Muito bom dia aos meus caríssimos e fraternos irmãos da
nossa querida YORIMÁ, SABEDORIA! Chegamos enfim, ou já, no dia 08 de Dezembro
desse derradeiro ano ... então, temos apenas 23 dias para o término desse
último mês do ano.
Vocês têm conhecimento de que o sincretismo que ainda é
utilizado tanto na Umbanda como no Candomblé, faz surgirem dúvidas como essa: -
Afinal dia 8 de Dezembro é de Iemanjá ou Oxum? – Respondo: - Depende do
sincretismo que sua casa adotou.
Vejamos: Em milhares de terreiros em São Paulo, Iemanjá é
sincretizada com Nossa Senhora da Conceição que é louvada no dia 8 de Dezembro.
Já em outras regiões, como a Bahia, por exemplo, o sincretismo se faz com Nossa
Senhora dos Navegantes, cujos festejos ocorrem no dia 2 de Fevereiro, ou seja,
é uma questão de regionalismo sincrético.
Isso muda alguma coisa para nós, integrantes da Umbanda e do
Candomblé? Não! Na realidade tanto em um dia como em outro, nossas homenagens
são para Iemanjá, a rainha do mar, que nada tem a ver com as santas citadas
(que na verdade é apenas uma - Maria, a mãe de Jesus- apesar do plural ).
Apenas seguimos o calendário católico para que haja uma data de louvor à grande
mãe dos Orixás. Ninguém está errado desde que tenhamos em mente as diferenças
existentes entre a Orixá e a Virgem. Louvamos ambas. Porque não?
Iemanjá, Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, ou Yemoja, Dandalunga (angolas), Kaiala (congos), Janaína, Inaê, Sobá,
Oloxum, Princesa de Aiucá, Sereia Mukunã, Senhora da Calunga Grande, Rainha do
Mar ou Senhora da Coroa Estrelada.
Estes são alguns dos nomes que designam Yemanjá, a Divindade
que na Umbanda é a Grande Mãe, a Mãe da Geração.
Yemanjá é a Divindade que está assentado no pólo universal
positivo ou irradiante do Trono da Geração e da Vida e que rege a Sétima Linha
de Umbanda (Linha da Geração), onde polariza com o Orixá Omolu (Trono Masculino
da Geração), cujo magnetismo é negativo ou absorvedor.
Yemanjá, a Mãe da Vida, é a água que vivifica; e Pai Omulu é
a terra que amolda os viventes.
O campo preferencial de atuação de Yemanjá é no amparo à
maternidade, porque Ela é Senhora do Mistério Maternal. Simboliza a
maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente, “a Mãe da Vida”.
Mãe Yemanjá representa a Manifestação das Qualidades
Geradora e Criativa do Divino Criador. É o Orixá Universal que irradia
continuamente as Qualidades geradoras da vida e da criatividade, abençoando
todos os seres de forma natural, sem forçar ninguém. E sempre ampara aqueles
que pedem e buscam essas bênçãos.
Ela irradia o tempo todo seu Fator Gerador e Criacionista,
que estimula a geração e a criatividade das pessoas, trazendo oportunidades de
crescimento nos Sete Sentidos da Vida, pois irá estimular a geração de vidas,
de idéias, de fé, de amor, de conhecimento etc.
Nos mitos da Criação do Universo, Ela é a representação do
Princípio Feminino, é “o aspecto Mãe” do Criador. É conhecida como “a Mãe de
todos os Orixás” porque está na origem de todas as coisas.
O principal elemento de Yemanjá é a água, o elemento das emoções. O mar é
regido por Ela; e a Ciência estuda que a origem da vida está nas águas.
O mar representa todas as águas, já que todas as águas
correm para o mar. E o mar “lava” os nossos problemas e mágoas e renova a nossa
vontade de viver, justamente porque a sua energia é uma Emanação da Mãe da
Vida. Assim, podemos pedir a Yemanjá que nos ajude a lidar com as nossas
emoções e a equilibrá-las.
A Regência de Yemanjá vai muito além da geração através do
sexo, pois representa a Geração da Vida no sentido mais amplo: a geração dos
seres, das criaturas e das espécies; e a doação da criatividade que permite aos
seres encontrarem seus “pares”, unindo-se a eles para se multiplicarem e
conseguirem melhores resultados nas suas vidas. Esses “pares” são as Energias
emanadas por este Orixá, que podemos atrair para nos ajudar a desenvolver
nossos potenciais; e também podem surgir como pessoas, companheiros, parceiros
de caminhada, grupos de estudos e atividades etc. Tudo isso está contido no
Mistério Maternal de Yemanjá, que nos dá equilíbrio emocional e energético,
gerando novos caminhos e oportunidades em nossas vidas.
Desse modo, podemos pedir à Mãe Yemanjá a bênção da
criatividade sempre que formos iniciar algum projeto novo e quando precisarmos
encontrar novas fórmulas de viver e novos caminhos (de trabalho, de fazer as
coisas, de encarar os desafios da vida).
Associada ao movimento das águas e à fertilidade, Yemanjá é
dona de grande poder de sedução e capaz de encantar os marinheiros e
arrastá-los para o seu palácio submerso, de onde nunca mais retornam… Podemos
entender isso como a necessidade que o ser humano tem de manter o equilíbrio
emocional, para não cair num mergulho em emoções desequilibradas, sempre de
difícil retorno…
Suas águas salgadas simbolizam as lágrimas de uma mãe que
sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando
rumos independentes.
Além de protetora da vida marinha, Yemanjá é principalmente
a protetora da harmonia familiar, do lar, do casamento e do nascimento, é a Sua
força que ampara o momento do nascimento de um bebê.
A Regência de Yemanjá em nossas vidas se manifesta na
necessidade de sabermos se aqueles que amamos estão bem e protegidos; é a
preocupação, é o amor ao próximo, principalmente em relação àqueles que nos são
queridos.
É Ela quem nos dá um sentido de união, de grupo,
transformando a convivência num ato familiar, criando dependências e raízes,
proporcionando sentimentos de irmão para irmão, de pai para filho, com ou sem
laços consanguíneos. É uma energia Sagrada que nos integra no Todo da Criação
de forma amorosa e maternal.
Nos templos africanos, é retratada como uma mulher de seios
fartos e semblante calmo, porém decidido. O simbolismo dos “seios fartos” é o
da Grande Mãe que provê o alimento necessário a todos os filhos. E aqui a
palavra “alimento” corresponde às Energias Divinas que Ela não cessa de
Irradiar sobre todos os seres, espécies e elementos, mantendo e renovando a
imensa Teia da Vida.
HISTÓRIA
Yemanjá na África – Yemanjá ou Yemoja é o Orixá dos Egbá,
uma Nação Iorubá outrora estabelecida na região entre Ifé e Ibadan, onde existe
ainda o rio Yemoja. Yemanjá era cultuada às margens desse rio.
Seu nome, assim como o de todos os Orixás, vem da cultura
Nagô, de língua Iorubá, e deriva de “Yèyé Omo Ejá”, que significa a Mãe cujos
filhos são peixes ou a Mãe de muitos filhos (Yèyé ou Yê= mãe; Omo= filhos; Ejá=
peixes).
As guerras entre Nações Iorubás levaram os Egbá a emigrarem
na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Obviamente que não
poderiam levar consigo o rio Yemoja, então os Egbá transportaram os objetos
sagrados de suporte do axé da Divindade, passando a cultuá-la no rio Ògùn, que
atravessa a região. Pierre Verger afirma que este rio Ògùn não deve ser
confundido com Ogum, o deus do ferro e dos ferreiros, baseando esta afirmação
nos ensinamentos mais antigos e tradicionais sobre a Divindade Ogum, e
inclusive contrariando escritos de alguns autores do final do século passado.
O principal templo de Yemanjá está em Ibará, um bairro de
Abeokutá. Seus fiéis, todos os anos, vão buscar a água sagrada numa fonte do
rio Lakaxa, que é um afluente do rio Ògùn, para lavar os axés da Divindade.
Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por
pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. Na
volta, o cortejo vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.
Entre os Egbá, Yemanjá ou Yemojá é saudada como “Odò ìyá”
(Odo=rio; ìyá= mãe). Ela é filha de Olokun, Divindade riquíssima, dona do
oceano e de todas as suas riquezas. Em Ifé, Olokun é uma Divindade feminina,
uma deusa do mar; e em Benin e Lagos, é cultuada como Divindade masculina, é um
deus do mar.
Numa história de Ifá, Yemanjá aparece casada pela primeira
vez com Orumilá, Senhor das Adivinhações; e depois com Olofin, Rei de Ifé.
Segundo as lendas, desse casamento com Olofin, Yemanjá teve
dez filhos, entre eles Oxumarê (“O arco-íris que se desloca com a chuva e
guarda o fogo nos seus punhos”) e Xangô (“O trovão que se desloca com a chuva e
revela seus segredos”).
Yemanjá também foi casada com Oxalá; união que representa a
fusão do céu com o mar, no horizonte.
Considerada a Mãe de todos os Orixás e da humanidade,
Yemanjá simboliza a manifestação da procriação, da restauração das emoções e a
fecundidade. É a grande provedora, que proporciona o sustento a todos os seus
filhos. (Do livro “Orixás” – Pierre Fatumbi Verger – Editora Corrupio.)
Yemanjá no Novo Mundo – Yemanjá é uma Divindade muito
popular no Brasil e em Cuba.
Usa roupas cobertas de pérolas e tem filhos no mundo
inteiro. Está em todo lugar aonde chega o mar.
Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas,
guardadas numa porcelana azul.
Nas religiões de matriz africana, o sábado é o dia da semana
que lhe é usualmente consagrado, juntamente com outras Divindades femininas.
Suas comidas rituais ou votivas consistem de carneiro e
pato, além de preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola.
Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e
vestem-se, de preferência, de azul-claro.
Em Cuba, Yemanjá é reverenciada como Yemajá ou Yemayá e
também relacionada às cores azul e branca. É uma Rainha do Mar Negra, que
assume o nome cristão de “La Virgen de la Regla” e faz parte da Santeria, como
Santa Padroeira dos portos de Havana.
Yemanjá no Brasil– Entre as Mães Orixás, Yemanjá é a mais
popular, sendo festejada em todo o Brasil como a Rainha do Mar, a Padroeira dos
náufragos, a Grande Mãe, a Mãe de todas as cabeças humanas. Na versão de Pierre
Verger, Ela representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de
vários filhos (peixes), que adora cuidar de crianças e de animais domésticos.
Além dos muitos nomes africanos pelos quais é conhecida, a forma
portuguesa Janaína também é utilizada; e foi criada como a maneira mais branda
de “sincretismo” encontrada pelos africanos aqui escravizados para a
perpetuação dos seus Cultos. Várias composições de autoria popular foram
realizadas de forma a saudar a “Janaína do Mar”, e algumas como canções
litúrgicas.
Diz JORGE AMADO: “Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida
por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a
religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da
liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na
floresta”.
Se na África Yemanjá é relacionada a um rio, no Brasil Ela é
associada às águas salgadas do mar; já que as águas doces dos rios são o
domínio de Oxum. Por isso, as praias são o palco sagrado de grandes festas de
homenagem a Yemanjá.
No Brasil, Yemanjá goza de grande popularidade entre os
seguidores da Umbanda, do Candomblé, do Batuque, do Xambá, do Xangô do
Nordeste, do Omolokô e mesmo entre fiéis de outras religiões, pois o arquétipo
da Grande Mãe está presente no inconsciente dos povos. Muitas festas a
homenageiam. Flores, perfumes, jóias e bijuterias são algumas das oferendas que
recebe nessas ocasiões.
No Rio de Janeiro e em Natal, Yemanjá é homenageada na
passagem do ano.
Na Bahia e no Rio Grande do Sul, as maiores festas acontecem
no dia 02 de fevereiro. A grande festa baiana ocorre na Praia do Rio Vermelho,
em Salvador. Já no Rio Grande do Sul os maiores festejos são em Porto Alegre e
Pelotas.
Em São Paulo e em João Pessoa, na Paraíba, Yemanjá é
celebrada no dia 08 de dezembro. Na mesma data, a Bahia realiza duas outras
festas para a Mãe das Águas.
Em São Paulo, as maiores comemorações ocorrem no município
de Praia Grande, Litoral Sul, com milhares de fiéis. A tradição teve início em
1969, quando uma grande imagem de Yemanjá foi colocada perto da Vila Mirim, por
iniciativa de Pai Demétrio Domingues e de outros líderes Umbandistas da época.
Vale lembrar que o dia 08 de dezembro é consagrado a Nossa Senhora da
Conceição, dentro da liturgia Católica, e que esta Santa sincretiza com o Orixá
Oxum. Pai Ronaldo Linares conta que na década de 60, neste dia 08, se fazia uma
Festa para Oxum, onde havia “um encontro de Oxum com Yemanjá”, na Praia das
Vacas, no município paulista de São Vicente. Depois, esse “encontro” deixou de
ocorrer e a data ficou reservada para festejar apenas Yemanjá.
Em João Pessoa, 08 de dezembro é o feriado municipal
consagrado a Nossa Senhora da Conceição e também o dia de tradicional Festa de
Yemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular
cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas, ao redor do qual se aglomeram
fiéis oriundos de várias partes do Estado para assistir ao desfile dos Orixás
e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas
acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil
pessoas compareceram ao local.
Ainda em 08 de dezembro a Bahia realiza outras duas festas
para Yemanjá. Uma delas acontece pelo sincretismo com a Padroeira da Bahia,
Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. A
outra é realizada no Monte Serrat, na Pedra Furada, em Salvador, denominada
“Presente de Yemanjá”, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos
pescadores locais à Rainha do Mar, também saudada como Janaína.
Existe um sincretismo entre a Santa Católica Nossa Senhora
dos Navegantes e o Orixá Yemanjá. Em algumas regiões do Brasil, ambas são
festejadas no dia 02 de fevereiro, com uma grande procissão fluvial.
Uma das maiores festas do Dois de Fevereiro ocorre em Porto
Alegre, no Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, em Pelotas, a imagem de Nossa
Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da
festividade Católica, acontece um dos momentos mais marcantes da celebração: as
embarcações param e são recepcionadas por Umbandistas que carregam a imagem de
Yemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por muitas
pessoas. Em Pelotas, a Festa de Yemanjá acontece à noite, sob a coordenação da
Federação Sul Riograndense de Umbanda e com o apoio da Prefeitura; e durante o
dia a Festa Católica a Nossa Senhora dos Navegantes é organizada pela Diocese
local.
No Rio de Janeiro, Yemanjá é festejada na passagem de ano.
Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a Divindade. A
celebração inclui o tradicional “banho de pipocas” e as sete ondas que os fiéis
e até mesmo seguidores de outras religiões pulam, como forma de pedir sorte à
Grande Mãe Orixá (sete ondas, simbolizando os sete Sentidos da Vida).