terça-feira, 2 de maio de 2017

O OVO

O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e ebós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”. 


Com o 1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo,  Com o 2º deu origem a Ògún a forma, Com o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, Com o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida. 

O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. 

Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento = ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ. 

  O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). vo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes: 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e atuar no que for necessário. O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubá, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubá principalmente no culto de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN,  IYEWÁ, OYÁ, ÒMÒLÚ e etc... 


Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. 


Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Asé (poder realizador). 

 O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawo antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Ori, antecedendo o bori, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. 



O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em ebós de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ. 


O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà, Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa.

  

O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranquilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil.  


Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Ori de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). 

Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrificatórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. 


Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa.   

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. 

 Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) em cima de seu Okuta. Por esse motivo não admite a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé.


Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé. 




Classificação dos Ovos

 

Ovo de galinha cru – purifica e tranquiliza. 

Ovo de galinha cozido – tirar doenças. 

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia 

Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas. 

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço. 

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios. 

Ovo de pombo – propicia tranqüilidade e fertilidade.



Ilé Yorimá*


IYAWO

Li este texto e resolvi posta-lo. Não estou de forma alguma contestando a autora, só estou aproveitando as colocações dela, para tecer  posicionamentos, MEUS. 


Uma observação: A forma como a autora descreve os tópicos pode parecer em algum momento, deboche ou falta de educação, mas é exatamente desta forma que muitos falam dentro de suas casas. Acredito que ela tentou retratar esta realidade.
Lógico que em todos os lugares temos que seguir regras e critérios mas....., em algumas casas estas regras só pertencem aos noviços.  O que diferencia os mais velhos do noviço, é o tempo de iniciação, responsabilidades de mais velhos, responsabilidades de quem exerce cargos. Noviço é noviço, não inferior. A postura de submissão, só devemos aos deuses.

Obs.: Meus comentários em azul


Manual do Bom Iyawo 

autora: Nêga Ju


1- Não retrucar o pai/mãe-de-santo. Você por acaso retruca seus avós? Não, com certeza. Não retrucar faz parte da educação e respeito que temos que ter por qualquer pessoa, principalmente neste caso.

2- Não retrucar seus irmãos mais velhos e egbomis; Você por acaso retruca alguma tia ou tio mais velho? Se me tratar respeitosamente e educadamente não. Se a motivação do "sabão" for pessoal e desrespeitosa, responda sim, mantendo o posicionamento de mais novo, seguindo as normas de respeito e educação. Se for uma questão religiosa, tem que  se respeitar a experiência e não retrucar, desde que a colocação seja com humildade e com o objetivo de orientar. Só porque somos mais velhos, não nos dá o direto de falar mal com ninguém.



3- Caso tenha algo para falar que não esteja concordando, discretamente peça um minuto da atenção do pai/mãe de santo e exponha a situação civilizadamente, sem precisar que a torcida do Flamengo esteja assistindo. Dar um escândalo no meio do barracão não é postura de um filho de santo, e você ainda corre o risco de tomar um fora na frente de todo mundo. ESTA É A REGRA, e assim deve ser em qualquer seguimento de nossa vida. 



4- Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedes, ogãs, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é de bom-tom que os filhos se abaixem para dirigir a palavra ao pai de santo. Detalhe: Só atrapalhar a conversa caso seja EXTREMAMENTE necessário. Deve-se chegar junto à ele, mas não muito, e ficar abaixado esperando que ele pergunte o que deseja. Quando ele perguntar, comece sempre sua frase com “AGÔ”. “Agô, mas blá blá blá…”. Esses são critérios de educação da religião, pois ninguém se abaixa para falar com avô, avó, pai, mãe, chefe, etc. Se alguém estiver conversando, e precisarmos, naquele momento, falar com a pessoa, se aproximar e aguardar a pessoa nos dar atenção, faz parte da educação, mais umas vez, em qualquer segmento de nossa vida.



5- Nunca, jamais, em tempo ou hipótese alguma, seja no seu barracão ou no barracão do alheio, deve-se sentar na mesma altura que o seu pai de santo. Ele já passou por vários sacrifícios para estar sentado confortavelmente ali. Você ainda está no meio do caminho. Portanto, pra que querer sentar aonde você não alcança? Por tradição, respeito e educação. Não concordo com a motivação explicada neste procedimento, pois estamos mostrando com ele que os noviços são inferiores, e não são, são pessoas adultas, que estão começando a trilhar um caminho de aprendizado dentro da religião. Sistema de reinado não faz mais parte da história. O caminho trilhado por um lider, não faz dele melhor que ninguém, o faz mais sábio, com mais experiência, com mais conhecimento, e é isso que lhe da destaque. Sacrifícios todos fazemos. Temos que respeitar nosso líder, por todos esse motivos, da mesma forma que respeitamos os nossos pais.



6- Yawo e abian não bebe nenhum líquido em copo de vidro dentro de seu barracão ou no barracão do alheio. Deve-se esperar o bom e velho copinho de plástico ou então a conhecida DILONGA, BAN ou CANEQUINHA DE ÁGHATA, como você preferir chamar. Copo de vidro só quem tem direito é egbomi, ekede, ogan e zelador. 
7- Yawo e abian não come em prato de vidro ou louça. Apenas em pratinho de plástico ou ághata. Aliás, devemos lembrar que é de boa educação cada filho trazer seu devido pratinho de ághata e sua devida canequinha para seu uso pessoal no barracão. Ah! Garfo? Nem pensar! Colher. Somente ela. Garfo, só com 7 anos de santo feito, ou então sendo ekede, ogã, zelador…...Isso é pra mostrar que eles são inferiores? No tempo da escravidão era o que disponibilizavam para os escravos, pois eram tratados como seres inferiores. Dentro do quarto sagrado, se me disser que é o simbolismo da primitividade da religião que escolhemos, tudo bem, do lado de fora, somos seres dignos de qualquer privilégio que o progresso nos brindou.  As crianças bebem em recipientes de plástico, para não correrem riscos, e não porque são inferiores. Massssss... são regras

8- Terminou seu ajeum? Pegue seu pratinho e sua canequinha, vá para cozinha e lave. Não cai a mão e nem coça, sabia? Infelizmente ainda não possuímos uma empregada que possa cuidar da limpeza geral enquanto nós descansamos. Essa é perfeita para todos, não só para os noviços.

9- Como dissemos no ítem anterior, não temos uma empregada para limpar tudo. Portanto, cada um deve se conscientizar e fazer a sua parte. Ficar protelando, esperando que algum irmão de santo se encha da bagunça e vá arrumar por você não tem cabimento. Cada um fazendo um pouco fica mais fácil e rápido. Perfeito.

10- Resolveu visitar o pai de santo? Que maravilha! Ele adorará sua visita, ainda mais se você vier com uma modesta colaboração para o ajeum, pois como é do conhecimento de todos, o pai de santo não é rico e nem tem obrigação de alimentar todo mundo. Madre Teresa de Calcutá já morreu, e definitivamente, ela não vira na cabeça do pai de santo. Colaborar, com certeza, não por este enfoque, e sim por vivermos em uma comunidade onde o zelador de santo não é um mantenedor de pessoas, a função dele é orientar, resguardar, conduzir, etc., e não sustentar. 

11- Ao chegar ao barracão, o procedimento correto é: a) Amarrar um pano no peito (mulheres) ou na cintura (homens); b) Ir direto para a cozinha beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas para bater-papo e colocar a fofoca em dia; c) Tomar seu banho e ir trocar de roupa; d) Bater cabeça no axé, na porta do quarto de santo e pro pai de santo; e) Tomar a bença à TODOS os seus irmãos, sendo mais velhos e mais novos, de acordo com a ordem iniciática. Agora sim, caso não haja nada em que se possa ajudar (muito embora seja impossível, pois em uma casa de santo sempre tem algo a ser feito), você pode ir colocar seu tricô em dia. Perfeito, são regras para serem cumpridas.

12- Você trabalhou feito a escrava Isaura e se cansou? Acabou de fazer todo o serviço? Bem, agora você pode pegar o seu maravilhoso APOTÍ e confortavelmente sentar-se nele. Como dissemos no item 5, cadeiras, sendo com ou sem braço, só ebomis, ekedes, ogãs ou zeladores que podem sentar. Existe uma variável do APOTI¹, que é a famosa ESTEIRA. Nela você pode se sentar, se espichar e até relaxar seus ossos. Ela é sua! Aproveite! Critérios

13- Em sua casa, quando você faz uma comemoração qualquer e é servida uma refeição, você sai atacando o ajeum na frente de seus convidados? Acreditamos que não, né? Portanto, na casa de santo é igual. Antes os mais velhos devem se servir, pra só depois os abians e yawos se servirem. Isso é mais que uma regra, é etiqueta. E você não vai querer ser um deselegante, não é? Lembre-se: Estão sempre observando você…Regras de educação

14- Você gosta que fiquem pegando suas roupas emprestadas? Pois é, o pai de santo também não gosta. Portanto, que tal ir no Varejão das Fábricas e comprar um belíssimo tecido de lençol a R$ 4,50 e fazer uma baiana de ração básica pro dia-a-dia? Não sai caro e fica uma gracinha. E você finalmente pára de pegar a roupa do alheio emprestada. Não é maravilhoso? Todos na casa contentes e felizes com suas devidas roupas. Essa é ótima. Regras de simancol. 

15- Quem traz dinheiro para o sustento da casa? Você é que não é. Portanto, trate muito bem os clientes que vão para jogar ou se consultar, pois é deles que vem boa parte do dinheiro dali. Sorrir sempre e servir um copinho de café ou de água gelada não mata ninguém. Que tal tentar? Temos que tratar a todos com gentileza e educação, não por este motivo.

16- E vai rolar a festa! O povo do keto, do jeje, da angola e até da umbanda já mandou convidar. Mas, e o dinheiro para comprar o ajeum e o otí do povo? Com certeza o Carrefour não irá mandar as coisas de graça para o barracão, nem o Mercadão de Madureira tão pouco irá dar os bichos e todo o material restante. Portanto, que tal se todos coçassem o bolso um pouco e ajudassem? Se a festa for do vodun/orixá/nkise da casa, todos temos que colaborar, dentro dos limites de cada um, afinal de contas ele é o responsável por todo o clã de deuses, ali participantes. Se for de um irmão que não tem condições de arcar com as despesas de sua obrigação, e essa se faz necessária, é obrigação ajudar, somos uma família. 

17- Você acha que só por este local ser uma casa de santo, a Light, a CEG e a CEDAE irão fornecer água, luz e gás de graça? É claro que não. Portanto, contribua sempre com a sua módica mensalidade. Economizar um pouco na Skol e no cigarro no final de semana já irá ajudar muito no barracão. Valido

18- O mundo está em guerra, existe muita gente por aí passando fome. Portanto, por que desperdiçar comida? Fazer a quantidade exata só para quem trabalhou dignamente e contribuiu com este maravilhoso ajeum é o coerente, pois você não está no programa da Ana Maria Braga para comer de graça. Por falar em Ana Maria Braga, lembre-se que você não é o Louro José para dar palpites no barracão. Se você tem alguma sugestão, leve-a antes ao pai de santo. Espalhar a corrupção sobre a Terra era coisa da novela passada.Regra dos bons costumes 

19- Ficou cansado depois da festa? Nada de ir pegando sua bolsa e ir saindo de fininho. Lembre-se da limpeza do barracão. Perfeito e para todos

20- Roda de candomblé, seja em sua casa ou na casa do alheio, não é lugar de ficar de cochicho e risinhos irônicos. Se você quer fuxicar, vá para um botequim. Perfeitooooooooo, para todos. 

21- Anágoas encardidas, só se for depois da festa do candomblé. Antes, NUNCA, JAMAIS, NEM PENSAR! Devem ser brancas como a neve, salve anágoas de ráfia ou entre-tela.
Regras de cuidados pessoas em qualquer lugar.

22- Você, irmãozinho, que vê o mundo cor de rosa-choque com bolinhas amarelas, deve deixar esta sua visão progressiva e moderna do lado de fora do barracão. Ali dentro você tem que ver tudo branco. O mesmo vale para as coleguinhas que vêem tudo azulzinho. Casa de orixá é para louvar e cuidar do Orixá, e não para arrumar casório. Até pode acontecer, mas não deve ser a intenção 

23- Vai rolar um churrasquinho de gato na casa do seu coleguinha no meio da semana, no mesmo dia de função do barracão? Então, peça para ele guardar uma garrinha de carne para você e venha cumprir suas obrigações junto a seus irmãos.  Não com esta motivação. No meu ponto de vista, estar presente nas funções, é uma questão de prioridade e religiosidade. Mas há que se entender que em determinados momentos familiares ou se for uma ocasião daquelas que vc não pode deixar de estar presente pois, acarretaria uma enorme desconsideração por alguém de grande significância em sua vida, a sua religião poderá não ser a prioridade. Religiosidade é a pratica da religião e não uma opção de vida, e se assim for é escolha de cada um, não tem que ser de todos. A ausência em um oro não desqualifica a religiosidade de ninguém, afinal de contas todos temos vida social, afetiva, familiar e religiosa. Esta compreensão tem que fazer parte dos critérios de um líder. Por questões de respeito e responsabilidade, o Zelador/a deverá ser avisado de sua ausência, SEMPRE. Esta postura de ausência em um oro não pode ser uma praxe, afinal de contas temos deveres e direitos, mas tem que ser considerada e compreendida.

24- Se sua irmã de santo tem uma baiana mais humilde do que a sua, nada de ficar xoxando. Lembre-se, o mundo dá voltas e o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
Amanhã pode ser você com uma baiana de chita e ela com uma belíssima saia de rechilieu. Isso seria um desvio de caráter e não uma regra ou critério descumprido

25- Caso assista fora do seu barracão a algo diferente do que ocorre em sua casa, nada de ficar xoxando e chamando de marmoteiro. Você não é o dono da verdade e nem ninguém o é. O que pode parecer maluquice pra você, pode não ser para próximo. Além do mais, comentários sempre são feitos depois. Vai que tem alguém conhecido escutando? Perfeito. 

26- Ninguém tem mais ou menos santo que ninguém. Isso é regra. Sempre. Perfeito 

27- Respeito é bom e conserva os dentes. Portanto, deve-se pensar duas vezes antes de envolver o pai de santo e irmãos mais velhos em determinadas brincadeiras de mau-gosto. Apelidos e avacalhações são da porta do barracão pra fora. Além do mais, a próxima vítima pode ser você. Essa também é para todos, não  só com zeladores e mais velhos

28- Roupa de barracão é saia comprida, camisú e pano da costa. Shortinhos e top’s devem ser usados somente pra ir ao baile funk. Perfeito 

29- Sempre que for servir algum mais velho de santo, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir. Nunca olhar no rosto da pessoa. Responder somente “sim” ou “não”. Regras da religião, você pode fazer isso tudo sem tanta subserviência.

30- Bença foi feita para ser trocada. Sempre que você pede a bença, você está na realidade pedindo a bênção ao Orixá da pessoa, e não à ela própria. Portanto, todos devem trocar a bença, mais velhos com mais novos e vice-versa. Com certeza. Só um adendo, nunca mas nunca, na troca de benção estique sua mão para que lhe peçam a benção, isso é de uma prepotência e falta de educação, incomensurável.

APOT͹: A casa constantemente precisa de apotís. Nos grandes supermercados vendem higiênicos banquinhos de plástico a R$ 6,50. Coopere com a casa e leve o seu. 
* faltou lembrar das velas Santo (Orixá) precisa de luz uma velinha de 7 dias não custa tão caro,

* quando chega visita de outra casa.Recebe-los como irmãos, guardando a hierarquia, mesmo qdo tem um abian tirando onda de mocotona(antiga). Isso é regra de educação.

Outra coisa, nao antecipar-se aos mais velhos ao acolhimento das visitas qdo não se está designado p/isto. Perfeito

BEM MANOS ESPERO TER CONTRIBUIDO E SE PUDEREM ACRESCENTAR SERÁ MUITO BOM ! 
ASÉ

Oração de uma Iyawó

"Que a energia que habita em mim permita que eu mantenha sempre a cabeça baixa e os pés no chão, afim de manter a humildade. Que eu tenha sempre bons ouvidos, atentos para os ensinamentos daqueles que vieram antes de mim, meus orixás, meus ancestrais, meus mais velhos e fechados para o que não convém. Que eu possa ter o coração aberto para a experiência de ser omo orixá, mas principalmente a boca fechada, pra não levantar falso, não cometer injúria e não deixar que o sopro que sai de minha boca se contamine com palavras vãs.
Que meu ori mantenha esse compromisso todos os dias. Assim meu comportamento será digno de minha divindade e minhas ações respeitarão o deus vivo que há em mim."

ILÉ YORIMÁ


HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ

HISTORIA DE XANGÔ E YANSÃ Vamos conhecer agora a história de Xangô, um orixá bastante sedutor, que havia sido disputado por três mulh...