sexta-feira, 13 de outubro de 2017

As razões e a importância da mãe criadeira em um ilê


Mãe-Criadeira: a construção do cuidado e do respeito pelo humano e pela vida nas tradições religiosas de matriz africana



Nas religiões de matriz africana, a linguagem e a aprendizagem são, principalmente, analógica e oral. Aprendemos formas de ser e viver através dos rituais, da atmosfera que compõe o espaço do terreiro, que chamamos egbé, e das redes de relações interpessoais que nele se estabelecem. No dia-a-dia do egbé, com suas ervas e árvores sagradas, seus espaços onde habitam os Orixás, sentimos e compreendemos variações do movimento do existir.


Esses registros estão, por exemplo, na “feitura de iaô”, momento de nascimento ritual do ser comunitário; no tempo de amadurecimento dos iniciados, porque quanto mais “velhos de santo”, mais portadores de Axé, energia vital; no axexê, cerimônia que ocorre quando os iniciados morrem, e através da qual é criado um campo de transição para sua volta do aiyê (terra) para o orum (céu/infinito), e de elaboração do luto para os que aqui ficaram.


No cotidiano do egbé, sentimos e compreendemos que a vida é constituída de momentos de plácida calmaria em que “nada parece acontecer”, sendo possível ouvir o vento soprar, uma folha cair, e momentos de intenso dinamismo, quando o toque vigoroso dos atabaques cria as condições necessárias para que se reatualize o contato com os Orixás/Bankisi/Voduns. Este conhecimento, incorporado e então traduzido pela palavra e pelo comportamento afetivo dos nossos mais velhos, nossos egbomi, nos apresenta formas dignas de nascer, crescer, amadurecer e morrer, nos ajudando a compreender e lidar com a vida, suas alegrias, impasses e contradições.


Entendo que a tradição do terreiro tem essa possibilidade, porque está alicerçada em uma ordem simbólica que compreende que a vida só pode existir a partir de um sistema inter-relacional, de trocas, no qual cada componente deste sistema que é constituído de homens, divindades, antepassados e de elementos do reino vegetal, animal e mineral, é não só necessário, mas fundamental para a manutenção do todo. Esta dinâmica que integra sistemas de suporte/acolhimento e sistemas de limite não-invasor nos permitiria adquirir formas de organização subjetiva, auxiliando-nos a elaborar os conflitos, os paradoxos naturais que se originam entre aquilo que necessitamos, desejamos, e aquilo que é possível ser obtido em função dos limites da realidade.


No interior desse sistema, iniciados e adeptos, a partir de uma aprendizagem analógica, oral e afetiva, têm a oportunidade de amadurecer e cumprir seu destino.


Podemos perceber o saber do terreiro através dos códigos que compõem o egbé, o barracão, os “assentos”105 dos orixás, as danças, os mitos. Auxiliado pelas mães-criadeiras, um elemento desse sistema, vou tentar mostrar como essa tradição religiosa nos permite aprender a amadurecer, transmitindo e recriando a história de nossa raiz africana.


A mãe-criadeira, que é chamada no terreiro de Jibonã, Ajibonã ou Yá Ojubonã, é um termo que vem do iorubá Yiá Oju Bi Onan, e tem como tradução “a mãe que abre os olhos para o caminho”, ou “a mãe que leva ao caminho do nascimento”. Esse “cargo” é ocupado por uma mulher, iniciada, que tem a responsabilidade de cuidar dos iaôs durante a iniciação. Ela está presente desde a chegada do novo filho à comunidade para o início da “feitura do santo” — gestação comunitária — passando pelo momento do “dia do nome” — parto comunitário — até o final do processo, quando o novo iaô retorna para sua casa e família de origem. Nesse complexo processo ritual o iniciado fica no terreiro por um período aproximado de vinte e um dias, quando vive e absorve novos códigos culturais, afetivos e adquire uma nova família mítica e humana. É preciso dizer que a mãe ou o pai-de-santo são elementos fundamentais na iniciação, porque a eles cabe a manutenção e a transmissão da visão de mundo da comunidade, a memória individual e coletiva do grupo. Entendo, contudo, que a tradição do terreiro em sua psicologia do amadurecimento, através da mãe-criadeira, facilita a criação de uma “atmosfera”, de um campo intersubjetivo para que o “iaô/feto” tenha as condições necessárias para viver o campo de liminaridade que é a iniciação, e construir um outro “ser e viver” no mundo. Costumo dizer que, simbolicamente, a mãe ou o pai-de santo são o corpo comunitário que gesta o iniciado, enquanto a mãe-criadeira é o útero-continente, onde esta gestação se processa.


Conversando conosco, elas vão mostrar como vivenciam e compreendem o processo de nascimento no terreiro. A iniciação visa tornar o novo membro comunitário representante de uma energia cósmica e descendente de uma “nação”.108 Isso só é possível por meio da iniciação, quando não só absorvemos o saber através do conhecimento racional, mas também da linguagem afetiva. Essa linguagem vai sendo absorvida por intermédio da inter-relação com a mãe ou o pai de santo, com a mãe ou o pai-pequeno e com a mãe-criadeira.


Vai sendo também introjetada pelo odor e pela tessitura das ervas que serão passadas em nosso corpo, pelos banhos e preparos que tomamos ou ingerimos, pelo sabor dos alimentos, pelos diferentes formatos que nosso corpo e interioridade descobrirão e absorverão. Entendo que essa “atmosfera relacional” permite que, durante o processo iniciático, possamos, temporariamente, ir nos separando da identidade que até então nos caracterizava como pessoa, vivamos uma gestação comunitária e, então, tenhamos a oportunidade de viver um outro processo de nascimento.


Entendo que a tradição de matriz africana, compreendendo a importância que este processo de nascer de novo possui, instituia iniciação como regra básica, dando-lhe, inclusive, a “qualidade" de sagrado”. O papel da mãe-criadeira é uma evidência da complexidade e da organização desse sistema, já que, semelhante à mãe “comum”, ela é também tomada por um profundo sentimento de identificação com os iniciados que passa a criar. Podemos dizer que, em sua prática de cuidados, a criadeira cuida não só da alimentação, das roupas, do fazer companhia aos iaôs, mas, e sobretudo, da pessoa do iniciado como um todo, de seu corpo, assim como de sua interioridade.


Para dar a elas a palavra e compreender a natureza do vínculo que se cria, vou começar por dizer que faz parte do dia-a-dia dos iaôs “recolhidos” tomar banho ritual muito cedo, antes do nascer do sol. A mãe-criadeira, portanto, acorda antes de seus iaôs, vai à cozinha e deixa preparado o dengué (mingau ritual). Volta ao “quarto do axé”110 (rondemi/bakisse) e começa, com cuidado, a acordar seus filhos. Como diz Mãe Obasse: “Na hora de acordar o iaô, tem que ter cuidado, para ele não assustar...” Segundo ela, é necessário chamar-se o iaô pelo nome ritual, baixinho...Exemplificava-me ela, num quase sussurro: “Iaô de Oxum..., iaô de Ogum..., dofono..., dofonitim...” Mãe Estelita sempre tinha um modo especial de acordar os seus filhos, dando-lhes toques leves na sola dos pés, chamando seus nomes rituais, pedindo que acordassem, aproximando-se deles e abençoando-os!... Como representantes de uma maternidade ancestral de matriz africana, elas sabem que o campo de liminaridade entre o sono/sonho e a realidade deve apresentar o limite, aqui representado pelo acordar e tomar o banho, mas deve ser mediado pelo cuidado e o afeto... sem invasão. Após acordados, os iniciados são levados por ela para o banho ritual, que sempre é dado “no tempo”, ao ar livre, em local sagrado no terreiro. Enquanto a comunidade dorme, os iaôs, guiados pela mãe-criadeira, formando “um cortejo”, vão para o banho e voltam para o quarto onde estão recolhidos, já com suas roupas trocadas e secas, por ela anteriormente lavadas e passadas. O mais rápido possível ela corre para a cozinha para trazer o dengué, porque sabe que, além da fome, seus iaôs precisam ser aquecidos, já que o banho ritual tem a temperatura ambiente, sendo, às vezes, bastante frio.


Dependendo do tempo que levou esse processo e do número de iaôs recolhidos, a criadeira pede que eles durmam um pouco mais e ela mesma volta a dormir até que o dia amanheça. Essa prática diária permanece até o “dia do orunkó”, ou “dia do nome”, chova ou não, faça frio ou calor. Diz Mãe Estelita sobre esse cotidiano:

O que eu penso é aquilo adaptado, que eu tenho que acordar às quatro horas da manhã, tenho que fazer o denguezinho, deixar as roupinhas limpinhas, se o iaô precisar de alguma coisa eu fazer. Você sabe como é, a comidinha é comigo, a rezinha da comidinha é comigo...Podemos observar no falar de Mãe Estelita que, ao utilizar o diminutivo para se referir às suas práticas de cuidado, uma linguagem que as mães têm com seus bebês, evidencia como “sente e compreende no seu interior” a forma de cuidar de seus filhos que estão sendo criados/gestados. Quando amanhece o dia, a criadeira, novamente, acorda antes dos iniciados para preparar o café da manhã ritual. Mãe Cota comenta assim suas atividades:

"Acorda cedo, dá o banho, depois vê se tem alguma roupa para colocar de molho, aí vai ver o chá.Vai rezar. Aí nessas alturas já tem que apressar para fazer a comida dos iaôs, antes que eles comecem a bater paó (palmas rituais) pedindo o almoço.É parte do processo iniciático um momento do dia dedicado às “rezas rituais de fundamento”. Elas são “puxadas”, proferidas, em dialeto africano, pela mãe ou pelo pai-de-santo, no espaço onde os iniciados estão recolhidos. Duram em torno de 50 minutos e, como o nome evidencia, são reconstrutoras do alicerce individual e coletivo do grupo, porque um momento de reatualização e transmissão da memória e ancestralidade comunitária. Acompanhando seus filhos está também a criadeira.113 Continua Mãe Cota: “Vem a rotina e a tarde passa rápido, e vem o café da tarde e o jantar, e vem o defumador e vem a reza; quando chega dez horas da noite, que acabou tudo, você tem vontade de desmaiar.”


Apesar de ser um dia intenso, as mães-criadeiras vivem esse período com carinho, o que fica muito evidente em suas falas. Diz Mãe Carê: Quando eu crio um barco,114 eu fico muito apegada. Pra mim é a mesma coisa, eu tomo aquela pessoa como um filho meu. Meu dia é todo em torno deles (os iaôs). Eu pegava e levava meus filhos pra roça, pra eu poder cuidar de todos ao mesmo tempo. Conta Mãe Estelita: A pessoa (o iniciado) vai entrando pra casa e a gente recolhe e a gente cria, a gente tem uma amizade igual, mesmo os nossos filhos de sangue. A coisa é mesma assim, você se levanta cedo, você lava tudo direitinho, você cozinha tudo direitinho, a gente não faz comida assim, assado, talvez o iaô não saiba, mas é porque tem que ser aquela mesma. Este negócio de iaô prende muito a gente.Termos como “eu fico muito apegada”, “eu levava meus filhos pra roça” (para o terreiro), no dizer de Mãe Carê, ou como “este negócio de iaô prende muito a gente”, exprimem um mesmo sentimento de ser capaz de abrir um espaço em suas vidas, em suas interioridades, para receber e criar os novos filhos. A iniciação tem como um dos seus pontos importantes o “dia do nome”, quando, simbolicamente, se processa o parto comunitário do iaô em presença da comunidade e de convidados adeptos da tradição do terreiro, ou não. Numa celebração ritual, os iaôs serão trazidos por “um cortejo” organizado e orientado pela mãe ou pelo pai-de-santo, mas “puxado”, guiado, pela mãe criadeira. Compreendo que o “cortejo”, simbolicamente, representa um cordão umbilical comunitário, já que os iaôs estão pela primeira vez “sendo paridos” do quarto do axé e trazidos para a vida comunitária. Este “cortejo” é encabeçado pela Yiá Oju Bi Onan, que intermedeia o encontro dos iaôs com o mundo “abrindo o caminho de seus filhos para o nascimento”. Entendo que esta cerimônia é envolvida de cuidados especiais, porque os iaôs estão, simbolicamente, nascendo, e, portanto, convivendo com o limite natural de separação do campo gestacional que é a comunidade. Como “bebês”, frágeis, necessitam de um processo de acolhimento e proteção para que esse momento seja registrado como uma vivência sem encontros inesperados, sem ruptura da continuidade de existir e, portanto, sem traumas. Entendo também que o processo de iniciação permite aos iniciados a construção de uma vivência de segurança, de pertencimento, de sustentabilidade subjetiva. Essa vivência pode no futuro ser acionada quando situações conflitantes naturais da vida forem experienciadas e provocarem situações de vulnerabilidade. A qualidade do vínculo que se estabelece pode ser percebida na emoção comentada pelas criadeiras com relação ao “dia do nome”. Diz Mãe Carê:O dia da “saída” é o mais bonito, mas é o pior dia. Eu fico emocionada e fico preocupada. Nesse dia não tem mais nada que me envolva, eu fico o dia todo ligada nisso. É muita emoção. Eu faço questão, eu tenho orgulho de trazer o iaô para o barracão. Depois do nome eu me sinto uma pessoa tão maravilhada quanto a mãe ou o pai-de-santo, eu me sinto mãe-de-santo. É como ter um filho passando de ano, ou no vestibular, ou se casando. É o mesmo sentimento de ganhar na loteria. Ouçamos Mãe Estelita: Eu acho importante a hora do nome. Meu filho, eu fico tão tensionada! Isso acontece com todos, porque todos são meus filhos, eu considero assim, são os meus filhos! Então eu fico muito feliz, assim na hora que eles “saem”, assim todo bonitinho, todo arrumadinho, que dá o seu recado bonitinho, eu me sinto muito feliz...A qualidade de sagrado que é dada pela tradição do terreiro
a essa celebração do ato de nascer, impregnada que está de cuidado e respeito, é introjetada pelas mães-criadeiras e evidenciada quando falam, como Mãe Carê, sobre emoção, preocupação, orgulho, o fato de passar no vestibular, ver um filho se casando, ou ainda quando Mãe Estelita nos mostra sua felicidade de ver cada um de seus filhos “sair”, ou nascer... Porque, na democracia afetiva de seu coração e sua interioridade, não importam cor, idade, gênero, escolha sexual; o envolvimento, como ela esclarece, “acontece com todos, porque todos são meus filhos, eu considero assim, são os meus filhos”.
Essa lógica de um “saber cuidar”115 e respeitar o humano e a vida que é recriada e transmitida em comunidades de terreiro pode ser também observada em uma experiência vivida por mim, no Ilê Omi Oju Arô.116 Naquele dia, como a tarde estava quente e abafada, o grupo que participava da oficina decidiu que nosso encontro se daria sob a sombra do pé de Iroco. A Ialorixá da Casa, Mãe Beata de Iyemonja — uma mulher negra, baiana, e que antes de abrir seu barracão foi mãe-criadeira em importantes casas de Candomblé do Rio de Janeiro — seus iaôs, egbomis, ogãs e equedes presentes, e nós, componentes do projeto, um pouco seus filhos também, nos acomodamos fazendo um círculo em torno da árvore sagrada onde habita o Orixá Iroco. Alguns momentos depois de começada a oficina, no colo de sua mãe, veio fazer parte do círculo a bisneta de Mãe Beata, bebê de mais ou menos dois meses de nascido, que estava vindo pela primeira vez ao terreiro. Depois de algum tempo da chegada da mãe com o bebê, Mãe Beata se ausenta do grupo por instantes e retorna trazendo em suas mãos um travesseiro grande e um balaio, dos que costumamos usar para “presentes” de Iemanjá e Oxum.117 Sem interromper a oficina, senta-se em sua cadeira, coloca o balaio ao seu lado no chão e, no interior dele, repousa o travesseiro, ajeitando-o com cuidado para ficar bem nivelado.


A seguir pega o bebê, que dormia no colo da mãe, coloca-o com delicadeza sobre o travesseiro e volta a se dedicar ao que continuava sendo apresentado por um dos membros do projeto. Percebi que os filhos da casa acompanharam com “sutil comoção”, um misto de interesse e satisfação, o comportamento da Ialorixá.Porque tomado pelo mesmo sentimento, terminada a oficina, perguntei a alguns dos filhos de Mãe Beata presentes como tinham compreendido e sentido o que acontecera momentos antes. Obtive então, como resposta, que aquela era uma atitude comum de Mãe Beata para com os bebês da comunidade, fossem eles filhos dos filhos-de-santo ou parentes consangüíneos dela. Segundo disseram, ela sempre pegava seu próprio travesseiro, e/ou suas almofadas, para aninhar os bebês que chegavam ao terreiro, os quais ficavam sob sua guarda e atenção, enquanto as mães se ocupavam com suas tarefas. Verbalizaram também a satisfação que o comportamento dela lhes trouxera, sentindo-se muito bem com essa forma de cuidado da Ialorixá, reforçando que “era mesmo mãe de cada um de seus filhos”. Essa experiência mostra que Mãe Beata, sempre mãe criadeira, por ter introjetado nela mesma o saber da tradição negro-brasileira, nos ensinou como criar uma atmosfera de acolhimento e respeito, construindo uma vivência de continuidade e tranqüilidade para o bebê e, diria eu, para os “eu/bebê” de cada um dos filhos presentes. Entendi o travesseiro como metáfora do seu próprio corpo e de sua atitude como um “saber cuidar”. Entendi também que, nesse momento único e particular, através da figura da Ialorixá, se reatualizava uma lógica do saber de matriz africana — a mesma que cada um de nós, filhos desta tradição, teve a possibilidade de viver no momento em que foi recolhido e gestado no quarto de axé/ronkó/bakisse durante o período de nossas iniciações. Compreendi que, ao presenciarem essa atitude, os filhos-de-santo ali presentes puderam acessar e reviver seu próprio tempo de iaôs/bebês durante sua feitura de santo, se nutrir daquela lembrança e reforçar um campo de sustentabilidade subjetiva. Essa vivência, que chamei de “sutil comoção”, e que fez com que o tempo parasse um pouco para cada um de nós, certamente nos remeteu para momentos arcaicos de nossa própria relação mãe/bebê, e permitiu que em nossa “volta” estivéssemos mais fortes e integrados. Tal vivência, que não foi falada, mas intensamente vivida, é parte de uma lógica segundo a qual não se vive só pela racionalidade, mas também pelo sentir, pelo perceber, sobretudo pelo trocar. Entendo que o encanto, o mistério que se processa na interioridade das mães-criadeiras, que se explicita e traduz através de suas práticas de cuidado, acolhimento e limite adequado, que faz com que elas desenvolvam uma profunda capacidade de identificação por seus iaôs/fetos e seus iaôs/bebês, está na lógica que constitui a visão de mundo do saber do terreiro. Um saber trazido por homens e mulheres africanos, que foram a força de trabalho que construiu grande parte do país em que vivemos e que ainda hoje, depois de alguns séculos, é capaz de nos apresentar formas dignas de ser e viver. Entendo que essa forma de ser e viver que institui o cuidado, o respeito e a celebração da vida, dando qualidade de sagrado a processos do existir, como o nascer, o amadurecer e o morrer, ancora-se numa lógica de matriz africana que está viva nos terreiros. Essa lógica mostra que a vida só pode se processar a partir de uma cadeia ecológica de trocas, ressarcimentos, reparações, em que cada elemento do sistema, numa parceria inter-relacional, é não só necessário, mas fundamental para a manutenção do todo.


Para terminar, vamos ouvir e guardar os ensinamentos de Mãe Estelita, nos mostrando como compreende e vive o processo de feitura de iaô: “Eu acho que é assim. É um umbigo, não é? Meu e dele (o/a iaô). Ele porque recolhe, eu porque crio.” Em sua generosa e sutil sabedoria negro-brasileira, Mãe Estelita nos ensina que só é capaz de falar em “umbigo”, em “recolher” e em “criar” quem teve a capacidade de se dispor a ser uma interioridade placentária, uma rede de sustentação, um campo fértil e generoso para o desenvolvimento de sementes, potencialidades e subjetividades...

FAZER A VIDA AMÁVEL

OTIMISMO

Uma das coisas menos agradáveis que há neste mundo é conviver ou trabalhar com uma pessoa pessimista: “Não vai dar!” “Não te falei?” “Está vendo?” “Não acredite…” “Todos querem se aproveitar”… A presença do pessimista estende asas de urubu sobre todos os que o cercam.

Mas também não é boa a figura do otimista superficial, comparável à “bexiga colorida de festa de aniversário”, colorida e efêmera. Diz coisas positivas, lança chavões de ânimo, mas tudo é vazio: “Não ligue para isso…” (quando é perigo que é preciso enfrentar), “Deixe, vai dar certo” (como?), “Deus é brasileiro” (sim, Ele abençoa sem dúvida o Brasil, mas nunca abençoa a preguiça)… Esse otimismo é uma bexiga furada.

Não sei se reparou que, tanto o pessimista como o falso otimista se julgam realistas. Mas não o são. Só o otimista cristão possui o verdadeiro realismo, porque vê as coisas com os olhos de Deus e por isso pode enxergar o “fundo da realidade”, pode compreender a “realidade real”.
Disso falou Bento XVI em Aparecida: «O que é o real? São realidade somente os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos? Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes no último século […]. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante e, por isso, decisiva, que é Deus. 

Quem exclui Deus do seu horizonte falsifica o conceito de “realidade” […]. Só quem reconhece Deus conhece a realidade, e pode responder a ela de modo adequado e realmente humano» (Discurso ao CELAM, 17/05/2007).

O autêntico otimismo não é fruto de técnicas de pensamento positivo, nem da fuga ilusória para o mundo do faz-de-conta. Como diz São Josemaria, é «consequência necessária da tua fé» (Caminho, n. 378).  Vale a pena meditar sobre três certezas, três pilares, que a fé coloca como bases firmes do otimismo.

A) Primeira certeza: Deus não está longe de nós

a) Isso dizia São Paulo em Atenas, quando discursou no Areópago: Deus não se encontra longe de cada um de nós. É nele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos(At 17,27-28).

Sem essa certeza da fé, estamos condenados à desorientação, ao desamparo, à insegurança. A quantos não se podem aplicar estas palavras de Caminho: «Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. – E está como um Pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos –, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando» (n. 267).

Foi Jesus quem nos revelou esta “realidade”, que é uma verdade essencial da sua mensagem salvadora: Deus é Pai, ele nos vê, ele nos ama, cuida de nós, tranquiliza-nos, levanta-nos quando caímos, alegra-se com nosso bem … (cf. Mt 6,25 ss; Lc12,28.32 e 15,1 ss; Jn 3,16 e 16,27 etc.).

É uma cegueira dramática viver como se Deus não existisse: é termos o Amor junto de nós, em nós (cf. Gl 2,20), e não percebê-lo. Chega a ser tragicômico o que aconteceu com as primeiras aparições de Cristo ressuscitado, quando os olhos dos discípulos ainda estavam como que vendados (Lc 24,16). Pranteavam o Cristo morto enquanto falavam com Cristo vivo. Madalena pergunta a Jesus: Se tu o levaste (o corpo do Senhor), dize-me onde o puseste e eu o irei buscar (Jn 20,15). Os discípulos de Emaús dialogam com Ele no caminho, e dão-lhe a “notícia” de que Jesus morreu (Lc 24, 13 ss.). No último encontro do Senhor ressuscitado com vários de seus discípulos, que voltam de uma pesca infrutífera, Jesus os chama da margem do lago, fala com eles, mas os discípulos não o reconheceram (Jn 21, 4). E nós?

b) Deus – o Amor que está conosco (cf. 1 Jn 4,8) –, não permanece inativo. O Amor jamais fica parado nem indiferente. Só não o percebe quem, por falta de fé, tem os olhos como que vendados.

Muitas vezes somos como crianças, que só se sentem queridas quando os pais lhes fazem as vontades, e não compreendemos como é que age o Amor de Deus. O segredo do seu modo de agir está nestas palavras de São Paulo: Sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rm 8,28). Amar é querer o bem da pessoa amada. Isso é o que Deus faz, mesmo quando não o entendemos. E, se o entendemos, não podemos ser pessimistas.

Da nossa parte, basta-nos querer amar, procurar amar sinceramente em qualquer situação da vida (em todas se pode amar), e então Deus encaminha tudo para o nosso verdadeiro bem, e brota em nós a alegria. Você não conheceu almas de fé radiante, enamoradas de Deus, que sorriam serenamente na doença, nas piores adversidades, no sofrimento, em face da morte? Eu agradeço a Deus ter conhecido um bom número dessas almas, e digo-lhe que não há no mundo ninguém mais “realista” que elas.

São Paulo era uma delas. Quem nos separará – dizia – do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O Perigo? A espada? … Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por aquele que nos amou… Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida…, nem as alturas nem os abismos, nem outra qualquer criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8, 35-39).

B) Segunda certeza: Com Deus sempre somos capazes de amar

Queixamo-nos, atormentados, porque não temos isso ou aquilo, porque não conseguimos o que almejávamos. E não percebemos que, ainda que eu conquiste o mundo inteiro, se não tiver amor, nada disso me aproveita (1 Cor 13,3).

Além da certeza de que Deus nos ama, a coisa mais maravilhosa que a fé nos dá é a convicção de que, aconteça o que acontecer na nossa vida, sempre poderemos amar, sempre teremos a fabulosa potência de amar. Isso significa que, haja o que houver – por mais terrível que nos pareça −, sempre poderemos ser felizes, pois a alegria, como diz Santo Tomás de Aquino, não é outra coisa que a irradiação do amor. Movidos pela fé e o amor, sempre «entramos na torrente de alegria» do Evangelho, de que fala o Papa Francisco (Enc. Evangelii gaudium, n. 5).

Quando as dores físicas ou morais –os desgostos, as decepções, os fracassos, os fastios, o tédio, a solidão, a depressão…- nos acabrunham, a voz cálida de Cristo crucificado convida-nos a ser generosos e a subir um degrau na escada do amor: a crescer na  mansidão, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confiança em Deus; a ser mais desprendidos de êxitos, do bem-estar e das posses materiais; sobretudo, a meter-nos mais decididamente na fogueira de amor que é o coração de Cristo, com desejos inflamados de corresponder, de desagravá-lo, de imitá-lo, de unir-nos ao seu Sacrifício redentor. Todos esses sentimentos fazem grande e feliz a alma cristã.

C) Terceira certeza: Deus sempre confia em nós

Exemplo disso. Todos conhecemos a história das negações de Pedro, durante a Paixão de Jesus (cf. Lc 22, 54-62).  Por covardia e egoísmo negou conhecê-lo, renegou dele, lançando maldições. Ao dar-se conta do que fez, chorou amargamente, e certamente deve ter se sentido indigno para sempre da confiança que Jesus havia depositado nele: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (Mt 16,18).

Passaram-se os dias. Jesus, já ressuscitado, iniciou – à beira do lago de Genesaré − um diálogo carinhoso com Pedro:  − “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. A pergunta repetiu-se mais duas vezes. Pedro sentiu uma grande dor e vergonha perante a imensa confiança de Jesus no seu Pedro desleal: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”, e pela terceira vez Jesus confirmou-lhe que o queria como pastor de todo o seu rebanho, cabeça visível da sua Igreja: “Apascenta as minhas ovelhas!” (Jn 21,15-17).

Jesus não nos “desclassifica”, apesar das nossas misérias, traições e pecados. Se nos arrependermos e não fugirmos dele, se confessarmos nossos pecados e reafirmarmos o desejo de amá-lo, Ele nos dirá, sorrindo, como a Pedro: “Eu confio em você. Apesar das barbaridades que cometeu, você, com a ajuda da graça, vai se tornar capaz de amar mais do que ninguém, e será santo e feliz”.

A  esperança não desilude
Acabamos de considerar os três pilares da fé que alicerçam o otimismo cristão: 1) “Deus não está longe de nós”; 2) “Com Deus sempre somos capazes de amar”; 3) “Deus sempre confia em nós”.

Sobre esses três pilares, o otimismo sussurra-nos ao coração: “Deus espera muito de ti, por mais que a tua vida passada tenha sido um desastre. Não fiques apontando baixo. Não coloques metas medíocres na tua vida cristã, na tua vida de intimidade com Deus, na tua oração, no teu apostolado, na tua dedicação ao bem material e espiritual dos teus irmãos. Sê audaz. Aponta muito alto, pois é aí, nas alturas, que Cristo – que te perdoou e voltará sempre a perdoar-te, se te arrependes −, te espera”. 

Como entendemos bem, agora, o que diz São Paulo: A esperança não desilude, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm5,5). 

Sim. É assim mesmo. Com Cristo, o otimismo se ilumina por dentro, muda de nome, e se chama esperança.

Àbíkú e Egbé orún: (awomawu – ogbanje – danwabi – kosamah)

Àbíkú e Egbé orún: (awomawu – ogbanje – danwabi – kosamah)


Muitas pessoas do culto ao candomblé ainda tem este tema como obscuro, cheios de utopias e ilusões, na verdade se alimentam de mitos criados pela incerteza do que se conhece a respeito.  O fato é que ainda bàbálòrìsà, Ìyálòrìsà ainda continuam erroneamente a afirmar certas ignorâncias sobre o tema assim como, Àbíkú já nasce feito, Àbíkú não se raspa ou não se iniciam, entre outras coisas.
O problema é ainda mais grave do que se imagina quando a prepotência e o achismo tomam conta da vida sacerdotal. Se é preciso dar todo respeito e seriedade necessárias ao tema de muita complexidade e de muito estudo para realizar o tratamento adequado no que se diz a um Àbíkú.
Caso uma mulher dá à luz por vários anos em Natimorto ou perde seu filho em poucos anos de vida, Ifá nos ensina que não se trata de várias crianças pretendendo vir ao mundo, mas sim de uma única criança ou seja, não se trata de várias crianças diferentes, mas de diversas parições de um mesmo ser, que para a cultura yorùbá de origem maléfica denominado abi( nascido) = ikú (morte), ou seja, nascido/morrer, que vem ao ayé (terra) por um breve momento e retornar ao orún (céu) por várias vezes. Passando a trazer sofrimento aos pais neste processo de nascimento e morte de seu filho sem que ele envelheça.
Podemos procurar maior compreensão em oito itán odù – ifá, praticados através do oráculo sagrado de Òrúnmìlà, sistematizados em 256 odù, essa história nos revelam que, os Àbíkú formam uma sociedade denominada Egbé – òrún, (sociedade do céu), governada por Ìyájanjasà, governante feminina e Olókó governante masculino, sendo que é  Obá Awayié (Rei), que as trouxeram para o mundo pela primeira vez em sua Egbé Awayié, é la que se encontra a floresta sagrada da sociedade Àbíkú ( egbé òrún), onde os pais devidamente acompanhados dos bàbálawo realizam os rituais específicos para cada caso de Àbíkú, com seus clamores e desejos para que eles permaneçam ao mundo.
Acredita-se que quando um àbíkú vem ao mundo é com um único objetivo de se trazer sofrimento aos seus pais.
O percurso dos Àbíkú em sua vinda de sair do Òrún (céu), passar pelo guardião entre os dois mundos Oníbódé órun (Èsù), seus companheiros seguem viagem juntos até o local de nascimento, que neste caso é a casa de seus futuros pais de onde se despedem, especificando o tempo de permanência e qual seu destino a cumprir. Sempre em grupos e inseparáveis.
Quando prometem aos seus companheiros que não querem se separar, mesmo com todos os esforços dos pais, o Àbíkú retornara para o encontro de seus companheiros.
É inserto precisar o período de permanência de um Àbíkú, mas se é correto afirmar que se não for realizado o ritual adequado ele retornará ao Òrún antes mesmo de atingir sua idade adulta. A um relato de uma mulher Yorùbá de que seu filho cujo nome seria Ilere ( a casa é boa), ao se realizar o ritual para a permanência da criança, Ifá revelar que ele avisa os pais que recusará todo alimento e todas as coisas que seus pais lhe vierem a oferecer  neste mundo, e tudo que eles forem oferecer para ele, só aceitará no céu.
Em outro Itan Ifá nos revela que, quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta Àbíkú ao mundo, cada um deles ofereceram um pacto de permanência, alguns se declararam voltar ao céu logo após de ver sua mãe, outros que voltariam assim que se decidisse se casar, outro assim que sua mãe engravidasse novamente, outro lodo depois que começasse a andar.
Somente a consulta com Ifá através do Bàbálawo é que nos é revelado qual a oferenda a ser feita e que tipo de ritual deverá ser realizado, para cada ÀBÍKÚ existe um ritual de acordo com o pacto feito no Òrún que só é revelado atravéz da consulta ao òpèlé – ifá, e é somente um ritual com conhecimento que são capazes de reter a partida de um Àbíkú para sua sociedade, fazendo-os esquecer do seu pacto de retorno, rompendo assim com esse processo de vindas e idas em recimentos e falecimentos de uma criança de uma mesma mãe, Isto só é possível porque, uma vez passado a data de retorno seus companheiros perdem o poder sobre ele, assim rompendo o pacto realizado entre eles.
Para melhor compreensão destes rituais uma outra história encontrada em um odù – ifá é de uma caçador que ao chegar em uma aldeia teria uma mulher dando a luz a três crianças gêmeas, o pai das crianças então como se é de costume pediu ao caçador que abençoa-se seus filhos, ao chegar o caçador consulta ifa através do jogo sagrado do obí e aconselha aos pais a procurarem ajuda de um bàbálawo e que  para primeira criança a nascer que nãodeixasse se queimar totalmente a lenha sob o pote que cozinhar os legumes para alimentar o bebe, não deixando que o fogareiro se apague por falta de combustível, para a segunda criança não deixe que rasgue o pano que carregar seu filho nas costas e para o terceiro, para nunca não dizer ao seu filho o dia de ir morar com sua futura esposa.
Os pais então vão a Egbé Ifá consultar para que lhe sejam revelados o futuro de seus filhos, onde lhes foram prescritos o ritual para seus filhos ÀBÍKÚ ultilizando:
1 tronco de bananeira;
1 cabra;
1 galo
Para que assim evitasse a morte de seus filhos, rompendo com o pacto realizado por eles. Porque, colocando o tronco de bananeira no fogareiro, ele nunca irá queimar por completo, fazendo com que o ÀBÍKÚ diga aos seus companheiros que o tempos de sua partida ainda não chegou. A pele da cabra oferecida para segunda criança reforça o pano que sua mãe utilizará para carregar seu filho, sendo assim a criança nunca verá esse pano se rasgar e assim não cumprirá sua promessa, a terceira o galo canta de hora em hora trazendo assim a incerteza de qual hora seria o momento de ir encontrar sua  futura esposa, trazendo-a então a ela para morar na casa dos pais do terceiro ÀBÍKÚ.
Entre as oferendas que os fazem ficar na terra, existem também a indispensável uso das ervas litúrgicas, entre elas podemos citar:
Abíríkolo, Agídímagbayin, Idí, Ijáàgborin, Lara pupa, olobutoje, opa eméré
Obs: Para se utilizar dessas folhas se é necessário o profundo conhecimento do ofóespecífico para cada caso.
Somente um Bàbálawo pode realizar esses rituais e proteger os filhos àbíkú de uma família, realizando certos rituais como algumas incisões no corpo da criança ou ainda colocar na cintura de uma criança àbíkú o Ondè, uma espécie de patuá confeccionado em um saquinho de couro.
A junção de folhas com outros elementos juntamente com o encantamento (ofó) são colocados no corpo do àbíkú através das incisões que são feitas em rituais realizados nestes casos.
Mas nem sempre esses rituais são eficazes contra a partida dos ÀBÍKÚ, em alguns casos Ìyájanjasà é mais forte e consegue anular o poder dos encantamentos, Ìyájanjansà os atrairá de volta para o céu, os corpos dos àbíkú em terras Yorùbá são multilados ao falecerem afins de que eles não consigam retornar para a terra. Simbolizando assim, que aos espíritos dos ÀBÍKÚ ao verem os maus tratos desistam de querer vir para a terra.
Em terra Yorùbá se é possível encontrar pessoas Àbíkú já idosas com perfeita saúde, demonstrando assim a eficácia dos rituais realizados através da orientação de Òrúnmìlà realizados pelos bàbálawo – Ifá.
Alguns nomes dados propositalmente aos ÀBÍKÚ:
Àyiédù – a vida é doce
Àyiélagbé – nós ficamos no mundo
Akúji – o que esta morto desoerta
Banjókó – sente comigo
Dúrójàyié – fique e aproveite a vida
Dúróoríìke – fique para ser mimada
Èbèlokú – suplico que fique
Kòkúmó – não morra mais
Entre todas as oferendas também podemos citar:
Oká – pasta de inhame
Obèlá – parecido com o nosso karuru
Wole – feijão moído e cozido em folha
Èran dindi ou ejá dindi – carne ou peixe frito
Por tanto espero que todos consigam entender que ÀBÍKÚ nada tem haver com criança que não precisa de iniciação ou ain que já nasce feita no Òrìsà.
É PRECISO CUIDAR DE ÀBÍKÚ, PARA ELE NÃO VOLTAR PARA O CÉU
SÓ OFERENDAS PODEM RETER O ÀBÍKÚ
MOSETÁN FICA NA TERRA
OLÓÌKÓ É O GOVERNANTE DA EGBÉ ÒRÚN
ASEJÉJÀIYÉ FICA NO MUNDO NA DÉCIMA SEXTA VEZ
O ÁBÍKÚ VEM A TERRA ATRAVÉZ DE AWÀYIÉ
ÍYÁJANJASÀ NÃO PERMITE QUE ELES FIQUEM NA TERRA.
Os odù onde foram feitas as referencias são:
Oturopon meji, Oturopon yeku, Oturopon gundá;
Osé meji, Ogbé fun, Otura sa, Odi meji, Irete rosun, Obara Iroso.


HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ

HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ Vamos conhecer agora a história de Xangô, um orixá bastante sedutor, que havia sido disputado por três mulh...