois mesmo IANSÃ, quando roubada de Ogum por Xangô, abandona Logunedé com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre Xangô e Logunedé, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.


SEDUÇÃO E CONHECIMENTO

Embora tenha sido esposa de Xangô, IANSÃ percorreu vários reinos e conviveu com vários reis.
Foi paixão de Ogum, Oxaguiam e de Bará.
Conviveu e seduziu Odé, Logunedé e tentou em vão relacionar-se com Obaluaê.
IANSÃ percorreu vários reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo.
Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro.
Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou dele o direito de usá-la.
Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Oxaguiam. Com ele aprendeu o uso do escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de usá-lo.
Depois partiu e nas estradas deparou-se com Bará. Com ele aprendeu os mistérios do fogo e da magia.
No reino de Odé, seduziu o deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Bará.
Seduziu Logunedé e com ele aprendeu a pescar.
Foi para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e conhecer seu rosto.
Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluaê perguntou o que OIÁ queria e ela respondeu: 
-queria ser sua amiga. 
Então, fez sua dança dos ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo, sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluaiê.

Incapaz de seduzi-lo, Iansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse. Assim dirigiu-se ao homem da palha: 
-Aprendi muito com os outros reis, mas só me falta aprender algo contigo.
- Quer mesmo aprender, OIA?

-Vou te ensinar a tratar dos Mortos.
Venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o reino de Xangô, pois lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente.

Mas ao chegar ao reino do rei do trovão, IANSÃ aprendeu mais do que isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração.
O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orixá do Fogo.


NA MESMA MOEDA

Conta o mito que OIÁ disputava com o marido Ogum o primeiro lugar em valentia.
Um belo dia, OIÁ convocou todas as mulheres na tarefa de pregar uma peça no senhor da guerra.
Para isto vestiram um macaco com panos coloridos dos pés a cabeça e soltaram o animal no local onde Ogum costumava passar. Quando Ogun viu o monstrengo correu, para deleite de OIÁ e das outras mulheres.
A façanha se repetiu por 3 dias, encarregando-se OIÁ de espalhar o ocorrido.
Após o terceiro dia de susto Ogun resolveu consultar Orunmilá, que o orientou a chegar no lugar dos fatos 2 horas antes do horário costumeiro e se escondesse na mata. Cumprindo o determinado pelo senhor da adivinhação Ogun colocou-se a espreita e viu todo o ocorrido com indignação.
Jurou vingança, furioso juntou os homens e deu o troco em OIÁ e nas demais mulheres, com a mesma moeda.
Vestiu um macaco do mesmo jeito e esperou que elas chegassem. Não deu outra, elas saíram gritando de medo e, como punição as mulheres foram excluídas de participar do segredo do culto dos Eguns.


O ENCANTADO

Logunedé era filho de Odé com Oxum.
Príncipe do encanto e da magia.
Odé e Oxum eram dois Orixás muito vaidosos.
Orgulhosos, eles viviam às turras.
A vida do casal estava insuportável e resolveram que era melhor separar.
O filho ficaria metade do ano nas matas com Odé e a outra metade com Oxum no rio.
Com isso, Logunedé se tornou uma criança de personalidade dupla: cresceu metade homem, metade mulher.
Oxum proibiu Logunedé de brincar nas águas fundas, pois os rios eram traiçoeiros para uma criança de sua idade.
Mas Logunedé era curioso e vaidoso como os pais.
Logunedé não obedecia à mãe.
Um dia Logun nadou rio adentro, para bem longe da margem.
Obá, dona do rio, para vingar-se de Oxum, com quem mantinha antigas brigas, começou a afogar Logun.
Oxum ficou desesperada e pediu a Orunmilá que lhe salvasse o filho, que a amparasse nos seu desespero de mãe.
Orunmilá que sempre atendia à filha de Oxalá, retirou o príncipe das águas traiçoeiras e o trouxe de volta à terra.
Então deu-lhe a missão de proteger os pescadores e a todos que vivessem das águas doces.
Dizem que OIÁ quem retirou Logunedé da água e terminou de criá-lo juntamente com Ogun.


OFERTÓRIO

Xangô e IANSÃ tiveram filhos gêmeos, os Ibejis.
As crianças eram lindas e cresciam fortes para alegria e orgulho de seus pais.
Houve, porém, na cidade em que viviam, uma peste avassaladora que infectava e matava crianças em poucas horas.
Para desespero de IANSÃ, um dos gêmeos foi vitima da doença e morreu sem que ninguém pudesse fazer nada para salvá-lo.
IANSÃ, a partir desse dia, entrou em profunda depressão, a vida já não apresentava motivos para seguir adiante. Soprou o vento que sempre trazia, para longe e já não comandava as grandes tempestades que passaram a destruir de forma implacável todas as terras.
Em um de seus desvaneios, arrumou um boneco de madeira e vestindo-o, colocou-o num lugar de honra em sua casa. Era o canto sagrado que ninguém podia transpor apenas ela podia ali entrar acompanhada de sua mágoa e dor.
Todos os dias entregava um pequeno presente aos pés do boneco e chorava copiosamente enquanto conversava como se fosse seu pequeno filho.
Olorum, ao ver tamanha tristeza, teve tanto dó da mãe sofredora, que uma lágrima pura e límpida caiu de seus olhos exatamente sobre a cabeça do boneco.
A pequena gota mágica fez o menino reviver e IANSÃ teve seu filho de volta.
Ainda hoje os Ibejis e outras crianças, com sua alegria infantil correm pelos jardins do Orum, sempre observados com doçura pelo amoroso olhar materno da grande guerreira.

PERALTAGEM

Certa ocasião IANSÃ encontrou Oxalá queixando-se de uma ferida na perna e, dizendo que iria cura-lo colocou sal e pimenta e cobriu-lha a ferida com uma ..., abandonando Oxalá. E quem socorreu foi Oxum.


PROIBIÇÃO

OIÁ não podia ter filhos, e foi consultar o babalao.
Este lhe disse, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria.
Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar que proibia comer carne de carneiro.
O sacrifício seria de 18.000 mil búzios como pagamento, muitos panos coloridos e carne de carneiro.
Com a carne ele preparou um ebó para que ela o comesse, e nunca mais ela deveria comer desta carne.
Quanto aos panos, deveriam ser entregues como oferenda.
Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos. Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de Iyá omo mésan, que quer dizer a mãe de nove filhos e que se aglutina IANSÃ.


RECOMPENSA

Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Xapanã que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos IANSÃ, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de IANSÃ que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas agora é tarde, Xapanã não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de IANSÃ, Xapanã dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos.
Mas daquele dia em diante, Xapanã declarou que somente dançaria sozinho. 


 REVANCHE

Toda vez que Obá passava a mão no rosto, ou se mirava nas águas de seu rio, a odô obá vê o aleijão provocado pela velharia de Oxum.
Desejando vingar-se de Oxum da forma que mais a atingisse.
Logunedé era um menino pequeno muito travesso, que morava com sua avó Iemanjá, ele era filho de Oxum com Odé, mas um dia, o levado garoto escapou da vigilância de Iemanjá que era sua mãe adotiva e foi passear pelo mundo, andando e andando, avistou uma senhora toda vestida de roupa de montaria, em cima de uma pedra, dentro do rio barulhento, que lhe perguntou o nome.
Quando ele disse, Obá perdendo o juízo, arquitetou sua vingança. Seria a melhor vingança.
Mataria afogado o filho da Oxum.
Obá chamou-o para cima do rochedo que ela se encontrava, estimulando ele a andar de cavalo marinho e barco dourado.
Quando o menino estava se aproximando do rochedo e dali para a água, repentinamente um furacão o lançou pelos ares, conduzindo-o até a presença da avó Iemanja.
OIÁ explicou o por que que salvara o menino, e pediu agô para sua mãe.


SALMORA

IANSÃ tomou uma moringa pertencente a Orixalá, elemento do seu assentamento ritual e jogara-a ao mar. Oxalá Não pode pegar de volta por causa...


SEGURANÇA

OIÁ queria Xangô só para ela, pois sofria quando ele saía.
Para impedir que Xangô saísse de casa, chamou os mortos a sua presença, e a casa de OIÁ ficou cercada de Eguns, assim Xangô tornou-se prisioneiro de OIÁ.
Cada vez que ele tentava sair e abria a porta, os Eguns vinham ao seu encontro chiando.
Xangô aterrorizado não saía a rua, um dia na ausência de OIÁ, Oxum foi visitar Xangô que lhe contou tudo.
OXUM preparou uma garrafada com aguardente, mel, e pó de efum.


SÓ COM PERMISSÃO

Os Ajés se tinham como o todos poderosos sobre os Eguns fazia-os aparecer e desaparecer, obrigando-os a satisfazer todos os seus desejos sem o consentimento de OIÁ.
Sabendo disto, OIÁ resolveu pregar uma peça nos ajés.
Vestiu-se de Egum e saiu pela floresta. Vendo aquilo os ajés pegaram os ixãs e saíram em sua perseguição de repente OIÁ viu um buraco na terra e ali entrou.
Os ajés disseram: ele entrou por aqui e por aqui tem que sair. Ali ficaram até o anoitecer e quando, ao longe, ouviram o ilá de OIÁ perceberam no alto da montanha que ela tirava a roupa de Egum.E desde daquele dia só com o consentimento de OIÁ pode-se fazer qualquer coisa para Egun.


TEIMOSA

IANSÃ era uma das esposa de Xangô, mas diferente das outras duas que era Obá e Oxum, IANSÃ era mais teimosa e tinha espírito desafiador.
Um belo dia ela resolveu pegar para sí os cristais de Xangô os quais controlavam as almas, Xangô percebendo que tinha sido roubado foi consultar o Ifá que lhe disse que uma das esposas o havia traído lhe roubando os cristais.
Então seguindo o conselho dado por Ifá,chamou as suas três esposas e perguntou quem tinha roubado os cristais então IANSÃ foi abrir a boca para falar que não havia sido ela e saiu raio pela sua boca então Xangô logo percebeu quem foi a culpada.
Antes que Xangô pudesse castiga-la ela fugiu para as matas.
E levou com ela os cristais é claro e tornou-se uma condutora de Eguns.


TEMPESTADE

Oxaguian estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear.
Ogun fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguian pediu a seu amigo Ogun urgência, mas o ferreiro já fazia o possível.
O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo.
Tanto reclamou Oxaguian que OIÁ, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogun a apressar a fabricação.
OIÁ se pôs a soprar o fogo da forja de Ogun e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente.

Logo Ogun conseguiu fazer muitas armas e com as armas Oxaguian venceu a guerra.
Oxaguian veio então agradecer Ogun.
E na casa de Ogun enamorou-se de OIÁ.
Um dia fugiram Oxaguian e OIÁ, deixando Ogun enfurecido e sua forja fria.
Quando mais tarde Oxaguian voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, OIÁ teve que voltar a avivar a forja.
E lá da casa de Oxaguian, onde vivia, OIÁ soprava em direção à forja de Ogun.
E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguian da de Ogun.
E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas que com furor atiçava.
E o povo se acostumou com o sopro de OIÁ cruzando os ares e logo o chamou de vento.
E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava OIÁ a forja de Ogun. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.
O povo reconhecia o sopro destrutivo de OIÁ e o povo chamava a isso tempestade.


TRAIÇÃO

OIÁ estava muito triste, e Euá lhe perguntou o motivo de tamanha tristeza.
OIÁ não parava de chorar, respondendo que era por causa da traição do carneiro, que quase a levara a morte.
Ela tivera que se transformar numa abóbora no meio de uma plantação de muitas abóboras, para conseguir salvar sua pele.
Será eternamente grata a abóbora.
Jamais comeria abóbora por gratidão.
O carneiro dava de seu amigo, mas na verdade era um tremendo traidor, alcaguete de primeira..., ele conduziu os inimigos de OIÁ, a sua procura, para o lugar onde ela costumava ficar.
E ele era meu amigo-Euá-amigo do peito! Amigo e confidente, ele comia na minha gamela e dormia na minha esteira.
OIÁ sempre foi ingênua, não aceitava a verdade: que os amigos é que mais causam problemas.


Ilé Yorimá*


HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ

HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ Vamos conhecer agora a história de Xangô, um orixá bastante sedutor, que havia sido disputado por três mulh...