Deusa do amor, Orixá das águas, Oxum é
aquela que mantém em equilíbrio as emoções, da fecundidade e da natureza. Mãe
gentil dos povos antigos e dos novos, é ela que renova e intercede por nós em
todas as situações.
Por ter recebido o título como a Orixá do amor, é ela a mais
procurada para as questões de união e relacionamentos. Todos aqueles que
procuram por paz e estabilidade em uma relação, podem pedir à Oxum a sua benção
para essa questão.
Também conhecida como Osúm, Osún ou Oxun, ela é a
representação da sensibilidade, da delicadeza feminina e da paixão para
motivar a essência da vida. Mamãe Oxum adora as águas calmas, e é através de
sua energia que ela tranquiliza os corações dos apaixonados. Durante as incorporações dessa Orixá, é de costume haver
choro, pois sua sensibilidade é transferida aos seus filhos e aqueles que
buscam por seu carinho e atenção.
A história de Oxum
Uma moça muito curiosa, filha de Oxalá,
que tinha uma forte preferência pelo pai que sempre fazia tudo o que ela
desejava.
Oxalá era muito sábio e quando possuía algum questionamento
ele cuidadosamente consultava Ifá,
Deus da Adivinhação, para que ele auxiliasse no prosseguir do destino, por
sua vez Oxum a acompanhar queria saber também como desvendar o Oráculo. Mas
muitas foram as vezes que Ifá dizia a Oxum para que perguntasse a Exú suas
dúvidas pois ele possuía o dom de ver
o destino através dos búzios.
Curiosa e intrigada com essa questão a Orixá Oxum pediu ao
pai que a permitisse enxergar o futuro, mas Oxalá de prontidão explicou que
somente Ifá teria o dom de ler e interpretar os búzios.
Oxum, a filha de Oxalá, não se deu por satisfeita e foi
diretamente a Exú pedir para que ele a ensinasse pois ela sabia que ele
conhecia o segredo de Ifá. Obviamente Exú recusou-se.
Foi então que ela decidiu partir para a floresta e pediu
para que as feiticeiras Yámi Oroxongá, a ensinassem. Mas o que Oxum não sabia é
que as feiticeiras desejavam pegar Exú em uma brincadeira.
As Yámi ensinaram-lhe uma magia e pediram para que sempre
que ela fizesse esse feitiço que ela lhes prestasse uma oferenda.
E então Oxum com as mãos cheias de um pó brilhante foi até Exú e pediu para que ele adivinhasse o que tinha em suas mãos. Quando Exú chegou perto e fixou o olhar Oxum soprou o pó no rosto dele deixando-o temporariamente cego.
E então Oxum com as mãos cheias de um pó brilhante foi até Exú e pediu para que ele adivinhasse o que tinha em suas mãos. Quando Exú chegou perto e fixou o olhar Oxum soprou o pó no rosto dele deixando-o temporariamente cego.
E então Exú ficou preocupado com os búzios e pediu para que
ela – que fingia preocupação – o auxiliasse. E então, pouco a pouco, ele foi
respondendo os questionamentos do Oxum para que ele pudesse compor o jogo
novamente. E todos
os Odus passaram a ficar conhecidos por Oxum.
Ao retornar ao reino do pai Oxalá, Oxum contou ao seu pai o que havia acabado de fazer. Ifá, admirado por sua coragem, presenteou-a com a mão de jogo e disse que ela seria regente do Oráculo junto com Exú.
Ao retornar ao reino do pai Oxalá, Oxum contou ao seu pai o que havia acabado de fazer. Ifá, admirado por sua coragem, presenteou-a com a mão de jogo e disse que ela seria regente do Oráculo junto com Exú.
Foi então que Oxalá perguntou para a filha o motivo daquilo
tudo. A Orixá, com toda a sua doçura disse que fez tudo isso por amor a ele.
Impondo suas vontades
Era comum que os Orixás masculinos se reunissem para
discutir assuntos sobre a humanidade. Oxum sempre achou isso muito injusto,
pois sabia que tinha sabedoria e poder o suficiente para opinar sobre as
questões dos homens, mas mesmo insistindo nunca conseguiu espaço para se
expressar.
Como última escolha, decidiu usar a sua astúcia. Como não
existiam homens se não fossem as gestações das mulheres, a Orixá então tirou a
graça da fertilidade de todas e assim a humanidade começou a minguar-se e não
haviam nascimentos. Notando que algo de errado acontecia na terra, os Orixás decidiram
consultar Olorum, que os revelou que a Mãe Oxum havia tirado o
dom da maternidade de todos.
Como somente ela poderia resolver essa questão, eles a
convidaram para participar da reunião e desde então, a Orixá se tornou figura
presente em todos acordos e decisões tomadas pelos Orixás, e a humanidade
passou a se multiplicar mais uma vez.
Qualidades de Oxum
Oxum possui dezesseis qualidades que podem ser encontradas
em sua personalidade, dons e formas de agir como Orixá. Vale lembrar que estas
qualidades são costumeiramente cultuadas nas Nações de Candomblé, não sendo tão
comuns na umbanda.
1. ÒSUN ABALÔ – É uma
velha Oxum, de culto antigo, considerada Iyá Ominibú, tem ligação com Oyá,
Ogum e Oxóssi, veste-se de cores claras, usa abebé e alfange.
2. ÒSUN IJÍMU ou
Ijimú, é outro tipo de Oxum velha. Veste-se de azul claro ou cor de
rosa. Leva Abèbé e Alfange, tem ligação com as Iyamís, é responsável por
todos os Otás dos rios.
3. ÒSUN ABOTÔ também
uma velha Oxum de culto antigo, ligada as Iyamís, feiticeira, carrega
Abèbé e Alfange, tem ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
4. ÒSUN OPARÁ Oxum
Opará ou Apará seria a mais jovem das Oxum, é um tipo guerreiro
que acompanha Ogum, vive com ele pelas estradas; dança com ele quando se
manifestam juntos numa festa; leva uma espada na mão e pode vestir-se de cor
de marrom-avermelhada. Conhecida também como a Senhora da Espada.
5. ÒSUN AJAGURA ou AJAJIRA,
outra Oxum guerreira que leva espada, jovem, tem ligação com
Yemanjá e Xangô.
6. YEYE OKE Oxum jovem
guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega Ofá e Irukerê.
7. YEYE ÌPONDÁ é
também uma òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Yeye Pondá é rainha da
cidade que leva seu nome Ìponda, leva uma espada e veste-se de
amarelo ouro e branco quando acompanha Oxaguiã.
8. YEYE OGA é uma
Oxum velha e muito guereira, carrega Abèbé e Alfange.
9. YEYE KARÉ é um Oxum jovem
e guereira, ligada a Odé Karè, Logun edé.
10. YEYE IPETU é uma Oxum de
culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a
Ossaim e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.
11. YEYE AYAALÁ- é talvez a mais
ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as Iyamis,
considerada a avó.
12. -YEYE OTIN- Oxum com estreita ligação
com Ínlè, ligada a caça e usa Ofá e Abèbé.
13. -YEYE IBERÍ ou merimerin-
Oxum nova, concentra a vaidade e toda beleza e elegância de
uma Oxum, dizem que ser a Oxum de mãe menininha do Gantois.
14. –YEYE MOUWÒ- Oxum ligada a Olokun e
Yemanjá, grande poder das Iyamís, veste-se de cores claras e usa Abèbé e
Ofange.
15. –YEYE POPOLOKUN- Oxum de culto raro,
ligado aos lagos e lagoas.
16. -YEYE OLÓKÒ- Oxum guerreira , vive na
floresta nos grandes poços de água, padroeira do poço.
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OFERENDA PARA OXUM
IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada
por alguém
responsável do Candomblé ou Umbanda, cada
Orixá possui suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem
os conhecem após anos de prática na religião.
Mel, frutas, flores e elementos doces. A doçura desse Orixá
se expressa pelas oferendas que são entregues a ela nas beiras dos rios. Como é
a Deusa do amor ela é extremamente conectada à natureza e aos elementos da
Terra.
Quando se oferta algo a um Orixá os agradecimentos pelas
energias a eles destinados ficam cada vez mais latentes e claros. Esse é o
momento de entrega do filho da divindade àquele que cuida de todos os fios do
seu destino.